quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O Ano do calvário...

Para comemorar a passagem de ano, vamos lembrar daquela que foi a temporada que consagrou o talento e a genialidade de Ayrton Senna.
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Eu não sei ler japonês. Muito menos, como diria o grande compositor, poeta e filósofo Djavan, "japonês em braile". E acredito que muitos dos que freqüentam esse blog também não o saibam. Porém, todos nós conseguimos compreender a linguagem que está no desenho ao lado. Trata-se de uma publicação japonesa, no ano de 1993.
A Honda havia se retirado da Fórmula 1 ao final de 1992 (já vimos esse filme, não?) e, assim, a McLaren, que usava os propulsores desde 1988, e Senna, que vinha trabalhando com os japoneses desde 1987, teriam de usar novos motores. O "escolhido" foi o Ford.
Porém, havia um pequeno problema: a Benetton usava esses motores desde 1987, e já era sócia da empresa. A McLaren acabou optando pelos motores da empresa somente no início do ano. Assim, ficou com a “versão cliente”, que tinha por volta de 30 cavalos a menos que a “versão sócia” usada pela equipe italiana. E aí a menção da figura da cruz na charge do jornal: Senna teria de guiar uma verdadeira carroça.
Mesmo assim, o braço de Senna fez toda a diferença. Nas primeiras 6 corridas, ele venceu três e tirou duas em segundo. Por quase três meses, liderou um campeonato que, desde o início, tinha as cartas marcadas para uma vitória folgada de Alain Prost e da Williams. Senna surpreendia a tudo e a todos.
Sua vitória no Grande Prêmio da Europa, em Donington Park, é até hoje lembrada como a mais fantástica de sua carreira, e muito provavelmente a exibição mais extraordinária de um piloto na Fórmula 1. A primeira volta, em que sai do 5º para o primeiro lugar, superando carros demasiadamente superiores ao seu - com a exceção da Sauber de Wendlinger - ocupa lugar especial no coração de fãs, críticos, e pilotos de todas as épocas.


Porém, Ayrton teve duas outras exibições tão galantes quanto à de Donington mas que, talvez porque não tivesse vencido, são pouco lembradas.
A primeira dessas corridas notórias de Senna foi o Grande Prêmio do Canadá, quando conseguiu apenas a 8ª colocação no grid. Porém, logo na largada tratou de pôr as coisas em ordem: naquela primeira volta, passou três pilotos; na segunda, mais dois, e voltas mais tarde superaria também Damon Hill. O show valeu: a ultrapassagem sobre Jean Alesi foi descrita por Murray Walker como sendo “sem dúvida, a melhor manobra do ano”.


Já na metade da corrida, com um ótimo segundo lugar, seu excelente carro quebrou.
Mas talvez a cena mais emblemática daquela temporada foi o GP da Inglaterra. Ali o talento de Senna esteve, como se diz, "solar". Ayrton largou em 4º, e passou Schumacher e Prost. Passadas algumas curvas, a diferença de carro começou a aparecer, e o francês foi o primeiro a pressionar Senna. Ayrton o segurou o quanto pôde. Essa briga durou seis voltas. Somente ao final da sétima é que Prost ultrapassou Senna. Depois, foi a vez de Schumacher tentar passar Senna de todas as maneiras. Acabou conseguindo duas voltas mais tarde, curiosamente (ou não) no mesmo lugar em que o Williams superara o McLaren, um ponto de grande aceleração – onde é imprescindível motor mais forte...
Reparem em aproximadamente 1min45 de vídeo, final da primeira volta, Senna entrando de lado na curva, e tendo de segurar o carro, o mesmo acontece ao final da segunda (2min52).


Ayrton estava em terceiro lugar quando, na última volta, sofreu uma pane seca no maravilhoso carro.
No apagar da vela de 1993, Senna marcou uma pole – assim como em 1992, o único piloto fora da Williams –, e venceu 5 GPs. Terminou o campeonato como vice-campeão do mundo, com 73 pontos, 4 a frente da Williams de Damon Hill. Apenas para constar: o companheiro de equipe de Senna, Michael Andretti, que veio para a F1 como campeão da Fórmula Indy em 92, marcou 7 – sete! – pontos.
A melhor definição sobre como foi aquela temporada e o desempenho de Senna foi dada por Jo Ramirez: “Quando tivemos o motor Ford, creio ter sido o melhor ano da carreira dele, mesmo não tendo sido campeão, pois ele realmente mostrou ao mundo o que podia fazer, vencendo carros muito mais potentes e competitivos que o nosso”. Quem ainda não sabia do que Senna era capaz, ficou sabendo naquele ano.
Ao final do ano, Senna testaria os motores Lamborghini (ver foto ao lado), mas a McLaren ficou com os Peugeot. Com o Ford é que não dava p'ra ficar. Ainda mais porque Senna estava de mudança para a Williams...
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Um ótimo 2009 a todos.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Do baú... - Parte 2

*Adelaide/90. Scaneado da revista Grid, em edição de 1994, post-mortem de Senna.

Essa pérola foi tirada antes do Grande Prêmio da Austrália de 1990, etapa que encerrava a temporada daquele ano, corrida que Piquet venceu e que sagrou o segundo título de Senna. Creio que essa seja a maior reunião de títulos mundiais já feita numa foto. São nada menos que 19 campeonatos de Fórmula 1.

Em pé: James Hunt (1976), Jackie Stewart (1969-71-73) e Denny Hulme (1967). Sentados: Nelson Piquet (1981-83-87), Juan Manuel Fangio (1951-54-55-56-57), Ayrton Senna (1988-90-91) e Jack Brabham (1959-60-66).

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

As 99 vitórias brasileiras na Fórmula 1...

Um fato que passou despercebido, ao final da temporada de 2008, foi que em Interlagos Felipe Massa obteve a vitória de número 99 para o Brasil: Ayrton Senna ganhou 41, Nelson Piquet, 23, Emerson Fittipaldi, 14, Felipe Massa, 11, Rubens Barrichello, 9 e José Carlos Pace, 1.
Logo, é motivo de comemoração, dada a iminência da centésima vitória em 2009 - muito provavelmente com o próprio Felipe.
Apenas dois países, Alemanha e Inglaterra, chegaram a essa marca: os alemães, impulsionados por Michael Schumacher, possuem 104 vitórias: 91 de Michael, 6 de Ralf Schumacher, 3 de Heinz-Harald Frentzen, 2 de Wolfgang Von Trips, 1 de Sebastian Vettel e outra de Jochen Mass.
Por outro lado, os ingleses são os grandes recordistas, com 130 triunfos, sendo Mansell o maior vencedor, com 31; Em seguida, aparecem Damon Hill, 22, Stirling Moss, 16, Graham Hill, 14, James Hunt, 10, Lewis Hamilton, 9, John Surtees e Tony Brooks, ambos com 6, John Watson, com 5, Peter Colins, Johnny Herbert e Mike Hawthorn, três cada e, por fim, Jenson Button e Innes Ireland, com uma cada.
(em algumas fontes inglesas, é normal ver menção/comemoração a 199 vitórias, dada a inclusão das 25 de Jim Clark, das 27 de Jackie Stewart, e mais as 13 de David Coulthard, pilotos escoceses, além das 4 do norte-irlandês Eddie Irvine - que, nesses casos, são provinientemente chamados de "britânicos" -, mas na Copa do Mundo, a Escócia é uma seleção à parte.)
Assim, sabendo da importância dessa marca, o site Última Volta deu início ao especial "As 99 vitórias do Brasil na Fórmula 1", no qual serão publicados, diariamente, relatos e/ou depoimentos sobre cada uma das 99 vitórias.
A primeira delas, em Watkins Glen, GP dos EUA-70, teve uma entrevista exclusiva com o grande precursor do Brasil na F-1, Emerson Fittipaldi. Marcel Pilatti, um dos autores desse blog, relatou a 3ª vitória de Emerson, no GP da Bélgica, em 1972.
Hoje, podemos conferir mais uma corrida narrada pelo excepcional Márcio Madeira da Cunha, Áustria/1972, e nessa terça-feira, teremos o depoimento do "Barão" Wilson Fittipaldi, pai de Emerson e Wilson Jr., e narrador da grande corrida de Monza/1972, que garantiu o primeiro título do Brasil na F-1.
Não deixem de conferir.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Sobre Publicações Alheias - Parte 2

Na última sexta-feira, um dos moderadores deste blog foi citado na "Coluna Warm Up", do jornalista Flavio Gomes. A referida matéria foi reproduzida nos jornais "Lance!" e "O Estado do Paraná", além dos sites da ESPN Brasil e no famoso Grande Prêmio.
O tema foi um assunto que abordamos e discutimos muito no nosso F1 Critics: o polêmico sistema das medalhas de Bernie Ecclestone, digo, "Zé das Medalhas".
O que acharam da matéria?

"Ouro, ouro, ouro..."

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Do baú...

Essas duas fotos foram importadas do blog do Pandini. Espero que ele não fique chateado, mas são duas imagens sensacionais que encontrei lá, e merecem ser divididas com os leitores (who?) do F1 Critics:

1) Silverstone, 1983

crédito: acervo particular Darcio dos Santos
Essa foto merecia ser postada pelo simples fato de reunir Nelson Piquet e Ayrton Senna: Piquet é o segundo, e Senna o quarto, ambos em pé, olhando-se da esquerda para a direita. Quando ela foi tirada, Ayrton estava caminhando a passos largos para ser campeão de Fórmula 3 (e se tornar o maior vencedor das "categorias de acesso à F-1" de sempre) com vários recordes, enquanto que Nelson Piquet rumava ao seu fantástico bicampeonato na Fórmula 1, lutando contra carros melhores que o seu Brabham - a equipe de Nelson foi apenas a terceira colocada no mundial de construtores.
Mas além dos dois, trata-se de uma foto histórica pois reúne mais alguns personagens importantes do nosso automobilismo: o mais conhecido Raul Boesel, último em pé, à direita, que nesse ano disputava sua segunda temporada na F-1. Além dele, temos ali: Oswaldo dos Santos (ao lado de Senna), que foi vice da F-VW brasileira e disputou F-Ford inglesa, Maurizio Sala (o primeiro, agachado), que foi grande rival de Senna em algumas categorias de base, e campeão de F-Ford, o próprio Darcio Santos (entre Senna e Piquet), corredor de Kart e vencedor de várias outras categorias por aqui, e José Carlos Romano (o segundo agachado), que corria na F-2 do Brasil. Ah, e o Paulinho, primeiro à esquerda, amigo dos pilotos, apenas.
Momento raro, e histórico.

