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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Legends

A Fórmula 1 teve muito grandes nomes. A maioria deles conseguiu se sagrar campeão. Alguns cidadãos, como Damon Hill e Jacques Villeneuve, não pertencem a essa categoria. Em contrpartida, gente como Stirling Moss, Ronnie Peterson e Gilles Villeneuve ficaram sem a glória máxima .

Outro desta estirpe foi John Watson, a quem dedicamos a coluna "Legends" publicada hoje no GP Total. No GP de seu breve retorno, Watson deixou o seguinte depoimento gravado, sobre Ayrton Senna:

“No treino de classificação para o GP da Europa de 85, eu vinha na curva Wetsfield e estava numa volta que valia para marcar tempo. No mergulho da curva, eu vi aquele carro preto vindo muito rápido atrás de mim. Exatamente no fundo do mergulho, Ayrton veio por dentro - deixei espaço. Testemunhei visível e auditivamente algo que jamais tinha visto alguém fazer num carro de corrida. Era como se ele tivesse quatro mãos e quatro pernas. Estava acelerando, freando, pisando na embreagem, reduzindo a marcha, virando o volante… O carro parecia num fio de navalha, entre o controle e o descontrole. Tudo isso durou apenas dois segundos. O que ele estava tentando fazer agora era manter a pressão do turbo. Ele chegou ao ponto desejado da pista, para fazer a tomada da curva. O carro mergulhou com uma arrogância, que fez meus olhos se arregalarem. No duro, era um mestre controlando uma máquina. Nunca tinha visto um carro turbo pilotado daquela forma. A habilidade do cérebro em separar cada componente, e juntá-los novamente, com aquele ritmo e coordenação, foi algo marcante, um privilégio de se ver!”

Não que isso fizesse qualquer diferença, Senna marcou a pole naquele dia.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Ultrapassagens

Absolutamente sensacional o texto "Em busca da ultrapassagem perfeita", de Eduardo Correa, publicado no GP Total. Uma análise precisa e imparcial, avaliando as maiores e melhores ultrapassagens de todos os tempos.

Altamente recomendável.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Senna não é Pelé (Ainda bem!) - parte 2

Agora, comentários mais específicos sobre o artigo "Senna não é Pelé", de Ademir Luiz (AL), publicado na Revista Bula.

Para justificar o título, o autor faz duas comparações entre o piloto e jogador: entre os documentários sobre ambos, e sobre as posições que ambos ocupam nos respectivos esportes.

Segundo AL, "Pelé está absolutamente acima e foi muito melhor que todos e quaisquer outros jogadores desde a criação do esporte", enquanto que "Senna está no mesmo nível de quase uma dezena de pilotos".

Ok, é a opinião, e cada um tem a sua.

Mas, como veremos, o autor procurou defender sua opinião negando, aumentando ou inventando fatos a favor/contra Senna e Pelé.

Quem clicar no link do texto que disponibilizamos acima, verá que AL usou opiniões de Mansell, Chico Rosa, Nelson Piquet, Osamu Goto e Niki Lauda que, de alguma forma, foram contrárias a ideia de que Senna tenha sido o melhor dos pilotos ou um ser humano decente.

Porém, Primeiro, por somente ter usado críticas, o que por si só mostra o enviesamento do texto, e mostra que o objetivo de Luiz não é, de forma nenhuma, tentar analisar se Senna pode ter sido o melhor dos pilotos.

Segundo, até mesmo das opiniões críticas, o autor limita sua escolha a personagens que podem ter mudado de opinião a respeito de Ayrton -- como Niki lauda mudou, desfavoravelmente, e Ademir lembra, lógico.

Sobre Mansell e Osamu Goto, AL descartou todas as opiniões favoráveis --e foram/são várias-- e se ateve a uma crítica - no caso de Goto, não chega nem a ser uma crítica, mas uma comparação.

