Segundo AL, "Pelé está absolutamente acima e foi muito melhor que todos e quaisquer outros jogadores desde a criação do esporte", enquanto que "Senna está no mesmo nível de quase uma dezena de pilotos".
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Senna não é Pelé (Ainda bem!) - parte 2
Segundo AL, "Pelé está absolutamente acima e foi muito melhor que todos e quaisquer outros jogadores desde a criação do esporte", enquanto que "Senna está no mesmo nível de quase uma dezena de pilotos".
domingo, 9 de janeiro de 2011
Senna não é Pelé (Ainda bem!)
Isso me faz lembrar de um artigo escrito por ninguém menos que José Miguel Wisnik, no final da década de 1970, sobre Roberto Carlos: Parafraseando esse grande músico e pensador da música, eu digo: "A crítica não está preparada para falar de Ayrton Senna. Bate com diferentes intensidades na mesma tecla: marqueteiro. Cansa de dizer o óbvio: que é cada vez mais idolatrado. Dança. Esquece de pensar o oculto mais óbvio: que tipo de força o sustém no ar por tanto tempo. Por que ele?"
Ademir Luiz, imerso no próprio ego de professor universitário da área de humanas (uma área em que dificilmente vemos pessoas extrovertidas, humildes e que não pensem terem a eterna fonte da juventude), questiona o mito Ayrton Senna, mas comete dois erros fundamentais: 1) não busca entendê-lo; 2) mitifica ainda mais, e blinda os questionamentos a tal, o mito Pelé.
Começando pela parte de Pelé, podemos ir para diversos tópicos:
I. Gerd Muller, Josef Bican e Arthur Friedenrich marcaram mais gols que Pelé ao longo de suas carreiras;
II. Bican e Romário, tão criticado por aqui por ter feito gols no Madureira, etc, superam Pelé em gols marcados em partidas OFICIAIS (!);
III. Pelé não marcou gols em 513 de suas 1375 partidas, ou seja: em 37,31% das partidas que disputou, Pelé não marcou gols;
IV. Isso joga uma luz sobre quando lemos que seu recorde de gols em uma partida foi de oito tentos, em 21 de novembro de 1964, no jogo Santos 11 a 0 Botafogo de Ribeirão Preto.
V. Pelé ganhou três copas do mundo, mas na de 1962 participou apenas da primeira partida: naquele campeonato, o grande nome foi Garrincha, sendo considerado, ao lado de Maradona-1986, como o jogador que "ganhou uma copa sozinho";
VI. Independente de Garrincha, o time de 1962 (base de 1958), era excelente, e provou que não era "pelé + 10": Didi foi considerado o melhor jogador da Copa de 1958;
VII. Pelé foi considerado o melhor jogador da Copa de 1970, jogando pela seleção que é tida como "a maior de todos os tempos";
VIII. Pelé é o grande artilheiro, mas nucna foi artilheiro de uma Copa do Mundo: Gerd Muller, ele de novo, fez 10 em 6 jogos em 1970.
IX. Pelé chegou a 12 gols em 14 partidas de Copa; muller tem 14 em 12, Fontaine 13 em 6; isso para não citar Ronaldo (15 em 19) e Klose (14 em 20);
X. Pelé não quis ir à Copa de 1974 - alegando ser uma questão de combate à ditadura que ele mesmo apoiara e desfrutara em 1970; a verdade não foi essa (dinheiro envolvido --Pelé percebeu que ganharia mais como garoto-propaganda do que como jogador--, além da consciência (oh!) de que já não era mais o maior jogador do mundo, posto ocupado por johan cruyff e franz beckenbauer);
XI. O Santos que, a exemplo da seleção brasileira da época, não era Pelé + 10, provaria essa verdade ao conquistar o título mundial de 1963 NÃO CONTANDO com Pelé nas duas partidas decisivas, em que o Santos venceu (ele participara do 1º jogo, que terminou em derrota santista);
XII. Pelé, tão citado como dono de "três copas e dois mundiais" tem, na verdade, duas copas e um mundial;
XIII. Pelé era conhecido por ser um atleta desleal em campo:
XIII.I. Por mais que seus defensores aleguem que ele apanhava demais (citando brasil v.portugal, em 1966), o recorde de faltas sofridas por um mesmo jogador em uma partida (23) e em um torneio (53) de Copa do Mundo é de Maradona, contra a Itália em 1982 e na Copa de 1990, respectivamente;
XIII.II. Seus defensores também aplaudem a cotovelada proferida por pelé no jogador fotnes, do uruguai, alegando que o uruguaio havia "acertado pelé", antes: é a mesma justificativa de sennistas para a batida com prost em 1990;