2) Mille Miglia, 1950

crédito: Alberto Sorlini, no livro "Tazio Vivo"

Foto tirada antes das Mil Milhas, de 1950, reúne, a exemplo da primeira foto, dois dos maiores pilotos da história do automobilismo: Juan Manuel Fangio e Tazio Nuvolari. Mas, diferentemente de Senna e Piquet, Fangio e Nuvolari não eram contemporâneos muito menos conterrâneos´, tampouco a época em que corriam tinha apêlo midiático - claro que a primeira foto, em si, não é "de mídia", mas me refiro às possibilidades de realizações dos encontros.
Nuvolari representa, para muitos, talvez o piloto mais sensacional da história: correu quando não havia um campeonato mundial organizado, mas sim Grandes Prêmios que aconteciam com uma certa regularidade. Nuvolari, menos pelas vitórias e mais pelas façanhas, é considerado um verdadeiro gênio das pistas. Tinha 58 anos nessa foto, e foi sua última corrida - com seu companheiro, foi quinto colocado no geral.
Fangio, na opinião de muitos foi o melhor, também. Suas incríveis conquistas na Fórmula 1 o colocam nesse patamar: além de ser o segundo piloto com o maior número de títulos, tendo sido recordista por quase cinqüenta anos, possui o melhor aproveitamento em TODOS os quesitos: pontos, pódios, vitórias, poles, melhores voltas, títulos, enfim... Nessa corrida, ele foi o terceiro classificado, junto ao seu parceiro de prova.
Como disse o Panda, "este homem [Alberto Sorlini] já mereceria uma estátua pelo simples fato de ter feito a foto acima".

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Desafio das Estrelas (ou Desfazendo Mitos - Parte 4)

Rubens Barrichello foi o grande vencedor da corrida de kart promovida por Felipe Massa, em Florianópolis. Trata-se de um evento que está tornando-se cada vez mais importante no calendário automobilístico (brasileiro), uma vez que alguns dos principais pilotos da Fórmula 1 e de outras categorias comparecem.
Barrichello é notoriamente conhecido como um dos melhores kartistas da história, e permanece como um dos melhores do mundo até hoje. E isso pode/deve ser dito não apenas por essa vitória, mas por tudo que o piloto já realizou nessa categoria.
Porém, essa vitória não acresce nenhum significado à carreira da Barrichello no sentido de "provar" alguma coisa: não é por essa vitória que Barrichello mostrou que "merece a vaga na Honda", como ele mesmo falou ao final da primeira bateria, nem tampouco "deixa claro que só perdia pro Schumacher na Ferrari pelo contrato", como querem alguns.
Por outro lado, também foram extremistas os que, ano passado, usaram a vitória de Schumacher no mesmo desafio (e é importante lembrar que Rubens havia sido 3º, no geral; esse ano, Michael foi 8º) como "mais uma conclusão de que Schumy está acima dos demais". Foram diversas as celebrações, em 2007. "Schumacher regulou o carro melhor"; "Mesmo sem estar na F-1, ele ainda é o melhor"; "Os equipamentos são iguais, aí sobressai o braço", e por aí vai.
Mas o engraçado é que com a vitória de Barrichello e o desempenho no máximo bom de Schumacher, a corrida de Florianópolis perdeu o sentido, deixou de ser conclusiva: "Barrichello só ganha quando não vale nada"; "Schumacher veio passear"; "Schumacher só estava se divertindo", "deixou ele vencer" ou ainda "Barrichello foi sujo" e "O Kart do Schumacher era pior".
E é bom lembrar que Barrichello não apenas somou mais pontos nas duas corridas, como foi mais rápido que Schumacher nos dois treinos livres e na classificação, além de ter anotado a melhor volta da segunda bateria.
É o famoso ditado "dois pesos, duas medidas" [nesse caso, um peso]: sempre que um outro piloto - de preferência o fraco Rubens Barrichello - realiza algo superior a Schumacher, deve haver alguma razão, porque isso "jamais aconteceria".
Fato semelhante ocorreu no final do ano passado, também, quando Schumacher, após um ano de aposentadoria, realizou testes com a Ferrari, em Barcelona: o alemão terminou o dia na primeira colocação. Foi motivo de destaque em blogs e até mesmo na Rede Globo: "mesmo parado, Schumacher ainda é o mais rápido", ou ainda "se tivesse disputado o mundial desse ano, ganhava com certeza".
Espera aí: o Schumacher, com sua Ferrari, vai fazer testes aos quais não comparecem Fernando Alonso, Lewis Hamilton, e nem os pilotos oficiais do time [Massa e Raikkonen], termina em primeiro, e isso é prova de que ele teria sido campeão mundial? Não entendi.
E foi levantado também que dois pilotos haviam realizado o mesmo "feito" de Schumacher, muito antes, porém, ninguém os tratou como "campeões para sempre", aqueles que "basta entrar no carro, com a idade que for, que vence qualquer um".
- Mario Andretti deixara as pistas no final de 1981, GP dos EUA (última do ano). Em 1982 foi convidado para disputar o GP da Itália (penúltima corrida do ano) pela Ferrari. Cravou a pole.
- Alain Prost se retirou das corridas ao final da temporada de 1991, após o penúltimo GP. teve em 1992 um "ano sabático". Voltou em 1993. Cravou a pole no GP da África do Sul, abertura da temporada.
E, da mesma forma que Mario Andretti, campeão mundial de 1978, e Alain Prost, tetra-campeão mundial (1985/86/89/93), foram esnobados nesse caso, o mesmo acontece com Barrichello, agora.
Por quê?

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Que passão!

No ar desde hoje no GP TOTAL o maravilhoso texto "Biografia de uma ultrapassagem", do pessoal do Última Volta (já citados aqui), meu amigo Marcio Madeira, e seu excelente parceiro Lucas Giavoni, que fez uma definição perfeita para essa história.
Pra mim, a ultrapassagem de Mika sobre Schumacher na Bélgica, em 2000, é a melhor que eu vi "ao vivo". Mas acho que a do Piquet no Senna (Hungria, 86) foi melhor...
Dêem uma passadinha lá que vale à pena. Ah, depois digam o que acharam.


quarta-feira, 26 de novembro de 2008

E ele insiste...

Do Grande Prêmio, hoje:

Novamente, Bernie defende sistema 'olímpico'
Warm Up
26/11/2008 - 09:10

O atual sistema de pontuação da F-1 é o novo alvo a ser batido por Bernie Ecclestone. Nesta quarta-feira (26), aproveitando o evento em que a F-1 anunciou um acordo tecnológico com a LG para os próximos anos, o presidente da FOM mais uma vez disse ser favorável à um sistema "olímpico" de premiação na categoria, em que as vitórias valerão mais do que as colocações gerais.
O veterano dirigente praticamente repetiu o que já dissera quando falou sobre o assunto com o jornal "The Times" no último dia 18. "Isso vai acontecer. Todos os times gostaram da solução. E a razão pela qual pensei nisso foi que eu cansei de ouvir as pessoas dizerem que não há mais ultrapassagens", afirmou.
Segundo Ecclestone, a falta de combatividade não é relacionada com os autódromos. "O problema é que os pilotos não precisam ultrapassar. Quem chega em segundo fica apenas dois pontos atrás do vencedor. Se fosse dada uma medalha de ouro a quem vencesse, isso favoreceria as ultrapassagens."
O inglês também destacou que pretende ver o novo sistema em funcionamento já em 2009. "Espero que seja aprovado pelo próximo encontro da FIA", explicou.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Novas Mudanças...