E quando aponta CHico Rosa, tentando dar-lhe a autoridade do conhecimento, ele esquece-se que o ex-piloto esteve próximo de Nelson Piquet em seu início, ainda nas fórmulas menores. Seria como usar o depoimento de Berger a favor de Senna como se fosse o definitivo:

Ayrton era o piloto mais perfeito e mais dedicado que já existiu. Um conjunto de percepção, concentração, força e velocidade, aliado a um talento para dirigir verdadeiramente abençoado, e à capacidade de não cometer erros nos momentos decisivos. Tinha a visão absoluta do todo, sabia tudo e podia tudo. Ele estava simplesmente dois ou três degraus acima de todos nós. Alguém que não o conhecesse tão bem ou que não tivesse trabalhado com ele provavelmente não acreditaria. Certamente, hoje na Fórmula 1 há pilotos que pensam que poderiam ter derrotado Senna. Tudo que posso dizer quanto a isso é: Que pena, eles não sabem quão distantes estão de Ayrton. Tive a felicidade de conhecê-lo suficientemente bem para fazer essa avaliação. Ele era algo sobre-natural, não há outra maneira para expressar isso!”


Mas se a ideia, que ficou muito clara da parte dele, era comparar Senna e Piquet, sugiro que se leve em conta o que disse Gordon Murray, engenheiro que trabalhou sete anos com Piquet na Brabham, e alguns anos com Senna na McLaren.

Sobre Piquet, falou:

"(...)quando você tem um piloto que você contrata jovem, e você tem condições de adequá-lo ao mesmo espírito de trabalho que o time possui, e então este piloto permanece com a equipe por sete anos, você quase sempre consegue extrair o melhor dele, e Nelson era fantástico.

[Nessas condições] Você sempre tem sucesso. Sabe, não tem como não ter sucesso, assumindo que você construa um bom carro. Porque o piloto começa com a equipe muito jovem, então ele não vem com ‘vícios’ ou maus hábitos adquiridos em outros times, ou más lembranças de outras equipes, ou carros, ou motores... Você sabe, é o piloto começando com você. E se ele permanece com você por tanto tempo, você com certeza vencerá corridas. Mas é claro que com Nelson nós não apenas vencemos corridas, como vencemos também dois campeonatos. E aquilo foi fenomenal, de verdade.

(...) Foi muito similar ao meu herói, quando eu estava crescendo, ainda adolescente, e eu corria. Eu pilotava quando tinha 19 e 20 anos de idade, correndo de carros-esporte, e meu herói era Colin Chapman. E Colin Chapman tinha uma relação muito similar com Jimmy Clark. Eu diria que minha relação com Nelson era muito parecida com a que eles tiveram. E Chapman era outro que costumava aparecer com essas boas idéias e inovações, e Jimmy Clark estava sempre pronto para guiar as novas idéias. E Nelson era assim, ele amava as novas idéias, sabe?

(...)isso demonstra todo o seu comprometimento, mas muito mais importante do que isso, eu penso que Nelson estava aprendendo. Você sabe... Tudo a respeito do carro, e por que as coisas tinham sido projetadas daquela forma, e qual o propósito sob um ponto de vista aerodinâmico... Eu acho que isso deu a ele uma condição realmente boa. Mas eu tenho que dizer, dentre todos os pilotos com os quais trabalhei – e eu trabalhei com muita gente, como Graham Hill, Niki Lauda... Todo mundo... Prost, Senna... –, ele foi aquele que realmente se integrou à equipe da melhor forma, eu acho. "

Sobre Senna:

"Mas eu acho que psicologicamente Ayrton tinha o golpe mais forte, de verdade, porque ele era um pensador muito profundo, o Ayrton. E psicologicamente ele iria começar o treino classificatório ou a corrida num nível mental superior ao que Alain Prost costumava, e é aí que eu penso que ele tinha vantagem.