XIII.III. Os jogadores Kiesman, alemão, e Procópio, brasileiro, zagueiro, promessa contada por todos da época, tiveram suas pernas quebradas em entradas de Pelé: o brasileiro, inclusive, passou 5 anos tentando voltar aos gramados até que teve mesmo de abandonar sua carreira ("tive vontade de matar o Pelé", disse);
XIV. A propagada 'ambidestria', o drible e o 'cabeceio', como 'provas' de que Pelé era "o mais completo", são também características de Di Stefano e Meazza, para ficar nos históricos, do hlandês Van Basten nos anos 80, e hoje Cristiano Ronaldo exibe todos esses fundamentos;
XV. Milhões de brasileiros preferem Garrincha - "A Alegria do povo";
XVI. Falando do ser humano ("cavalheiro chamado Edson", segundo o autor), é engraçado como o autor questiona a sexualidade de Ayrton Senna ("O tão falado 'amigo' de infância"), numa característica homofóbica gritante, sendo que Pelé admitiu, em entrevista à PLAYBOY (a mesma na qual disse que mandou Xuxa 'perder a virgindade com outro homem para depois transar com ele'), que perdeu a virgindade com um garoto, quando tinha seus 14 anos;
XVII. Pelé negou uma filha, e seus defensores alegam que ela só queria dinheiro; Quando ela morreu, de câncer, aos 42 anos, Pelé enviou uma coroa de flores e nada mais; Maradona e Ronaldo, para citar dois, reconheceram filhos "extra" casamento;
XVIII. Coutinho, em entrevista nos anos 80: "Se eu soubesse quem era Pelé, ele nunca teria feito 1000 gols. O homem que conheci no Santos não é amigo de ninguém, só pensa em si mesmo".
XIX. Pelé desviou dinheiro da Unicef (700 mil dólares pagos por uma 'aparição' do rei em Buenos Aires, 1995): ele recebeu e não houve show;
XX. Pelé desviou dinheiro do Flamengo em transação com a ISL, mediada pela "Pelé Sports";
XXI. Pelé teve outro relacionamento fora do casamento e, depois que o caso iria estourar, ofereceu pagar cirurgia de reconstituição do hímen à sua amante;
XXII. Pelé é até hoje lembrado como, talvez, o pior ministro dos esportes que o brasil já teve.
O autor tentou, de todas as maneiras, dizer que Senna não foi superior nem como ser humano nem como piloto. Para dizer que Pelé, sim, o foi.
Como vimos, essa não é a realidade.
O que não me impede de, ainda assim, considerá-lo o melhor da história do futebol: mas Maradona, Garrincha, Cruyff, Di Stefano, Puskas e Beckenbauer, chegaram muito, muito próximos.
E como ser humano, bem... Parafraseando André Fontenelle, Edson "foi outra coisa".
sábado, 21 de março de 2009
Futebol e Fórmula 1
Gilles Villeneuve, no famoso duelo com René Arnoux, no GP da França de 1979: o maior duelo da história da F-1, e uma das mais belas ultrapassagens...
Compilação de lances de Garrincha, nas copas de 1958 e 1962: foi um dos destaques da belíssima seleção de 58, e considerado o craque de 62...
Como disse, o meu comentário associando Gilles a Garrincha foi apenas uma forma de ilustrar melhor o que Villeneuve representava. Mas não imaginávamos que a mistura de F-1 com Futebol traria tanta repercussão...
Na última sexta-feira (20) Felipe Massa deu uma entrevista ao jogador Kaká (trata-se de um novo programa da TV Italiana, cujo nome será "Grand Prix") e, fez uma curiosa comparação: "[Ayrton] Senna e [Michael] Schumacher são um pouco como Pelé e Maradona da Fórmula 1".
Porém, na visão do piloto, na hora de comparar os nomes do automobilismo e do "soccer", Massa inverteu a ordem dos fatores, assim alterando também o produto: "Eu corri com Schumacher e, para mim, ele é um exemplo como Pelé". E Felipe acrescentou: "O piloto mais completo".
Foi o que bastou para que surgissem os mais diversos comentários em fóruns de debate na internet: de um lado, os fãs de Ayrton ficaram revoltados com a comparação do brasileiro com Maradona e principalmente com a de Schumacher e Pelé. "Senna deveria ser Pelé", muitos disseram.
Do outro lado, os detratores de Ayrton Senna, aqueles que chamam toda pessoa que demonstre preferência pelo brasileiro (seja na comparação com De Cesaris, Schumacher ou em geral) de "viúvas" e "carpideiras vestidas de preto", ficaram contentes como se essa fosse mais um título de Schumy.
Porém, a declaração de Felipe não é pioneira nesse aspecto. Ano passado, foi Flavio Briatore quem veio a campo comparar jogadores e pilotos. E o chefe da Renault, qual Massa, relacionou Senna e Maradona. Porém, na hora de ladear Schumacher, o escolhido foi o holandês Marco Van Basten.