Esse post, se soubessemos das notícias antes (isto é, se elas fossem anunciadas antes), poderia muito bem ter sido incluso na nossa série "Desfazendo Mitos", mais especificamente na Parte 1 que é a que fala sobre as modificações que aconteceram nos regulamentos ao lonho da história da F-1.
O objetivo, então, era mostrar que a memória nos trai pois ela costuma somente se apegar ao que é recente, esquecendo-se da história, muitas vezes (a política é o melhor exemplo disso). Na Fórmula 1 não foi diferente: desde 2003, ouviu-se muito a estória de que as mudanças foram para impedir que Schumacher fosse campeão novamente, ou ainda "para dar mais graça ao campeonato". Além disso, dizia-se que foi "pela primeira vez..."
Naquele post, apontamos as 3 vezes (na verdade, 4, considerando que em 1960 foi abolido o potno da volta mais rápida e o sexto colocado passou a pontuar, mas só em 61 foi acrescido um ponto ao vencedor) ao longo de mais de meio século em que houve alguma alteração significativa na pontuação ou no sistema de treinos, além de alguma mudança que interferisse diretamente nos carros - potência dos motores, especificações eletrônicas, abastecimento, trocas de pneus, etc.
Portanto, vamos relembrar essas mudanças:
Pontuação
1960 - De 1950 até 1959, pontuava-se do 1º ao 5º colocado (8, 6, 4, 3, 2), sendo acrescida a pontuação da volta mais rápida; Nesse ano, foi abolido o ponto da melhor volta, e o sexto colocado passou a pontuar.
1961 - Aqui entrou o vigor o sistema de pontos mais longínquo da história da F-1: 9, 6, 4, 3, 2, 1 pontos, do primeiro ao sexto colocados.
1991 - Após 30 temporadas seguidas com o sistema implantado em 1961, e 41 com descartes - desde o início, em 1950, eram realizados descartes dos piores resultados, seguindo a fórmula "n/2 + 3", em que N é o número de corridas no ano - foi acrescido um ponto ao vencedor (10, 6, 4, 3, 2, 1) e aboliu-se os descartes.
2003 - Este é o sistema atual: cada piloto, do 2º ao 6º, passou a receber dois pontos a mais, e a zona de pontuação iria até o oitavo colocado: 10, 8, 6, 5, 4, 3, 2, 1, respectivamente.
Treinos
1991 - havia a pré-classificação, onde os 34 inscritos para o GP disputavam 26 vagas - os 8 piores resultados eram eliminados; além disso, era feito um somatório dos tempos da sexta e do sábado. Em 1991, foi implantado que a classificação ocorreria somente aos sábados, cabendo a cada piloto o limite de 4 voltas rápidas para definição da primeira posição.
2003 - foi modificado o sistema vigente desde 1991, ocorrendo que cada piloto teria direito a apenas uma volta lançada, e a ordem das tentativas de cada um seria decidida de acordo com a posição ao final da corrida anterior, invertida: o último faria a primeira volta, o penúltimo seria o segundo, etc. Esse sistema valeu até o fim de 2005 (com variantes).
(até aqui, como vimos, foram duas mudanças de pontuação na época do domínio de Jack Brabham; uma mudança de treino e outro de pontuação no período do auge de Senna; e uma de treino e outra de pontuação, na era dominada por Schumacher).
Mas o que nos leva a publicar uma matéria com esse conteúdo não é mais desfazer esse mito (ele ainda existe?), e sim questionar/comentar/debater a nova mudança de regulamento que está sendo prevista para o ano que vem.
Fórmula Olímpica
Bernie megalomaníaco Ecclestone, insatisfeito com a falta de busca por vitórias, quer agora uma nova mudança na pontuação: aliás, ele quer extingui-la. Ao invés do sistema em vigor desde 2003, Ecclestone quer agora que os três primeiros colocados recebam medalhas, de ouro, prata e bronze.
Bernie, porém, não quer o "modo CNN" de classificação (na última Olímpiada, a emissora de TV Americana insitia em colocar os EUA em primeiro, baseando-se no número total de medalhas, em detrimento da maior quantidade de ouros consquistadas pela China, que citada como líder no resto do mundo).
Para ele, o campeão seria conhecido pelo maior número de vitórias (medalhas de ouro); havendo empate, valeria pelas de prata; persistindo, valendo o bronze. Em outras palavras: não haverá mais o famigerado "correr pelo campeonato". Palavras de Bernie: "dessa maneia, não veremos mais coisas como o GP do Brasil, onde Hamilton almejava um quinto lugar, e lutou somente por isso".
Fórmula Stock
A outra mudança prevista (sempre seguindo o pacote implementado em 1991 "alterar os pontos e treinos") se dá na classificação.
A proposta, porém, não vem de Tio Bernie, mas da associação de equipes (FOTA). Segundo nota do http://www.grandepremio.com.br/, "os carros entrariam na pista ao mesmo tempo e com a mesma quantidade de combustível, sendo que os mais lentos seriam eliminados depois de cada volta.
Após 14 giros, os seis pilotos mais rápidos lutariam pela pole-position, com pneus novos, mas usando a mesma quantidade de gasolina. Além disso, o pole ganharia um ponto no campeonato, além de uma premiação em dinheiro".
Basicamente, os carros ficariam enfileirados correndo como se estivessem em ritmo de corrida. Considerando que todos deverão entrar na pista com a mesma quantidade de gasolina, me parece absolutamente claro que a chance de termos Ferraris e Mclarens nas primeiras filas é maior do que no sistema atual. A surpresa poderá pintar com os dois carros "estranhos" que se classificarem entre os seis. Por outro lado, os líderes parariam sempre mais cedo.
Vale à pena?
Considero que, tanto uma quanto a outra mudança propostas podem até ter lá seu lado comercial (e é só nisso que Bernie pensa), mas não representarão nenhuma melhora esportiva. Muito pelo contrário.
Sobre a questão de premiar os três primeiros com medalhas, é algo, a meu ver, injusto: olhando-se friamente, basta dizer que Nelson Piquet jamais teria sido campeão mundial, e Nigel Mansell seria tri!
Nos treinos, como foi dito, seria apenas um showzinho de TV, pois prejudicaria performances reais, uma vez que o ideal da pole sempre foi pista livre para se obter o tempo mais rápido. E o ponto que querem dar ao pole, como fazer, se só tem medalha?
E vocês, o que acham?

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Frases do Ano - Parte 2

Quero ficar(Rubens Barrichello, minguando uma vaga na F-1 de 2009, antes do GP da China)
Corri como um bundão(Felipe Massa, descrevendo sua pilotagem em Spa-Francorchamps)
Kimi não tem bolas(Lewis Hamilton, falando sobre a pilotagem de Kimi Räikkonen, em Spa-Francorchamps)
"Só a vitória me interessava" (Kimi Räikkonen, argumentando em prol de sua pilotagem em Spa-Francorchamps)
Em 2006, eu tinha os mesmos 84 pontos... na 9ª corrida(Fernando Alonso, referindo-se à pontuação de Lewis Hamilton após o GP do Japão, 16ª etapa)
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A FRASE DO SÉCULO:

“Vou me aposentar” (David Coulthard, abençoando a todos os que acompanham Fórmula 1, antes do GP da Inglaterra)


terça-feira, 18 de novembro de 2008

"O Melhor estreante de todos os tempos"

Muito tem se falado que Lewis Hamilton foi o melhor estreante da história da Fórmula 1. Vice-campeão no ano de estréia, e campeão no ano seguinte, o inglês acumulou o status de piloto pronto, e seus números são incessantemente citados como prova de que ele é mesmo "de ponta", e alguns até ousam dizer que ele é gênio.
O que muitos não sabem, porém, é que Hamilton não é o piloto que alcançou os maiores números em duas temporadas... Não, também não foi Schumacher, ou Senna, nem Alonso, nem nenhum dos outros grandes pilotos da história (como citamos no post anterior, esses "cobras" começaram por baixo).
O melhor estreante de todos os tempos chama-se Jacques Villeneuve. Sim, o filho do Gilles, que amargou o limbo na Sauber e na Renault, virou cantor, foi correr nos EUA, etc. Ele mesmo.
Há mais de um ano, quando Hamilton começava seu sucesso já tendo conquistado nove pódios em suas nove primeiras corridas, o GP Total pôs no ar o artigo que comparava as carreiras de Fernando Alonso e Nelson Piquet em suas oposições com pilotos ingleses em equipes também da Inglaterra (Lewis e Mansell, respectivamente).
Naquele artigo, foi apontado que Lewis Hamilton, a exemplo de Villeneuve-filho, não poderia ser tido como gênio antes de construir uma carreira sólida - e, entendemos assim, um título ou a falta dele (vide o grandioso Stirling Moss) não é o que determina a qualidade ou não de uma carreira no automobilismo.
Do mesmo modo, não é porque Hamilton conquistou o campeonato mundial de 2008 (e de maneira não muito gloriosa, diga-se) que, pronto, ele já pode ascender à categoria dos grandes, e fim de papo: pilotos, alguns também ingleses, como Mike Hawthorn, Damon Hill, James Hunt, Denny Hulme, Jody Scheckter ou Alan Jones têm seus nomes inscritos na galeria dos campeões, mas nem por isso são mais importantes que Gilles Villeneuve, Ronnie Peterson ou o já citado Moss.
Mas a questão não é pura e simplesmente afirmar que Hamilton não é um gênio, e sim demonstrar, por fatos, que ele, até agora, fez o mesmo que Jacques Villeneuve fizera em seus dois primeiros anos - aliás, fez até menos. Vejamos.
Jacques Villeneuve estreou na Fórmula 1 em 1996, pela Williams. Logo na sua primeira corrida, o canadense foi pole-position, e liderou a maior parte do GP, até que teve problemas no carro (óleo) e terminou na segunda colocação. Para efeito de comparação, Hamilton marcou o quarto tempo em sua primeira corrida, e foi terceiro colocado. Villeneuve venceria sua primeira corrida logo no quarto GP; Hamilton, demoraria duas corridas a mais: seria o primeiro no Canadá, sexta etapa da temporada 2007.
Ao longo de seu primeiro ano, Hamilton somou mais poles que Villeneuve: o inglês marcou 5, ante 3 do canadense; Em número de voltas mais rápidas em corrida, Jacques obteve mais: marcou o recorde de pista seis vezes, contra duas de Lewis. Já em pódios, Hamilton teve um a mais: 12 a 11 (coincidência ou não, a temporada de 2007 teve uma corrida a mais que a de 1996 - 17 a 16).
Por fim, no quesito vitórias, empate: cada um ganhou 4 corridas. E ambos terminaram como vice-campeões mundiais em seus dois primeiros anos, mas Villeneuve foi totalmente desprezado pela mídia quando se falava que Hamilton foi o "melhor estreante de todos os tempos"...
Acontece que a segunda temporada de cada um foi bem diferente.
Jacques Villeneuve foi campeão mundial, bem como Hamilton. Porém, Jacques venceu 7 corridas das 17 que fizeram parte da temporada, enquanto que Lewis venceu 5 de um total de 18 etapas. Desse modo, Villeneuve tinha, ao final de dois anos, 11 vitórias em 33 GPs (média de 33,3%), ante 9 vitórias em 35 corridas de Hamilton (25,7%). Jacques Villeneuve anotou 10 pole-positions naquele ano, Hamilton, agora, obteve 7, chegando a um total de 12 - uma a menos que Villeneuve, com duas corridas a mais.
Com essa breve amostra, fica apenas uma pergunta no ar: Villeneuve é um gênio/fenômeno também, ou Lewis não é tudo isso que dizem?
Hamilton, não tendo nem superado Villeneuve, já disse ser tão bom quanto Senna e que acredita poder superar os recordes do Schumacher. Alguma coisa está errada!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Frases do Ano

1- "Sou pequininho diante deles" (Felipe Massa, sobre Fittipaldi-Piquet-Senna, após se tornar líder do mundial) - muito bem, Felipe!

2- "Prefiro chegar em 8º com mil pessoas torcendo pra eu ser o sétimo, do que chegar em primeiro com mil pessoas querendo que eu seja o segundo" (Fernando Alonso, sobre a diferença de equipamento, e ambiente, entre McLaren e Renault) - Alonso venceu duas corridas.