Mas, novamente, ele era muito bom com os mecânicos. Ele se entendia muito bem comigo, eu tinha uma relação muito boa com ele. Não trabalhamos juntos tempo o bastante para que essa relação se desenvolvesse no mesmo tipo de relacionamento que eu tive com Nelson, por exemplo, mas ainda assim era uma relação de trabalho muito boa. E... Ele era totalmente dedicado à sua equipe, mas também à sua pilotagem. Sabe, ele nunca parava de pensar onde poderia melhorar, ele continuava trabalhando mesmo quando estava longe da pista... E eu realmente o respeitava por isso. E ele era um amigo muito próximo também... Eu... (longa pausa) Eu me dava muito bem com o rapaz...

(...)Ele era rápido, mas eu penso que o jeito de descrevê-lo muito melhor é dizendo que ele foi o piloto mais completo. Você pode ser rápido, e ainda assim não vencer muitas corridas. Porque você não é capaz de interpretar a engenharia, você tende a cometer erros, por exemplo... Ou você é rápido alguns dias e não tão rápido nos outros dias... Eu trabalhei com muitos pilotos que só são rápidos quando tudo está perfeito. E se algo não estiver como eles gostam, eles não conseguem render. E Ayrton nunca era assim. Ele era rápido sob praticamente quaisquer circunstâncias, porque ele pensava sobre tudo, ele se adaptava às circunstâncias, ou trabalhava com o time para melhorar o carro.

E ele costumava dedicar muito de seu tempo ao desempenho nos treinos de qualificação, para largar na melhor posição possível. Muito mais tempo do que a imensa maioria dos outros pilotos. Ele se integrava bem com o time, seu feedback aos engenheiros era muito bom, e ele tinha muito cuidado com a mecânica dos carros. Muito bom em relação controlar o desgaste de pneus, carro, motor e caixa de câmbio. E isso é o que eu chamo de um piloto completo. E ele era rápido também, é claro. Ele foi certamente o piloto mais completo com o qual eu trabalhei, e essa realmente foi a razão pela qual ele obteve tanto sucesso. "

Como se vê, é possível contar mentiras somente usando-se da verdade.

domingo, 2 de maio de 2010

16 anos... - parte 2

Para relembrar a data, confiram aqui um video com os 5 grandes acidentes ocorridos na curva onde Senna perdeu a vida: numa cronologia triste, Nelson Piquet se acidentou na classificação de 1987 e não pôde participar da corrida; Gerhard Berger foi salvo em meio às chamas no GP de 1989; Michele Alboreto, em testes durante 1991, teve acidente plasticamente quase idêntico ao de Senna e fraturou duas costelas; Patrese, nos treinos livre de 1992, teve seu carro completamente arrebentado, e sofreu uma concussão. Em 1994...

É importante lembrar que a Tamburello deixaria de existir em 1995 dando lugar a uma chicane, vários metros distante do muro. O último GP de San Marino aconteceu em 2006.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Do Baú... - parte 7

Para comemorar a postagem de número 200 do F1 Critics, colocaremos aqui essa hilária entrevista de Nelson Piquet a Reginaldo Leme depois de seu vice-campeonato de 1980, quando chegou a liderar o mundial com sua Brabham por duas etapas, mas acabou perdendo a disputa para Alan Jones, que tinha o melhor carro.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

80s, 90s, 00s...

Foi publicada hoje no GP Total a coluna "Gerações", que traz uma reflexão sobre as diferentes épocas que a Fórmula 1 - e o mundo - têm vivido.

Mansell, Fittipaldi e Andretti: grandes pilotos, grandes tempos.

