segunda-feira, 21 de julho de 2008

GP da Alemanha de 2008

Corridássa tem acento? e se escreve com 'cedilha' ou dois "ésses"? A grafia realmente não importa, nesse caso, pois trata-se de uma palavra que vem da coloquialidade, isto é, da fala, e não pertence à gramática, pois não se encaixa nem na categoria dos superlativos. Mas enfim, "corridaça" foi o que Mr. (tornando-se um forte candidato à 'Sir') Lewis Hamilton fez no circuito de Hockenheim, em 20/07/2008.

Com um domínio absolutamente inquestionável - fizera o melhor tempo nos testes coletivos, da semana passada, foi o 1º nos treinos livres de sexta e fez a pole no sábado - o inglês venceu a corrida de maneira fantástica e se coloca, até o momento, como o favorito ao título.
E o grande destaque é que Hamilton chega à sua 8ª vitória na carreira, se igualando a Felipe Massa, tendo, dessa vez, feito mais do que se costuma ver: o garoto sempre venceu quando largou na frente, assim como hoje, mas sempre liderando fácil, sem pressão. Hoje, ele se recuperou de um erro da equipe, que quase aniquilou uma vitória facílima, dando lição de arrojo, rapidez e inteligência.
Foi professor de rapidez ao imprimir um ritmo alucinante na primeira parte da prova: o inglês não ficou com a volta mais rápida do dia, mas obteve a segunda melhor marca, a apenas 0.052s de Heidfeld. detalhe: Lewis cravou sua volta no giro 17, enquanto que o alemão obteve o recorde na 52ª!
Deu aula de arrojo ao ultrapassar Felipe Massa no hairpin, e manter a posição momentos depois, quando Felipe, claramente, tinha mais chance na curva. E deu aula de inteligência ao saber o momento exato de atacar os concorrentes que se postavam à sua frente quando retornou dos boxes.
Lewis, repito, se colocou hoje como o favorito ao título. A McLaren não é o melhor carro, embora na Alemanha tenha dominado de forma incontestável, e aqui pontos para Massa por ter batido Kovalainen nos treinos e ter segurado o finlandês na primeira volta, quando era evidente que o brasileiro tinha menos carro.
A Ferrari, ainda, é o melhor conjunto, e as próximas duas corridas - Hungria e Valência -, que guardam enormes semelhanças com Mônaco, serão cruciais para a decisão do certame: Se ano passado, em pistas de rua, só deu McLaren, esse ano a Scuderia mostrou que essa diferença não existe: é verdade que a vitória em Mônaco foi de Lewis, mas a Ferrari registrou primeira fila, e a vitória lhe escapou das mãos por conjunto de erros pilotos-equipe.
Erros esses que, registre-se aqui, são a maior razão para que Lewis esteja na liderança, pois mesmo com suas 4 vitórias não estaria em 1º caso "certas coisas" não ocorressem. E é por isso mesmo que classifico Hamilton como favorito, até o momento: o inglês e a McLaren erraram também, mas muito menos que a Ferrari e Kimi-Massa.
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De fato, houve duas corridas nesse domingo: uma de Lewis e outra para os 19 pilotos restantes. A prova foi bem movimentada em seu início, mas logo nas primeiras voltas se desenhou uma procissão. Como já mencionado, Kovalainen atacou Massa no início e dava a impressão de que conseguiria a ultrapassagem, tendo colocado o carro "de lado" na reta. Mas logo em seguida, acalmou e os dois se mantiveram...
Logo atrás, surgia Kubica com uma excelente largada - partiu de 7º para 4º -, e se favorecendo de uma manobra relativamente estranha de Jarno Trulli sobre Fernando Alonso. Pouco depois, Kimi Räikkonen, que partira em 6º e caira para sétimo com a ultrapassagem do polonês, roubou a posição do espanhol. Passaria também Trulli, nos boxes...
Alonso foi ultrapassado, mais tarde, por Sebastian Vettel, não superando a promessa da terra alemã. Foi notável a corrida de Vettel, feliz com sua contratação-promoção. No entanto, fica o registro negativo de sua manobra na saída dos boxes, quando empurrou Alonso - e Galvão queria por toda lei uma punição ao espanhol. Vai entender...