3- "Acho que não consigo mais" (Adrian Sutil, após abandonar o GP de Mônaco na 4ª posição depois de uma batida de Räikkonen) - Sutil jamais se aproximou dos pontos.

4- "Farei 15 pódios seguidos" (Lewis Hamilton, após chegar em 13º lugar no Bahrein, faltando 15 etapas na temporada) - Hamilton não subiu ao pódio em 40 % das corridas seguintes.

5- "Sou tão bom quanto Ayrton Senna" (Lewis Hamilton, definindo seu talento, antes do GP do Japão) - ...



segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Top 10 2008

Antes que alguém nos crucifique, chamando de parciais ou coisa do tipo, afirmo que o texto que se segue não é de autoria desse blog. É escrito por Marcio Madeira da Cunha, um grande jornalista, formado em comunicação social e em engenharia mecânica, dono do belo site Última Volta. Ele fez aquilo que chamou de "escolha" dos dez melhores pilotos ao longo de 2008.

O quê os amigos acharam da lista? Façam também as suas...
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Os dez melhores de 2008
por Lucas Giavoni / Márcio Madeira da Cunha


Algumas pessoas enxergam nas listas um estopim para discórdias e que injustiças são cometidas nelas. Há, porém o outro lado, no qual se deve acreditar, de que as listas, ainda que de um modo subjetivo e muito pessoal, tentam, através de argumentos consistentes, mostrar muito além da frieza de uma reles tabela de classificação. Afinal, os resultados, por muitas vezes, não reproduzem fielmente o que se passou em uma temporada.

As listas, por mais que não mudem absolutamente nada o que já se passou, ajudam a clarificar os desempenhos excelentes e tentam justamente fazer jus aos que se esforçaram mais e devidamente mereceram mais reverências por seus feitos durante a temporada, independente de suas posições ao fim do campeonato.

Eis, portanto, a lista dos dez melhores de 2008 do ULTIMAVOLTA.com:

1 – Fernando Alonso (Renault)

Não foram apenas as duas convincentes vitórias, em Cingapura e no Japão, e a consistência de seus resultados durante a segunda metade do ano que levaram o bicampeão Alonso ao topo desta lista. Fernando, na verdade, talvez nem tenha feito sua melhor temporada na F1 em 2008, pois como ele mesmo reconheceu, a ânsia por resultados imediatos o levou a “superpilotar” o carro nas primeiras provas do ano. Porém, basta comparar o desempenho do sofrível R28 do início da temporada com o carro vencedor que rivalizou com Mclaren e Ferrari nas últimas provas, para entender por que Alonso ainda está numa classe à parte na Formula 1.

O que dizer de um piloto que vai para uma equipe em franca decadência e consegue ser o maior pontuador das últimas oito provas? E que ainda massacra o jovem e promissor companheiro de equipe, Nelsinho Piquet, com 18 X 0 nas qualificações? Sim, Alonso ainda é o piloto mais completo da Formula 1: naturalmente rápido, técnico, consistente e portador de uma sensibilidade sem igual para trabalhar com os engenheiros no acerto e em melhorias para o carro, sendo peça fundamental no crescimento da Renault ao fim do ano. Só Ron Dennis, em sua habitual arrogância, para não dar o braço a torcer. É bom lembrar que na tabela, Alonso ficou na frente de seu substituto na McLaren, o decepcionante Heikki Kovalainen, que teve nas mãos um carro vencedor por todo o ano.

2 – Sebastian Vettel (Toro Rosso-Ferrari)

O novato mais impressionante desde Jean Alesi. A diferença em relação ao francês, porém, é que Vettel tem estirpe de campeão. Venceu em sua primeira temporada completa, logo em Monza, sob condições inacreditáveis, e comemorou como se fosse tudo muito natural. Talvez fosse mesmo, dado seu inacreditável talento. Foi sem dúvida uma exibição de gala, irretocável. Ninguém, em sã consciência, diria que ao volante daquela mediana Toro Rosso, guiando como se campeão do mundo fosse, estaria um ‘moleque’ de apenas 21 anos.

Junte-se à performance incrível na Itália outras boas exibições na chuva em Mônaco, Bélgica e Brasil, além de outras excelentes corridas no seco, como em Cingapura, e então teremos a certeza de que Vettel tem um futuro brilhante, com uma convicção como há muito não se tinha.

3 – Robert Kubica (BMW Sauber)
A pilotagem de Kubica foi, em si, tão boa quanto a de Alonso ou Vettel, e foi coroada com uma merecida vitória no Canadá, que exorcizou sua terrível batida no ano anterior. Sempre muito consciente das limitações do carro, jamais forçou além dos limites, e poucas vezes guiou abaixo deles. Se olharmos a tabela de pontuação e levarmos em conta o equipamento que teve em mãos, então Kubica foi o mais impressionante dentre os pilotos que efetivamente disputou o título.

Com tantos predicados, o polonês não lidera esta tabela justamente pelo mesmo motivo que deu o topo a Fernando Alonso. Pois enquanto o espanhol foi capaz de motivar a equipe e orientar o desenvolvimento da Renault, Kubica viu-se ao volante de um carro cada vez mais lento e defasado. Mas, afinal, talvez seja demais esperar tanto poder de mobilização de alguém que tem pouco mais de duas temporadas na F1. Kubica está apenas começando, e vai muito bem.

4 – Felipe Massa (Ferrari)

Campeão moral é algo que não existe. O que existe, sim, é a maturidade de Massa. Sua hiper-motivação durante o ano, contrastando com a anemia crônica de Kimi Räikkönen, o fez líder da Ferrari e maior vencedor de provas durante o ano (Bahrein, Turquia, França, Europa, Bélgica e Brasil). Sempre combativo, Felipe fez também algumas das mais belas manobras de ultrapassagem do ano, no Canadá (sobre Barrichello e Kovalainen) e uma inesquecível largada na Hungria, se impondo à dupla da McLaren. Além disso, teria sido campeão conforme o antigo sistema de pontuação que valorizava mais as vitórias, e foi quem teve a melhor posição média de largada em todo o ano.

A evolução de Felipe foi notável durante a temporada – não apenas como piloto, mas também como homem. Depois de um início muito ruim e difícil, com duas provas sem pontuar, Massa cresceu com a pressão, e fez pelo menos uma dúzia de provas irrepreensíveis. Foi prejudicado por erros da equipe em Mônaco, no Canadá, e em Cingapura, além da dolorosa quebra na Hungria, naquela que foi sua melhor corrida na Formula 1 até agora. Apesar disso, jamais desistiu ou buscou culpados. Líder também fora da pista, Massa deu ao longo do ano várias lições de comportamento. Apoiou Nelsinho Piquet quando o novato mais precisava, se esquivou de comparações com Fittipaldi, Piquet e Senna, e comprovou o que ele mesmo disse no Brasil: é um cara que já sabe ganhar e sabe perder.

5 – Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes)

Muitos podem estranhar a presença do campeão mundial apenas em quinto nessa lista. Campeão mais jovem da história, 5 vitórias no ano e uma ‘estrela’ capaz de rivalizar com a de Schumacher, Lewis não lidera a lista por mais uma vez ter sido um piloto de extremos. Suas vitórias por vezes acachapantes, como a de Silverstone, ainda têm de conviver com erros bizonhos como nos boxes em Montreal, e atitudes inaceitáveis como o empurrão desleal e desnecessário que aplicou a Glock na chuva de Monza, ou a primeira volta que fez em Fuji, em que atrapalhou a largada de meio mundo de pilotos.

A diferença básica de Lewis em relação a Felipe Massa ficou por conta da origem dos pontos perdidos. Pois, enquanto o brasileiro foi muito prejudicado por erros da equipe, Hamilton os jogou fora por conta própria. Errou no momento decisivo do campeonato, permitindo que Vettel o superasse em Interlagos, e a partir de então teve que contar com muita sorte para chegar ao título, que veio de presente na última curva. Por outro lado, foi sempre muito rápido e mostrou que é capaz de liderar a McLaren sem Alonso. Um enorme talento, que foi campeão mesmo estando ainda longe da maturidade.

6 – Jarno Trulli (Toyota)

Osso duro de roer, o bom e velho Trulli foi um verdadeiro guerreiro ao longo de todo o ano. Com a experiência de quem tem duas centenas de GPs nas costas e uma vontade de principiante, o italiano conjuga uma das melhores combinações de rapidez e bravura de todo o grid. A terceira colocação na França foi a recompensa para uma temporada de muita luta, na qual ele pontuou em nada menos que dez corridas.

A Toyota sabe que pode contar com a arte refinada de Trulli em seu incansável projeto de ser uma equipe vencedora. Se esse estágio um dia for alcançado, o time nipônico terá no italiano uma peça fundamental.

7 – Rubens Barrichello (Honda)

Um ‘garoto’ aos 36 anos de idade, Barrichello viveu certamente seu melhor ano na Honda. Quebrou o importante recorde de participações em GPs, marcou 11 pontos contra apenas 3 de Jenson Button, completou 51 voltas a mais que o companheiro, liderou por sete voltas no Canadá e fez milagre na pista molhada de Silverstone, levando um carro impossível a um pódio inacreditável.

Porém, ainda mais importante que os resultados foi ver que Rubens realmente tentou. Em várias ocasiões, como no próprio GP Brasil, acabou se atrasando em virtude dos riscos assumidos, muitas vezes em apostas típicas de quem jamais se conformou. Além disso, mais uma vez, não cometeu erros. Continua a ser um dos melhores pilotos da Formula 1, mesmo que muitos não enxerguem isso.

8 – Timo Glock (Toyota)

Tendo corrido apenas quatro provas em 2004 pela saudosa Jordan (e marcando dois pontos), Glock foi praticamente um estreante neste ano. Sua pilotagem imprecisa no começo, que lhe rendeu acidentes e atrasos, logo deu lugar a uma tocada bastante rápida e consistente, levando rapidamente o alemão aos pontos e ajudando a Toyota a rivalizar com a Renault pelo posto de quarta força do campeonato.