segunda-feira, 29 de março de 2010

GP da Austrália - Comentários

Mais uma vez, recomendamos àqueles que quiserem uma cobertura decente e detalhada sobre a corrida da Austrália uma visita ao Última Volta.
Tivemos vários destaques nesse memorável GP. Vamos ao "Top 5" dos pilotos.
- Robert Kubica foi, do ponto de vista "posições ganhas" e também sob a ótica "o que fazer com esse carro?", o melhor de todos os 24 que alinharam em Melbourne.
Ele entrou pra galeria de Vettel (Monza-2008) e Fisichela (Bélgica-2009) como um dos poucos que conseguiram inverter de ponta-cabeça o fator carro na Fórmula 1 pós-2000. Corridaça.
Sua largada já foi algo impressionante, dado o número de posições que conquistou naquele pequeno espaço de tempo. Além disso, é sempre importante lembrar que Kubica obteve o pódio em seu segundo GP pela Renault, quando, nas últimas temporadas, a equipe só conseguiu chegar entre os três primeiros a partir de setembro.
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- Jenson Button foi o vencedor, e naturalmente deve ser destaque.
Quando Button colocou pneus lisos - salvo engano, ele foi o primeiro a fazê-lo - estava indo para o 8 ou 80: todas as outras equipes estavam de olho no que aconteceria com o inglês e a partir disso repetiriam sua ação ou não. Ao sair dos boxes, o atual campeão mundial deu uma breve escapada, mas logo em seguida demonstrou que vinha para vencer. E todo mundo foi aos boxes.
Pouco antes disso, Hamilton o havia superado, e poucos foram os que não pensaram que Button estava passando a ser destruído pelo compatriota. No entanto, logo veio a estratégia, o brilho, e a vitória. Como afirmou Marcio Madeira no UV, "Digam o que quiserem sobre Jenson Button. Menos que ele não tem coração de campeão".
Quero comentar, também, o fato de que os cronômetros mostravam fulano sendo mais rápido que Button, mas a tocada do inglês continuava a mesma. Ele precisava acelerar mais? Não. Se precisasse, tenham certeza de que aquela diferença não seria a mesma.
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- Felipe Massa também teve uma largada sensacional - talvez melhor que a de Kubica -, passando três pilotos.
Entretando, o narrador quis a todo custo que crêssemos em duas coisas: 1) Felipe foi o piloto mais pressionado em todo o GP; 2) A Ferrari foi a culpada da perda de "x" posições - ou seja, de um eventual segundo lugar, até mesmo da vitória. Não foi isso o que aconteceu.
No decorrer da prova, Massa teve pouco brilho, mas foi competente para responder à altura quando era ameaçado, ou mesmo para buscar as posições perdidas (ele e Webber alternaram várias vezes).
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- Fernando Alonso foi responsável pelo "heartbeating" do final da prova. Não bastasse a imensa quantidade de posições ganhas (muitas, uma obrigação), o desempenho do espanhol nas últimas 9 voltas, especialmente naquelas em que controlou Hamilton, justificou o regulamento sob o ponto de vista "trazer emoções", como querem os dirigentes.
Uma aposta arriscada feita pela Ferrari (não trocar mais os pneus), que talvez fosse por água abaixo tivessemos ali outro piloto que não o bicampeão mundial. O mais importante foi a mudança de trajetória em pontos e momentos decisivos para que Hamilton "adiasse" o seu bote.
E a freada tardia na curva que culminou na batida de Webber em Hamilton foi digna de dizer que a F1 está voltando aos velhos tempos: confesso que a primeira lembrança que tive quando vi a manobra do espanhol foi a de Nelson Piquet, também na Austrália, 20 anos antes.