No meio de tudo isso, dois pilotos, lá atrás, davam a impressão de que nada fariam, mas a estratégia de ambos era diferenciada: apenas uma parada, contra duas de praticamente todos do grid. Eram eles Nick Heidfeld e Nelson Ângelo Piquet...
Enquanto Mark Webber se arrebentava na 9ª colocação, Timo Glock vinha em 10º. Começam as paradas nos boxes, e Lewis abre o pit-lane, seguido por Alonso e Trulli, na volta seguinte, depois Massa, na 20ª, e Kubica, Kovalainen, Raikkonen e Vettel, uma depois.
À essa altura, Hamilton e Massa mantinham-se como líderes, mas Glock e Heidfeld ocupavam o 3º e 5º postos, respectivamente, de modo surpreendente. Heidfeld só pararia na 27ª volta, e Glock duas depois. Nelson Piquet, que andava apenas na 16ª colocação, faz sua primeira e única parada na volta 34. Foi à essa altura que tudo foi decidido...
Na 36ª volta, Glock bate e o Safety-Car entra na pista. Massa, Kubica, Trulli, Vettel, Alonso, Webber, Coulthard, Bourdais e Raikkonen param. Nelsinho surge, então, na 3ª colocação na volta 40. Raikkonen, que parou junto com Massa, tem de aguardar o brasileiro fazer sua troca/reabastecimento, e retorna na 10ª posição.
Kimi recupera três posições (Alonso, Vettel e Trulli) em poucas voltas, e por fim ainda superaria Robert Kubica, encerrando na 6ª posição e marcando o terceiro melhor tempo do dia. Piquet chega a liderar a prova por algumas voltas, assim como Heidfeld. O brasileiro consegue uma ótima 2ª colocação, e o alemão termina em 4º com a volta mais rápida.
Massa foi terceiro, não tendo conseguido superar Nelsinho, e sendo ultrapassado por Hamilton. Kovalainen foi o 5º, logo à frente de Raikkonen, que foi sucedido por Kubica em 7º e Vettel em 8º, finalizando os pilotos que pontuaram nesse domingo.
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E esse ano os pilotos brasileiros estão quebrando jejuns: depois de Massa vencer o GP da França, o que conferiu a primeira liderança de um brasileiro desde Senna, em 1993, e foi a primeira vitória brasileira em solo francês desde Piquet, em 1985, agora Nelsinho e Massa completam um pódio com duas bandeiras do Brasil juntas pela primeira vez desde Senna&Piquet, em 1991.
Foi no GP da Bélgica daquele ano, vencido por Ayrton e com Nelson em 3º, a última vez que dois brasileiros chegaram entre os três primeiros. Nelsinho, aliás, foi o segundo piloto brasileiro mais jovem a subir no pódio, só perdendo para Barrichello, que foi terceiro colocado no GP do Pacifico de 1994, o mais jovem, e Emerson Fittipaldi, vencedor no GP dos EUA, em 1970. Piquet, 23, é um ano mais velho que Emerson e Rubens eram à época de seus pódios.
Em termos de número de corridas, Piquet filho - que chegou ao pódio em seu décimo GP - é o que obtém a quarta melhor marca entre os brasileiros, sendo superado apenas por Emerson Fittipaldi (4ª corrida), Ayrton Senna (5ª) e Roberto Moreno (9ª). A sorte pesou a seu favor nessa marca, sem dúvidas, mas não há como negar o talento de Nelsinho, que agora parece ter se encontrado, e (anotem) será o principal piloto brasileiro dentro de alguns anos.
Para quem, como este que vos fala, admira demais os feitos do pai dele - e, sendo fã de Ayrton, não se atém aos tolos "ismos" de Sennistas X Piquetistas, - é muito bacana vê-lo no pódio, sim.
Valeu, guri!

Senna, 1º, e Piquet, 3º, em SPA-91. Saudades.

3 comentários:

Anônimo disse...

Muito bem colocado..Excelente corrrida de Lewis.Feliz por Piquet,embora contou com muita sorte, mas soube segurar Massa e demais.

Anônimo disse...

Foi muito boa a corrida desse fim de semana, deixou uma grande emoção após o acidente de Glock e as 15 últimas voltas, com Nelsinho na ponta.
Vale ressaltar com certeza a boa corrida de Lewis e Nelsinho, e até de Massa, que não se arriscou tanto para permanecer na frente de Lewis, pontuando assim para o campeonato.

Vamos esperar a Hungria agora, onde Nelsinho em 2006 fez uma brilhante corrida ante Lewis na GP2, mas claro que não dá para cobrar resultado de nelsinho para a próxima etapa, mas tomara que ele faça uma boa corrida.
Abraços.

Anônimo disse...

Tem algo pra dizer? falaram tudo... grande matéria...

abraço a todos