O convincente segundo lugar conseguido na Hungria, prova em que segurou a forte Ferrari de Kimi Räikkönen e foi superior ao seu companheiro Trulli, além de suas boas exibições no Canadá em Cingapura, justificam seu lugar nesta lista.

9 – Nick Heidfeld (BMW Sauber)

Heidfeld é um dos pilotos mais subestimados do grid. OK, durante o ano ele não foi tão rápido quando seu companheiro Kubica, mas demonstrou suas qualidades ao ser o único a completar todas as provas. Dos 5482 quilômetros de toda a temporada, Heidfeld fez 5464 ou 99.68%, um número notável. Quando a BMW conseguiu rivalizar com Ferrari e McLaren pelo campeonato de Construtores, lá estava Heidfeld, marcando pontos importantes.

Também vale mencionar sua genial volta final no GP da Bélgica, quando resolveu, de última hora, colocar pneus intermediários e ultrapassou quatro carros para receber a bandeirada em terceiro lugar, que depois da punição a Hamilton, transformou-se em segundo lugar – e Heidfeld foi o piloto que mais conquistou essa posição durante o ano.

10 – Adrian Sutil (Force India-Ferrari)

Mesmo com a impraticável Force India, que lhe rendeu o posto de piloto com mais problemas de confiabilidade de equipamento, Sutil demonstrou suas qualidades em alguns treinos livres, como em sua primeira posição no primeiro treino em Monza. Foi, sempre que possível, mais rápido que seu experiente colega Giancarlo Fisichella, teórico líder da equipe.

A inclusão de seu nome nesta lista, porém, se justifica por ter ficado muito próximo de realizar um verdadeiro milagre em Mônaco, quando sustentava uma fantástica quarta colocação debaixo de chuva a poucas voltas do fim, até ser abalroado por um estabanado Kimi Räikkönen. Sutil saiu chorando do carro. Qualquer um choraria.

sábado, 8 de novembro de 2008

Se ele pega a Renault antes...

Depois das notas do GP Brasil, refizemos as contas desde o GP da Hungria - quando começamos a avaliar os pilotos -, oito últimas etapas, e temos o seguinte ranking:

1º) Alonso, média de 8,406;
2º) Massa, média de 7,901;
3º) Hamilton, média de 7,625;
4º) Vettel, média de 6,937;
5º) Raikkonen, média de 6,532;
6º) Kubica, média de 6,437.

E o mais curioso de tudo isso, é notar que a tabela real, a dos pontos, é muito semelhante às notas que nós atribuímos por aqui. Vejamos:

1º) Alonso, somando 48 pontos (5+0+5+5+10+10+5+8);
2º) Massa, somando 43 pontos (0+10+10+3+0+2+8+10);
3º) Hamilton, somando 40 pontos (4+8+6+2+6+0+10+4);
4º) Vettel, somando 29 pontos (0+3+4+10+4+3+0+5);
5º) Kubica, somando 27 pontos (1+6+3+6+0+8+3+0);
6º) Raikkonen, somando 24 pontos (6+0+0+0+0+6+6+6);

A única diferença da tabela verdadeira de pontos para a do F1 Critics foi na 5ª e 6ª posições, numa inversão Kubica-Kimi: Raikkonen somou três pontos a menos que Robert, sendo que dois deles foram no GP da China onde Kimi teve de ceder passagem à Massa, caindo de segundo para terceiro. Ademais, uma quebra em Valência (andava em sexto) explica essa diferença.
Muito mais do que tentar mostrar a coerência entre o campeonato e nossa avaliação, queremos que os amigos atentem para o fato de que Fernando Alonso foi o piloto de melhor desempenho nesse período, tanto em números quanto em performance.
Fernando havia somado, até o 10º GP, apenas 13 pontos. Nas últimas oito corridas, somou 48. para efeito de comparação, Massa somou até a etapa da Alemanha (décima) 54 pontos, e contabilizou 43 recentemente. Hamilton teve uma queda maior: até a Alemanha, havia somado 58, e nessas ultimas oito corridas teve quatro dezenas.
A BMW, que vinha sendo a grande sensação do ano, teve uma queda inexplicável e vexatória: Os 27 pontos ganhos por Kubica nessa reta final eram 48, até Hockenhein. E por outro lado, temos o grande talento do mais jovem vencedor de GP da história, Sebastian Vettel: Ele totalizou 35 pontos no certame, mas apenas 6 conquistara até a décima etapa.
Vettel e Alonso foram os responsáveis pelo crescimento de suas equipes, e impuseram o maior massacre numérico aos companheiros de equipe: A Toro Rosso, nos construtores, teve 39 pontos, sendo 35 do alemão! Isso representa 89,7% dos pontos! Alonso ganhou 61 pontos em 80 da Renault, o que traduz-se em 76,25%.
Porém, Sebastian Vettel já assinou contrato e ano que vem substituirá David Coulthard na Red Bull: a Red Bull somou 29 pontos ao longo do ano, sendo 21 deles na conta de Webber, e 8 para o aposentado Coulthard. Sebastian Vettel certamente faria mais negócio ficando na Toro Rosso. Mas deverá apresentar um bom rendimento, sem dúvida.
Já de Alonso, podemos aguardar, pelo menos, um outro postulante ao título de 2009. A Renault, como vimos, superou a BMW em performance, e já pode ser considerada a terceira melhor equipe da Fórmula 1. Olhando para os pontos mostrados, podemos, no mínimo, conferir que Alonso é extremamente regular. E como hoje em dia o regulamento privilegia a consistência...

GP do Brasil - Notas

Massa
Cassio - 10
Dominou o GP completamente, desde os treinos. Nem mesmo o tempo instável foi capaz de abalar seu ritmo.Apesar da perda do título, mostrou saber o caminho das pedras em Interlagos.
Marcel - 10
Pole, vitória, volta mais rápida, Felipe fez tudo o que tinha a seu alcance.
média = 10
Alonso
Cassio - 9
Largou em sexto, chegou em segundo, realizando uma belíssima ultrapassagem por fora em Kovalainen. Fechou com chave de ouro o ano em que mostrou ser o que muitos já sabiam: melhor piloto do grid.
Marcel - 9
Por ter partido do lado sujo, caiu para sétimo na largada, mas isso só fez abrilhantar ainda mais sua corrida, onde superou, sistematicamente, Ferrari e as McLaren, além do endiabrado Vettel. Só não tinha como superar Massa. Além de Kova, bateu Heidfeld na tabela.
média = 9
Raikkonen
Cassio - 6
Chegou a frente de Hamilton, o que lhe bastava para com o jogo de equipe.
Marcel - 6
Podia ter feito muito mais.
média = 6
Vettel
Cassio - 9
De coadjuvante quase virou protagonista na decisão do campeonato. Passou Hamilton no braço nas voltas finais, e na chuva. Grandes expectativas para a próxima temporada.
Marcel - 8
Optou por correr mais leve o tempo todo, e isso o ajudou muito. Mais uma ótima performance.
média = 8,5
Hamilton
Cassio - 5
Jogou o campeonato pela janela no final, mas por uma obra do destino recuperou tudo nos últimos 500 metros.
Marcel - 4
É como já dizia meu pai, "aperta que ele peida!"...
média = 4,5
Glock
Cassio - 6
Só apareceu quando perdeu a posição para Vettel e Hamilton. Mesmo assim, vem atuando com mais consistência.
Marcel - 6,5
Não teve nada de falcatrua, nem de falta de habilidade. Glock se arriscou, conseguiu um sexto lugar com a Toyota. Muito bem.
média = 6,25
Kovalainen
Cassio - 2
Nem para escudeiro o finlandês serviu neste fim de semana.
Marcel - 2
Fraco demais. 7º colocado no mundial, com um companheiro campeão!
média = 2
Trulli
Cassio - 4
Largou bem, mas rodou. Poderia ter conseguido um lugar melhor se tivesse se mantido na pista. De quebra ainda lançou Bourdais para fora. Candidato a substituto de Coulthard.
Marcel - 3
Uma graça no sábado, desgraça no domingo.
média = 3,5
Webber
Cassio - 5
Nada a destacar.
Marcel - 4
Nada a destacar.
média = 4,5
Heidfeld
Cassio - 3
Largou mal e nada mais fez para se recuperar.
Marcel - 3
Irreconhecível em Interlagos.
média = 3
Kubica
Cassio - 1
Pior corrida de sua carreira, com certeza. Ainda tomou uma volta de boa parte do grid.
Marcel - 2
Pelo menos não levou volta do Glock, se recuperando no final. Encerramento de temporada melancólico.
média = 1,5
Rosberg
Cassio - 4
Discreto.
Marcel - 3
Foi irrelevante.
média = 3,5
Button
Cassio - 3
O carro é tão ruim que pegou fogo após a prova!!!
Marcel - 4
Acabou terminando à frente de Rubens...
média = 3,5
Bourdais
Cassio - 5
Quando vinha bem foi jogado pra fora da pista por Trulli. Olha o novo Coulthard aí gente!!!
Marcel - 5
Um piloto muito esforçado, mas acabou o ano devendo...
média = 5
Barrichello
Cassio - 2
Andou muito pouco. Possivelmente, sua última corrida na F1.
Marcel - 1
Se foi mesmo a despedida, sai pela porta dos fundos...
média = 1,5
Sutil
Cassio - 2
Apenas largou pra chegar.
Marcel - 3
Depois que o Raikkonen bateu nele [Mônaco], se me parece que o alemão nunca mais terá outra chance.
média = 2,5
Nakajima
Cassio - 1
Se estranhou com Coulthard na primeira curva. DE NOVO!!! Pelo menos conseguiu completar desta vez.
Marcel - 1
Horroroso.
média = 1
Fisichella
Cassio - 6
Segurou Hamilton por umas boas voltas depois do primeiro pit stop. Realmente é um piloto de maior nível do que o carro.
Marcel - 5
Com carreira muito semelhante à dos contemporâneos Coulthard e Barrichello (números, companheiros de equipe, carros), e apesar de ter vencido menos, é o que está em vias de parar de maneira mais digna.
média = 5,5
Piquet
Cassio - 1
Rodou sozinho na primeira volta. FORA!!! DÊ LUGAR AO DI GRASSI!!!
Marcel - 0,5
Renovaram com o menino, mas foi por um ano, e tem uma cláusula relativa a seu desempenho em 2009... ou seja, nem pensar repetir essa temporada!
média = 0,75
Coulthard
Cassio - 0
"O Demolidor". Como de costume bateu na primeira volta. Mas o pior de tudo foi que não pudemos curtir a nova câmera instalada no seu capacete. Já vai tarde meu amigo.
Marcel - 10
Por ter se aposentado.
média = 5

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Leitura obrigatória

Amigos,

Leiam a coluna de hoje do Eduardo Corrêa, publicada no GP Total, intitulada "Os Deuses Galhofeiros". Absolutamente brilhante resumo do GP Brasil e do que foi a Temporada de 2008. A título de curiosidade, o leitor a quem ele se refere no final do texto é este que vos fala, Marcel Pilatti.