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- O quinto e último grande destaque entre os pilotos foi o supracitado Lewis Hamilton. Sua decepcionante classificação no sábado (nem chegou ao Q3) foi totalmente esquecida com sua ótima apresentação. Cada vez mais Hamilton se confirma como o mais espetacular dos atuais pilotos, embora isso nem sempre signifique qualquer superioridade.
Aliás, é importante destacar aquilo que Eduardo Corrêa comentou certa vez, no início da temporada, sobre Button ter uma condução mais suave que a de Lewis. Arrisco dizer que a McLaren é, em termos de pilotos, a equipe mais heterogênea.
Ao fim e ao cabo, Hamilton realizou as melhores ultrapassagens do GP (sobre Rosberg, por exemplo) e o acidente que fê-lo perder uma posição ao final não foi sua culpa.
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Gostaria de fazer outros comentários, um geral e outro específico.
O primeiro é em relação a algo que tem se tornado uma espécie de necessidade na F-1 atual: elogiar Sebastian Vettel. Não o vejo, ainda, como um gênio. Acredito que ele ainda tem muito que mostrar, principalmente na sua postura: não o culpo pelos problemas enfrentados no Bahrein e na Austrália que, oficialmente, foram todos de ordem mecânica: me refiro ao "eles vão ver" de sábado.
O piloto já está em sua terceira temporada completa. Portanto, já está na hora de dosar suas declarações e euforia. Que me chamem de recalcado, etc, mas é o que penso. Um grande campeão não é feito só de velocidade.
E o meu segundo comentário é sobre outro alemão, o maior deles, Michael Schumacher.
Li hoje que a imprensa europeia está pichando o piloto. Foram apenas duas corridas, numa delas ele teve desempenho discreto, e em outra foi apagado, é verdade. Mas tudo isso faz parte de seu período de readaptação, e eu creio firmemente que ele ainda irá melhorar muito, pois sua maior característica ao longo da carreira foi a tenacidade.
Por enquanto, mantenho a "aposta" que fiz ao final do ano passado, quando do anúncio de sua volta.
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E falando em Schumacher, o acidente que fez com que ele e Alonso fossem para o fim do grid, e que causou a perda de alguns postos a Button, lembrou muito aquele do início da temporada 1989: em Jacarepaguá, Senna, Berger e Patrese se envolveram em batida semelhante à da Austrália:



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A Fórmula 1 parece estar, aos poucos, voltando às suas grandes épocas. Por fim, pode-se dizer que essa prova foi a melhor desde a lendária Interlagos-2008. E que venha a Malásia.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Silverstone

Foi ao ar hoje, no GP Total, a coluna "Welcome Back!", numa referência ao retorno de Silverstone ao calendário da Fórmula 1. Nela, o autor relembra cinco corridas sediadas na pista que, para ele, foram as mais marcantes.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Do Baú... - Parte 4

Uma foto que confesso nunca ter visto (ou, pelo menos, não lembrar): Nelson Piquet e Juan Manuel Fangio, dois dos melhores pilotos da história da Fórmula 1, em algum GP dos anos 80.
Saudade!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Notícias - Parte 15

No ar, mais uma coluna de Marcel Pilatti sobre a Fórmula 1, com as últimas de Cingapura, da Renault, de Alonso na Ferrari, dos treinos... enfim, o de sempre.
O carro da Renault, agora sem patrocínios.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Do Baú... - Parte 3

Nelson Piquet, Riccardo Patrese, Alain Prost e Patrick Tambay sentados, John Watson em pé e Gilles Villeneuve à direita.


Variações sobre o mesmo tema: a Fórmula 1 romântica, aquela que não existe mais, aquela que nos traz "Saudades".


Essa foto foi importada do nosso co-irmão "Última Volta" e é do GP da África do Sul de 1982, quando os pilotos chegaram a provocar uma paralisação (i.e. "greve") antes da corrida, devido aos exorbitantes preços cobrados para a super-licença.


Nelson Piquet: autor da melhor ultrapassagem da história, um dos maiores acertadores de carros e tricampeão mundial;


Riccardo Patrese: antigo recordista de Grandes Prêmios disputados e vice-campeão mundial de 1992;


Alain Prost: antigo recordista de vitórias, pontos e voltas mais rápidas, 4 vezes campeão;


John Watson: vencedor de 5 corridas e autor da "maior vitória da F-1", sendo o piloto que mais ganhou posições em uma corrida: largou em 22º, chegou em 1º.


Patrick Tambay: vencedor de 2 GPs e autor de 5 poles, um dos grandes nomes da Ferrari bicampeã de construtores em 1982 e 1983.


Gilles Villeneuve: o "Garrincha da Fórmula 1", o piloto mais arrojado já surgido, vice-campeão mundial de 1979 e maior ídolo da história da Ferrari (de acordo com os ferraristas).