Segundo Briatore, "O único Maradona que vi na Fórmula 1 foi Senna. Michael Schumacher está em outro nível, poderia ser comparado a Van Basten".
Como entender, e como comparar, ambas as declarações? Senna foi comparado a Maradona por duas pessoas diferentes em posições igualmente distintas: um é brasileiro, o outro é italiano; um foi piloto de testes (2003) e companheiro de equipe (2006) de Schumacher, enquanto que o outro foi chefe de equipe do alemão (entre 1991 e 1995).
Porém, na hora de comparar Schumacher, as opiniões se dividiram: para Briatore, Schumy é Van Basten, enquanto que para Massa Michael é Pelé.
Marco Van Basten foi um dos 10 melhores jogadores da história, talvez o "maior camisa 9" de todos os tempos: foi eleito o melhor do mundo da FIFA em 1992, além de ter ganho o prêmio da France Football nesse mesmo ano e em 1988 e 89 - ainda não havia eleição da FIFA. Foi campeão mundial e italiano, com o Milan, e campeão da Eurocopa com a Holanda. Foi técnico da Holanda entre 2006 e 2008, fazendo elogiadíssimas campanhas na Copa do Mundo e na Eurocopa. um currículo para ninguém botar defeito.
Diego Maradona dispensa apresentações: campeão mundial com a Argentina em 1986, foi bicampeão italiano, da Copa da UEFA e da Copa da itália, pelo Napoli, sendo escolhido melhor jogador da copa do mundo de 1986, e principal jogador das temporadas 86-87 e 87-88, Ainda, seu gol contra a Inglaterra na Copa de 1986 foi escolhido o "mais belo da história das copas", pela FIFA em 2002.
Pelé, também dispensa quaisquer introduções: foi o maior artilheiro da história do Futebol, de acordo com a FIFA [1.281 gols em 1324 jogos]; foi, também, o único jogador a ter três títulos de Copa do Mundo [1958, 1962 e 1970] no currículo; Além disso, foi duas vezes campeão da Libertadores e Mundial com o time do Santos. Em 1980, foi votado como o "Atleta do Século XX".
Acontece, porém, que Maradona conforme dito acima foi craque na Europa, principalmente na Itália, e motivo esse leva a maioria dos europeus [principalmente os italianos] a considerarem Maradona - e não Pelé - o melhor jogador da história. Já para os brasileiros, Pelé é intocável, e único. Por isso, a não comparação com Pelé irritou tanto os brasileiros que amam Senna; e, da mesma forma, alegrou tanto os que não gostam do tricampeão ver Schumacher e não Ayrton ser ladeado com "o maior jogador de todos os tempos".
As declarações de Massa e Briatore, comparando Diego e Senna, são, embora idênticas, diametralmente opostas em sua essência: Briatore exaltou Senna (e por isso usou o termo ÚNICO, antes de mencionar o nome do craque argentino); já Massa, citou Senna no diminutivo pois o termo "MAIS COMPLETO" veio para Pelé-Schumacher, e não para Ayrton-Maradona.
Fora isso, o fato de Massa ter dito na própria entrevista que "A Ferrari é uma religião" e de sabermos como é seu relacionamento com Schumacher, explicam a escolha que o brasileiro fez. Já Briatore, que foi chefe de Schumacher por 4 temporadas, e mantém até hoje um bom relacionamento com o alemão, inclusive enviando felicitações ao tedesco em seu aniversário, não parece ter deixado o lado pessoal influenciar nas suas escolhas (Briatore e Senna nunca se deram bem, trocando diversas farpas ao longo de 1993 e no início de 1994).
A associação de Schumacher a Pelé, porém, é verdadeira quando vista sob a ótica dos números: o alemão, a exemplo de Pelé, possui os principais recordes da F-1. E a associação de Senna a Maradona também é perfeita nesse aspecto, pois ambos tiveram grandes conquistas, ainda que não tenham sido os primeiros em quantidade.
Quando vista na questão espetáculo/paixão que proporcionaram ao longo de suas carreiras, associar Maradona a Senna também é o correto, pois Pelé pode até ser mais famoso que Maradona, mas Diego certamente é mais amado por onde é conhecido: Itália, Espanha ou Inglaterra. E Pelé, jamais conseguiu ser um ídolo genuíno, nem mesmo no Brasil (e aí, Schumacher e Pelé são idênticos), enquanto que Maradona é venerado na Argentina.
Por fim, associar a qualidade dos jogadores e dos pilotos, ladear Maradona com Ayrton Senna também se me parece o correto, pois ambos são invariavelmente citados entre os melhores da história (muitas vezes, em primeiro); Digo isso porque o Pelé da Fórmula 1 foi Juan Manuel Fangio.
Já Schumacher, creio que Briatore o colocou no lugar certo associando-o com Van Basten (ainda que eu ache a conduta esportiva de Marco centenas de vezes superior a de Schumy).