Leiam lá, comentem aqui.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

"Se fosse o Schumacher, isso não acontecia"

Acho muito interessante ouvir o que as pessoas que acompanham Fórmula 1 apenas ocasionalmente têm a dizer após uma corrida, e mais ainda se numa corrida que decide título e com um brasileiro disputando...
Hoje, na fila do ônibus, escutei dois rapazes comentando a derrota de Massa, mas não necessariamente lamentando a perda do título, mas sim enchavando Hamilton de críticas.
E uma delas, a que dá título a esse post, foi a seguinte: "O Hamilton se c... inteiro, ficou morrendo de medo quando o Vettel passou ele; e o Vettel só passou sabe por quê? Porque o Hamilton espalhou! O cara é fraco, não sabe segurar... Se fosse o Schumacher, isso não acontecia!"
Parecia estar transtornado, o rapaz, quando comentava isso. Mas não deixa de ter razão.
O exemplo citado por ele, de Michael Schumacher, faz sentido quando sabemos tudo que o alemão conquistou em sua carreira. Mas o comentário se ateve à situação exclusiva de Hamilton não ter segurado os ataques de Vettel: segundo o amigo, "o Schumacher segurava!".
Hamilton afirmou, em entrevistas, que seus pneus estavam "gastos demais", e que "quase não conseguia manter-se na pista". Afirma, também, que "não lutou contra Vettel porque sabia que sua corrida era contra Timo Glock". Whitmarsh, um dos chefes da McLaren, também afirma isso.
Sem querer alimentar as possíveis teorias conspiratórias, é de no mínimo questionar a tão propalada genialidade de Lewis Hamilton, que agora torna-se o campeão mais jovem de todos os tempos, como já havíamos "previsto" num artigo há coisa de dois meses.
Lewis Hamilton, o único dos 30 campeões da história da Fórmula 1 (talvez devamos descontar os pilotos da década de 50) a estrear no melhor carro do grid.
Onde Schumacher começou? Numa Jordan, indo depois para uma Benetton ainda em ascensão; E Senna? Numa Toleman, carro lá do meio do pelotão. Alonso? Na terrível Minardi; Piquet? num Ensign, depois um McLaren alugado. Prost? na McLaren em seus tempos de escassez. Mansell? numa Lotus decadente. Häkkinen? na Lotus antes de fechar as portas.
Percebe-se, portanto, que os pilotos de maior sucesso nos últimos 30 anos estrearam em equipes que não eram vencedoras e, cada um a seu modo, provaram seus talentos e conquistaram a chance de chegar onde Lewis já começou. E podemos falar dos adversários do piloto, também: Felipe Massa e Kimi Räikkonen iniciaram suas trajetórias na mediana Sauber.
Claro, tem aquele negócio do "se minha tia fosse homem seria meu tio", mas por certo Hamilton não teria chego a esses números começando numa equipe que não fosse a melhor do grid.
Concordam?

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

GP da China - Notas

Lewis Hamilton
Cassio - 10
Fez barba, cabelo e bigode com toda autoridade. Praticamente garantiu o título deste ano.
Marcel - 10
Dizer o quê? fez a sua única volta mais rápida no ano.
Felipe Massa
Cassio - 6
Atuação abaixo de sua média, não andou perto de Hamilton em nenhum momento na corrida. Pouco pra quem busca o título.
Marcel - 6
Depois da mangueira de CIngapura, me parece que Massa "perdeu a mão". Só o imponderável lhe fará campeão.
Kimi Raikkonen
Cassio - 6,5
Levemente melhor que Massa, ainda teve de deixar o companheiro de equipe passar.
Marcel - 7
Duas vezes seguidas na primeira fila, superando o companheiro de equipe, mas foi tarde demais. Muito longe de Hamilton, na corrida, ainda teve de deixar Massa passar.
Fernando Alonso
Cassio - 7
Boa corrida, andou grande parte da corrida no mesmo ritmo das Ferrari. Muito superior aos pilotos da BMW.
Marcel - 7,5
Bela ultrapassagem no Kovalainen, e um ótimo ritmo com um carro que mal chegava entre os 8, esses tempos.
Nick Heidfeld
Cassio - 6
Só apareceu na TV quando foi punido. Ainda assim, chegou em quinto.
Marcel - 6,5
Bateu Kubica, mais uma vez.
Robert Kubica
Cassio - 6
Não passou ao Q3!!! Mesmo assim, se salvou na corrida e fechou em sexto.
Marcel - 5
Uma pena, a BMW enfraqueceu demais, mas foi mal na corrida.
Timo Glock
Cassio - 6
Largando atrás e pesado, conseguiu chegar nos pontos. Amadureceu muito este ano.
Marcel - 6,5
Depois que bateu, melhorou demais...
Nelson Piquet
Cassio - 5
Não foi páreo para as BMW, que largaram atras de si.
Marcel - 4,5
Nelsinho, "o tanque", mais um ponto com a sua estratégia de parar mais tarde.
Sebastian Vettel
Cassio - 5
Chegou ao Q3, mas decepcionou na corrida.
Marcel - 4
O futuro campeão andou sumido, na Ásia.
David Coulthard
Cassio - 4
Nada fez na corrida. Nem acidentes. Só falta uma!!!
Marcel - 4
É a última!
Rubens Barrichello
Cassio - 7
Levar a Honda ao Q2 não é pra qualquer um. Ainda chegou em 11º.
Marcel - 6
Espero que consiga renovar...
Kazuki Nakajima
Cassio - 4
Nada de relevante fez no fim de semana.
Marcel - 3
Muito fraco.
Sebastién Bourdais
Cassio - 4
Apsesar de ter sido tocado, pouco faria caso não o fosse.
Marcel - 4,5
Sabe aquela nuvenzinha preta?
Mark Webber
Cassio - 4
Bem nos treinos, perdeu 10 posições pela troca de motor e deu adeus às chances na corrida.
Marcel - 4
Leão de treino.
Nico Rosberg
Cassio - 3
Mal!!!
Marcel - 4
Apagadíssimo.
Jenson Button
Cassio - 2
A Honda é ruim, mas Rubens foi 11º!!!
Marcel - 2
Apanhando do Rubinho, de novo. Como é que renovam?
Heikki Kovalainen
Cassio - 2
Fraquinho como de costume.
Marcel - 4
Ainda não sei: Ron Dennis se arrepende ou se contenta?
Adrian Sutil
Cassio - 2
Quebrou o câmbio no início.
Marcel - 2
Quase não correu.
Jarno Trulli
Cassio - 1
Se enroscou em Bourdais e abandonou.
Marcel - 1
Não correu.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Números...

Schumacher afirmou, essa semana, que crê na possibilidade de título de Felipe Massa. A McLaren também já deu declarações que está preocupada com o motor. Segundo Martin Whitmarsh, "é muito fácil não completar uma corrida".
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As combinações de resultados que podem levar Massa ao título, conforme falamos na postagem passada, dão conta de que Felipe tem apenas 6 situações favoráveis ante 67 pró-Hamilton. A Massa, embora o segundo lugar ainda guarde uma pequena chance de vitória no certame, só a 1ª colocação em Interlagos deve interessar. E, além disso, Hamilton pode terminar a prova em, no máximo, sexto lugar.
Lewis Hamilton estreou na Fórmula-1 no ano passado, e Massa já corria, tendo disputado seu primeiro campeonato em 2002. Portanto, desde a estréia de Lewis, na Austrália em 2007, foram 34 corridas disputadas com ambos na pista, e aí temos alguns números interessantes:
- das 34, Hamilton terminou 17 à frente de Massa, e Felipe conquistou melhores posições em outras 17; Logo, haverá um desempate em Interlagos.
- dessas 17 corridas em que Massa terminou à frente de Hamilton, 5 foram em situações semelhantes às que podem conferir o título ao brasileiro em Interlagos; Vejamos:
a) GP da Europa de 2007: a grande derrota de Felipe Massa, a grande vitória de Fernando Alonso, a grande ultrapassagem do ano. No entanto, em Nürburgring Massa foi o segundo colocado, e Hamilton terminou apenas na nona posição. Massa somou 8 pontos, Hamilton não marcou um sequer. Com um resultado assim, Massa seria campeão por diferença de um ponto;
b) GP da Turquia de 2007: o GP onde Massa é superior aos demais; Ano passado, aqui Felipe venceu, somando 10 pontos, enquanto Hamilton foi quinto, somando 4. Uma diferença de seis pontos daria o título a Hamilton por um ponto, no entanto, bastaria que houvesse apenas mais um à frente de Hamilton e Massa seria campeão pelo número de vitórias, com os pontos iguais;
c) GP do Brasil de 2007: Mais uma corrida onde Massa foi o melhor nos dois anos anteriores; A situação apresentada em 2007, repetida esse ano, não daria o título a Massa: a descrição seria a mesma da etapa turca, com Hamilton somando um ponto a mais. Porém, como houve jogo de equipe, devemos considerar Massa em 1º e, com Hamilton em sétimo, a diferença nos pontos seria de 8, conferindo o título mundial por um ponto.
d) GP do Bahrein de 2008: pista árabe é com ele mesmo, e esse ano Massa obteve sua segunda vitória seguida no circuito desértico; Hamilton fez talvez a pior corrida da sua carreira (junto com Fuji, esse ano), largando em terceiro, mas saindo atrasado e caindo para nono, acertando o carro de Alonso e indo para último, e encerrando numa horrorosa 13ª posição. Massa somou 10, Hamilton ficou no zero. Essa combinação faria de Massa campeão por 3 pontos.
e) GP da França de 2008: em termos de "merecimento", o oposto do GP do Brasil; aqui Räikkonen exerceu um domínio avassalador, e venceria naturalmente, até que teve um cano de escape estourado; Massa, que vinha em segundo, completou em primeiro. Hamilton, que vinha de uma punição devido à barbeiragem no Canadá, foi apenas 11º. Portanto, com a vitória, Massa teria vantagem igual à do Bahrein, e considerando a segunda posição, veríamos o mesmo quadro do GP da Europa de 2007: ambos confeririam o título a Felipe.
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Com essa breve exposição, mostramos que em 4 das 34 corridas com ambos na pista, aconteceu o que Massa precisa para vencer o campeonato de 2008. Em 17 Hamilton o superou, em 12 ele superou Hamilton por quantidade inferior à necessária, e em uma delas faltou apenas um ponto.
É pouco, estatisticamente: apenas 11,76%. Mas mostra que essa(s) combinação(es) é(são), sim, possível(is). Resta acreditar.
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Mais dados:
- Caso vença, Hamilton se tornará o campeão mais jovem da história, superando Alonso (2005) por 4 meses de vida;
- Se triunfar, Massa será o primeiro piloto em 58 anos a ser campeão no GP de casa, igualando Farina em 1950;
- Hamilton poria fim a um jejum de 12 anos da Inglaterra (Damon Hill/1996), e Massa findaria 17 anos de "seca" no Brasil (Ayrton Senna/1991).
- Vença Hamilton ou Massa, a Fórmula 1 terá um novo campeão: será o 30º em 59 edições de campeonato.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Considerações sobre o GP da China