Saudade!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A grande vitória de Piquet

Hoje o F1 Critics chega a seu 100º post. E para comemorar essa importante (?) marca, vamos relembrar um dos momentos mais sensacionais do automobilismo brasileiro. A matéria que se segue foi também reproduzida pelo site Última Volta, que está publicando diariamente o projeto que relembra as 99 vitórias brasileiras na Fórmula 1.
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Nelson Piquet foi três vezes campeão mundial de Fórmula 1, vencendo os campeonatos de 1981, 83 e 87. Além disso, conquistou um belíssimo vice-campeonato, em 1980, quando dispunha de um equipamento inferior ao do campeão. Realizou, ainda, aquela que é considerada por muitos como a mais bela ultrapassagem da história da categoria, na Hungria, em 1986. Mas talvez a sua maior conquista na F-1 tenha acontecido na temporada de 1990.
Naquele ano, Piquet venceu duas corridas, foi ao pódio outras duas vezes, marcou 44 pontos e foi terceiro colocado no mundial. Analisando-se os números friamente, pode-se dizer que sua performance não teve nada de espetacular, principalmente se comparada aos anos supracitados. Porém, o grande detalhe é que Nelson estava pilotando um Benetton-Ford, um carro que, em boa parte daquele ano, era apenas o quarto melhor equipamento do grid.
Iniciando a década, Piquet não vivia uma boa fase: havia vencido pela última vez em 1987 e não subia ao pódio desde 1988. Já a Benetton, que estreara na F-1 em 1984, embora tivesse obtido duas vitórias (uma com Berger, no México em 1986, aproveitando-se da superioridade dos pneus Pirelli para fazer a corrida sem troca, e outra com Nannini, em 1989, quando herdou a 1ª posição de Senna na polêmica desclassificação do brasileiro em Suzuka) ainda não podia se considerar um “time de ponta”.
Dessa forma, é possível dizer que tanto Piquet quanto a Benetton precisavam um do outro: a equipe carecia de um piloto que pudesse desenvolver o carro, para poder ser definitivamente considerada vencedora; E Piquet precisava de um equipamento que lhe permitisse, ao menos, lutar por pódios, coisa que na decadente Lotus já havia se tornado impossível. Assim, Nelson Piquet e Flavio Briatore (chefe da Benetton) chegaram a um consenso, assinando contrato de duas temporadas.
O ano começa bem, com Piquet chegando na 4ª posição em sua estréia, o GP dos EUA. O piloto pontua nas duas corridas seguintes: no GP do Brasil é sexto, após ter largado em 13º. Embora tenha sido sua pior posição em treinos no ano, acabou por ser uma de suas provas mais brilhantes, principalmente pelas voltas finais, quando ultrapassou Jean Alesi no último giro. Piquet estava em sua décima-segunda temporada completa, mas tinha fôlego de estreante.