Sobre a corrida em si, pouco ou nada a se declarar: sem sombra de dúvidas, a pior corrida do ano foi o GP da Europa, em Valência. Mas essa etapa chinesa não fica muito longe... corrida chatíssima. Tivemos emoção (e olhe lá) na primeira volta, como na ultrapassagem de Fernando Alonso sobre Heikki Kovalainen. Mas foi só...
///
Acabou?
Lewis Hamilton venceu a corrida e agora tem 7 pontos de vantagem para Felipe Massa.
São 73 as poessíveis combinações de resultados no GP (considerando as posições de ambos), dessas, apenas 6 favorecem Felipe Massa. Ei-las:
- Vitória de Felipe, com Hamilton chegando em 6º;
- Vitória de Felipe, com Hamilton chegando em 7º;
- Vitória de Felipe, com Hamilton chegando em 8º;
- Vitória de Felipe, com Hamilton não pontuando;
- Felipe em segundo, com Hamilton em 8º;
- Felipe em segundo, com Hamilton não pontuando.
Podemos, com esses dados, dizer que Massa tem uma chance de título que gira em torno de 8,22%, contra gigantescos 91,78% de Lewis Hamilton.
Massa só tem duas opções: vencer ou chegar em segundo. Isso, em si, não é difícil, posto que a Ferrari sobrou em Interlagos em 2006 e 2007, e Felipe foi o destaque de ambas as provas, ganhando em 2006, e tirando em segundo - através do jogo de equipe - em 2007. O problema é se Hamilton vai ficar fora dos 5 primeiros... Ano passado, ficou em sétimo.
///
Mesma (des)vantagem
Falou-se muito que a diferença entre Lewis e Massa no campeonato é idêntica à que Lewis tinha para Raikkonen ano passado: em 2007, Hamilton chegou à última prova com 107 pontos contabilizados ante 100 de Kimi; Ano passado, Kimi levava vantagem no número de vitórias (5 a 4). Já esse ano, Massa e Hamilton possuem as mesmas vitórias (5 cada), porém um trunfo de Massa em São Paulo o colocaria em vantagem por um tento.
E se fosse segundo, ainda que empatasse em pontos (no caso, 95 a 95) com Lewis chegando em oitavo, o brasileiro tomaria vantagem no número de segundas posições, posto que tanto o brasileiro quanto o inglês chegaram nessa posição duas vezes cada - e Massa pularia para três.
Porém, há UMA diferença crucial entre os dois casos: esse ano - ainda que Kubica tenha lutado com todas as suas forças - são apenas dois os postulantes ao título. Em 2007, eram três, e o terceiro candidato tinha apenas 4 pontos a menos que Lewis (portanto, também estava à frente de Räikkonen), e este era o companheiro de equipe de Hamilton: Fernando Alonso.
Sem falar da qualidade do espanhol, o fato de ser o companheiro de equipe do inglês e estar com muito mais chances do que o ferrarista, denotam a diferença de ambiente entre as corridas brasileiras de 2007 e 2008.
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A questão do motor
Ironicamente, um fator que poderá pesar a favor de Massa será o mesmo vilão do seu estupendo GP da Hungria: o motor.
Explica-se: Felipe Massa correrá em Interlagos com um novo motor, enquanto que Hamilton fará em Interlagos a segunda prova de seu Mercedes-Benz.
Isso pode ajudar Massa na medida em que Hamilton não poderá forçar seu carro num embate pela vitória ou mesmo o segundo lugar. A julgar pelo que fez na China, onde obteve sua única volta mais rápida na temporada, Hamilton deverá mesmo poupar seu motor.
Por outro lado, é muito difícil que o motor do McLaren venha a quebrar: até hoje, desde que estreou, Hamilton jamais ficou sem pontuar por problemas no carro: nas 6 corridas que não terminou entre os 8 mais bem colocados, isso sempre veio em decorrência de erros exclusivos do piloto.
A saber: Europa e China, em 2007, Bahrein, Canadá, França e Japão, em 2008. Dessas seis, em apenas duas (China e Canadá) o piloto abandonou, tendo nas demais completado a prova fora da zona de pontos.
Mas, e daí?
No GP do Japão de 2006, o motor de Schumacher vinha de uma fabulosa seqüência de 6 anos e meio sem nenhuma quebra, e...
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O fator Alonso
Fernando Alonso declarou, na conferência de imprensa do GP do Japão, que se fosse ajudar alguém na conquista do título, esse alguém seria Massa. Por outro lado, o asturiano disse que não iria 'facilitar' para Massa, no sentido de deixá-lo passar, ou algo assim.
Como, então, poderia Fernando ajudar Massa na sua conquista?
Primeiro lugar: Alonso SEMPRE andou bem no GP do Brasil, muito embora ainda não tenha vencido. Nas últimas 5 edições (2003 a 2007), Alonso foi: terceiro, quarto, terceiro, segundo e terceiro colocado. Julgando pelo ano passado, tivemos uma dobradinha da Ferrari, e Fernando em terceiro com um carro muito inferior.
Esse ano, Alonso talvez tenha nas mãos o equipamento mais fraco desde 2003, mas a melhora recente - devida em sua maior parte ao talento do espanhol - o colocam com boas chances de lutar por esse pódio.
Então, suponhamos que o mesmo cenário de Interlagos-2007 se repita, logicamente com as posições dos Ferrari invertidas: Massa em primeiro lugar, Kimi em segundo, Alonso terceiro. Assim, Massa somaria 10 pontos, e Hamilton poderia, no máximo, somar 5, com um eventual 4º lugar.
O total seria de 97 pontos para Massa, 99 para Hamilton.
E se, de repente, a Renault confirma a boa performance do carro e Nelsinho vem inspirado - talvez até com uma estratégia mirabolante, pois estará correndo em casa - e consegue encerrar em 4º, quem sabe até à frente de Alonso? Assim Hamilton somaria apenas um 5º lugar, e iria a 98 pontos.
Faltaria ali uma BMW, uma Toro Rosso, uma Toyota...
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Cabeça no lugar
Mas tentemos raciocinar friamente: inda que o motor de Hamilton não quebre ou que Nelsinho e outro piloto não derrubem Hamilton para a 6ª posição, há um elo que pode unir Massa ao campeonato: a instabilidade de Lewis. O britânico já deu várias demonstrações disso, e se sentir-se pressionado na largada, perdendo posições importantes, ele será capaz de por tudo a perder. Resta a Massa, "fazer a lição de casa".

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

GP do Japão - Notas dos Pilotos

devido à falta de tempo, dessa vez, só as médias...

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massa - 7,5
uma classificação muito ruim, uma prova cercada de polêmicas - causou uma batida com hamilton, e foi imprudente com bourdais. mas valeu pelo ímpeto do final da prova, onde marcou a volta mais rápida e fez uma ultrapassagem arriscadíssima sobre webber.
raikkonen - 8
melhorou na classificação, e teve um bom ritmo durante a prova, embora no final não atacou Kubica de forma convincente ainda que tivesse mais carro que o polonês...
hamilton - 4
uma ótima pole, uma primeira volta ridícula. foi vítima de massa, mas depois, morreu, não ultrapassando quase ninguém. se não tomar um calmante logo, vai perder de novo...
kovalainen - 5
um bom treino, mas uma largada de segundo piloto. quebrou logo depois.
kubica - 9
está na disputa do título graças a sua consistência porque, como disse Alonso, "sua BMW não anda". Era um vencedor natural da corrida, mas Fernando era quem estava atrás...
heidfeld - 4
um treino ridículo, se alinhando ás force india e honda, e uma corrida parca, terminando em décimo.
fernando alonso - 10
disparado o melhor piloto da atualidade.
nelson piquet - 8
4ª colocação, e 4ª volta mais rápida do GP. muito bem.
jarno trulli - 6
fez o que o carro permitiu, e soube usar da experiência, na largada.
timo glock - 4
abandono prematuro. pelo que vinha fazendo nos treinos, esperava-se mais.
sebastian vettel - 6
não teve o mesmo brilho que vinha tendo, mas foi o suficiente ara pontuar. méritos por chegar ao Q3.
sebastien bourdais - 7
superou Vettel, nesse GP. não teve culpa nenhuma na batida com Massa.
mark webber - 5
conseguiu progredir de sua 13ª posição, mas agiu em alguns momentos como um homicida.
david coulthard - sem nota
mais um encontro com o japa. não teve culpa, mas... faltam dois GPs!
nico rosberg - 5
mais um treino fraquíssimo, ficando atrás do companheiro. na corrida, pouco ou nada. segurou alguns pilotos, mas nada de relevante.
kazuki nakajima - 3
bateu nico pela segunda vez em 16 GPs, o que é importante, mas apronotou logo na largada. só mesmo a grana para a Toyota segurá-lo...
rubens barrichello - 4
superou button nos treinos e na corrida.
jenson button - 3
perdeu para rubens nos treinos e na corrida.
giancarlo fisichela - 2
último nos treinos, abandonou cedo.
adrian sutil - 2,5
superou o companheiro nos treinos, mas abandonou logo de início.

domingo, 12 de outubro de 2008

Mais uma?!

Seu chefe de equipe é Flavio Briatore. Ele veio para essa equipe após anos conturbados, em que teve de lutar contra um piloto promissor inglês, numa equipe inglesa. Depois de vir para essa equipe, amargava um bom período ausente de vitórias, sendo inclusive "dado por vencido". Mas, na reta final da temporada, conquista duas vitórias espetaculares.

A descrição acima parece perfeitamente se encaixar com a situação de Fernando Alonso em 2008, certo? Mas eu estava falando de Nelson Piquet (o pai), em 1990.
Piquet, depois de uma saída conturbada da Williams, em 1987, teve de, literalmente, amargar o limbo na carroça da Lotus. Ao final do seu contrato, foi para a Benetton, e começou a se reerguer. No final da temporada de 1990, venceu dois GPs, exatamente os dois últimos, e a coincidência se mostra ainda maior porque Piquet vencera os GPs 15 e 16, exatamente a "ordem" das corridas vencidas por Fernando, que agora tem ainda outras duas etapas pela frente.
Mais uma coincidência se dá que Alonso, em Cingapura, foi o vencedor do GP de número 800 da Fórmula 1, ao passo que Piquet, na Austrália, havia vencido a 500ª corrida. As semelhanças entre as carreiras dos dois são enormes, e o estilo de pilotagem de ambos também é muito parecido.
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Se a vitória de Alonso, em Cingapura, foi "de sorte", a de Piquet no Japão também havia sido: o acidente de Senna e Prost, e as quebras de Mansell e Berger, dando de herança a primeira colocação para Nelson. Porém, na Austrália, Piquet venceu no braço, tendo como único "fator sorte" a quebra de Senna a 20 voltas do fim - Ayrton vinha em primeiro.
Porque Piquet passou os outros desafiantes (Berger, Mansell e Prost), um por um, e na última volta defendeu-se de maneira brilhante de uma tentativa de ultrapassagem de Nigel Mansell.
E o que Alonso fez hoje foi simplesmente fantástico, ainda mais do que fizera em Cingapura. A única "sorte" que o piloto teve foi a de, na primeira curva, não escapar da pista - como fizeram os pilotos das equipes 'grandes'. E no dia em que não errar for sorte, teremos de rever todos os nossos conceitos sobre a vida.
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Alonso fez uma corrida extremamente brilhante pois, além de não ter errado ou se envolvido em acidentes ridículos (e.g. Massa X Hamilton, Bourdais X Massa), andou num ritmo extremamente forte: até metade da corrida (pouco antes da segunda parada), fôra ele o autor das 3 voltas mais rápidas do circuito!
Alonso, de início, vinha em segundo lugar, atrás de Robert Kubica, e a diferença entre os dois oscilou entre 1 e 1.6 segundos, nas primeiras voltas. E, então, após incessantes conversas com os engenheiros, adotou-se uma estratégia ousada: Alonso faria uma primeira parada mais rápida que a de Kubica, colocando menos gasolina, e tentaria abrir uma vantagem segura em seu retorno à pista.
Deixa com ele que ele resolve: Alonso, mais uma vez, cravou recordes de pista, e chegou a ficar quase 11 segundos à frente do polonês. Alonso fez a sua segunda parada nos boxes, e 3 voltas depois foi a vez de Kubica. Alonso permaneceu à frente, com uma vantagem segura. E aí, veio a 21ª vitória.
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Alonso conseguiu duas belas marcas, em Fuji: em primeiro lugar, passou Coulthard e Barrichello se tornando o maior pontuador da atualidade, e o 4º da História da F-1, com 538 pontos. Além disso, com esse trunfo, Alonso supera Mika Häkkinen no histórico, se isolando como 11º maior vencedor da categoria - Häkkinen somara 20 ao longo de seus 162 GPs.
Agora, Alonso seguirá no encalço de: Damon Hill (22 vitórias), Nelson Piquet (23), Juan Manuel Fangio (24), Jim Clark e Niki Lauda (25 cada), Jackie Stewart (27) e Nigel Mansell (31). Sobrariam, ainda, as 41 vitórias de Senna, as 51 de Prost e, claro, as 91 de Schumacher.
Alonso tem todas as condições de superar os cinco primeiros já no ano que vem, caso a Renault realmente apresente uma melhora consistente: Alonso, conquistando cinco vitórias, superaria D. Hill, Piquet, Fangio e Lauda/Clark, ficando uma atrás de Stewart.
Porém, é notável que, em 2010 - caso consiga mesmo a vaga na Ferrari ou então a Renault volte a ser "top de linha" - ele poderá se firmar como o quarto maior vencedor da categoria, superando inclusive Mansell. Acredito que Alonso terá, também, todas as condições de superar Senna e Prost em vitórias. Já as de Schumacher, parecem inalcançáveis.
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Porém, sempre defendi que os números denotam se ou quanto um piloto é bom, mas não servem para, apenas olhando-os, analisar se este ou aquele é melhor: há todo um contexto, e diversas situações envolvidas. Por isso, embora tenha 8 pilotos com mais títulos (Schumy, Fangio, Prost, Senna, Piquet, Stewart, Lauda e Brabham), e outros 5 com os mesmos 2 campeonatos conquistados (Ascari, G. Hill, Clark, Fittipaldi e Häkkinen), Alonso já está alinhado entres os 10 melhores pilotos de Fórmula 1 já surgidos.
Numa primeiríssima linha, coloca-se Fangio, Senna, Schumacher e Clark (e o que pode mudar aqui é a ordem que você os dispõe); Alonso viria no "segundo" e luxuoso escalão, ao lado de montsros como os citados Piquet, Prost, Brabham e Fittipaldi, além de Stirling Moss - esses três últimos, como Alonso, ganharam menos que Stewart ou Lauda, mas os superam por tudo o que fizeram nas pistas.
E quando falo em "estar alinhado", não me refiro a uma ordem (5º melhor, 6º, etc), apenas os coloco no mesmo nível.
É questão de tempo para Alonso merecer ser classificado acima deles e, quem sabe, bater à porta dos 4 maiores.
Daí iremos lançar um novo olhar para esse piloto que bateu Schumacher nas pistas, recolocou a McLaren na trilha das vitórias, e está tirando a Renault do fundo do grid...
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Peguemos, por exemplo, a evolução da Renault.
É gritante a diferença que a pilotagem de Alonso fez, na equipe. Ele soma 48 pontos no campeonato. Ano passado, a Renault somou 51 nos CONSTRUTORES. Isso significa que, no mínimo, Alonso é muito melhor que Kovalainen e Fisichela. Kovalainen, amigos, que agora pilota uma McLaren e soma 51 pontos.
Não se assustem se, após o GP do Brasil, virem Fernando Alonso acima do piloto da McLaren, o que representaria uma das maiores humilhações da história recente da Fórmula 1. Pois, com a McLaren, Alonso venceu 4 corridas, e somou apenas um ponto a menos que o campeão do ano passado. Pode ser, ainda, que Alonso bata Heidfeld, da BMW, que atualmente tem 8 pontos na sua frente.
E não falo da evolução da equipe francesa apenas no sentido estatístico: me refiro ao desempenho. É só puxarmos um pouco na memória, e vermos o que era a Renault: nem se classificava entre os dez primeiros, nos treinos. Alonso se classificou entre os dez primeiros em 14 das 16 corridas do ano, tendo se classificado uma vez na primeira fila, e noutras duas na segunda.
E algo tão cômico quanto impressionante: se levarmos em consideração o campeonato a partir do GP da Hungria - o que representa as últimas seis corridas - teríamos o seguinte:
1) Alonso, com 35 pontos (2 vitórias e 3 quarto lugares);
2) Hamilton, com 26 pontos (1 segundo lugar, dois terceiros, um quinto e um sétimo);
3) Massa, com 25 pontos (2 vitórias, um sexto e um sétimo lugares);
4) Vettel, com 24 pontos (1 vitória, dois quintos, um sexto e um sétimo lugares);
5) Kubica, com 24 pontos (1 segundo, dois terceiros, um sexto e um oitavo lugares);
6) Kovalainen, com 23 pontos (1 vitória, um segundo e um quarto lugares);
Não quero, com isso, recorrer ao pobre discurso de que "se o campeonato começasse na Hungria, Alonso estaria liderando"... Falo apenas de um fato real: O cara tem uma Renault, ganhou duas corridas, e na reta final somou mais pontos e pontuou em mais GPs que os principais postulantes ao título. É loucura achar que ele levaria a taça com um carro um pouquinho melhor?...
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Segue aí um trecho da excelente coluna de Eduardo Correa, no GP Total, esse domingo:
"Recomendo aos dois aspirantes ao título que estudem em detalhes a verdadeira aula ministrada pelo espanhol, levando o seu Renault a um lugar no grid de largada e depois a um vitória que nem os seus mais ardorosos fãs poderiam imaginar. De quebra, Alonso ainda ridicularizou Robert Kubica e a BMW, que supostamente lhe negou um lugar em 2009.
Dele só se pode reclamar de uma coisa: ao romper com a McLaren, ele nos privou de uma disputa emocionante contra Hamilton e a dupla da Ferrari, uma disputa capaz de rivalizar com aquela que envolveu Prost, Senna, Piquet e Mansell em 86-87".
Quem puder, veja o video a seguir: uma seleção de várias imagens da carreira de Alonso, e uma estranha profecia implícita...