Em San Marino, conquista uma honrosa 5ª posição, após largar em nono. Na prova posterior, em Mônaco, abandona com problemas mecânicos. Mas no Canadá, 5ª etapa, Piquet dá sua primeira grande demonstração de força: partindo em 5º – sua melhor largada no ano – terminou em segundo, após vencer um duríssimo duelo com a dupla da Ferrari. De quebra, com a vitória de Senna completou a primeira dobradinha brasileira desde setembro de 1987.
Nas três provas seguintes (México, França e Inglaterra) vai bem, sendo 6º, 4º e 5º, nessa ordem. Mas acaba tendo de abandonar na etapa da Alemanha, por conta de problemas no motor. Detalhe: ele estava em terceiro no momento do abandono. Já na etapa seguinte, Hungaroring, o brasileiro retorna ao pódio com uma brilhante terceira colocação, após ter largado em nono. Coincidentemente, era seu aniversário: Piquet completava 38 anos.
A essa altura, Piquet já era o quinto colocado do mundial, com 22 pontos. Nas nas quatro etapas que se seguem, foi duas vezes quinto, uma sétimo e em outra corrida sofreu mais um abandono. Dessa forma, caiu para sexto no campeonato, sendo superado por Mansell. Faltando duas corridas para o final da temporada, o cenário não era muito animador: Piquet estava 15 pontos atrás de Berger, o terceiro, com apenas 18 em jogo.
Mas aí entra um fator apontado pelo jornalista Márcio Madeira da Cunha em alguns textos sobre as vitórias de Piquet no início dos anos 80: Piquet crescia, e muito, em momentos de decisão. E, embora em 1990 não estivesse disputando o título, ele tinha outras motivações: a terceira posição na tabela, apesar de pouco valorizada em geral, representaria muito para uma equipe que obteve como sua melhor classificação no mundial de pilotos um quarto lugar.
Como se não bastasse, Piquet tinha chances matemáticas de superar uma Ferrari e uma McLaren na classificação, o que seria uma demonstração claríssima de que, tivesse um equipamento melhor, ele teria condições de disputar o título. Some-se a isso a disputa direta com seu maior rival, Mansell, e a possibilidade de a Benetton firmar-se como terceira força – não é segredo para ninguém que, hoje em dia, o mundial de construtores é cada vez mais importante.
E assim a Fórmula 1 muda-se para o oriente, para disputar o sexto Grande Prêmio do Japão, o quarto em Suzuka. Piquet consegue a 6ª posição no grid. Só na largada, ganha três posições: uma na ultrapassagem sobre Boutsen, e duas com o acidente de Senna e Prost. Na 2ª volta Berger, que vinha liderando, roda e abandona, e com isso Nelson já era segundo. Então Piquet manteve-se firme na segunda posição, até Mansell abandonar na volta 27, com problemas no carro.
A partir dali, foram 26 voltas de uma pilotagem segura de Nelson Piquet, como nos velhos tempos, sem cometer erros e “estudando” o carro. Foi um dia de muita alegria para o Brasil, pois Senna confirmava o seu segundo título, Piquet tornava a vencer após mais de três anos, e ainda por cima Roberto Pupo Moreno, que fazia sua estréia na Benetton, conseguiu chegar em segundo, completando uma dobradinha (a última dobradinha de pilotos brasileiros até hoje).


No entanto, apesar da bela vitória – que o colocava agora na quarta colocação no mundial –, ainda circulavam dúvidas quanto à real possibilidade de Piquet subir na tabela, uma vez que a primeira colocação no Japão foi atribuída muito mais à sorte do que ao seu talento natural ou à melhora que ele trouxe ao equipamento. Com o título mundial já decidido, a Fórmula 1 rumava à Austrália para aquele que seria o 500º Grande Prêmio de sua história.
A etapa da Oceania seria sediada no circuito de rua de Adelaide, pista que passou a fazer parte do calendário da Fórmula 1 em 1985. Lá, Piquet oscilava bons e maus resultados: abandonou em 1985, 87 e 89, foi segundo colocado em 1986, e terceiro em 1988 – este, seu último pódio correndo pela Lotus. Portanto, em termos de retrospecto pode-se dizer que a expectativa para o GP de 1990 não era muito grande, ainda mais porque o piloto obteve a sétima marca, nos treinos.
Mas o que se viu, na verdade, foi uma das mais belas apresentações da gloriosa carreira do brasileiro. O cenário apresentado foi muito parecido com o de Suzuka, com Piquet superando cinco concorrentes até metade do GP. No entanto, se na etapa japonesa essas posições foram conquistadas através dum misto de acidentes e falhas mecânicas nos carros rivais, em Adelaide todas elas vieram mediante ultrapassagens arriscadas e precisas...
Só na primeira volta, o piloto ganhou duas posições: ultrapassou Riccardo Patrese logo na largada, e algumas curvas depois tomaria o lugar de Alesi. Na 3ª volta da prova, ultrapassou Alain Prost, e na nona superou Gerhard Berger. Vinha se mantendo na terceira posição, até que, na volta de número 45, conseguiu uma boa ultrapassagem sobre Nigel Mansell. Só restava a Piquet o então líder, Ayrton Senna, que mantinha uma boa distância, sem ser ameaçado.
A sorte também é parte de um grande campeão, e Piquet sustentava sua posição quando Senna teve um problema mecânico que o faz passar reto numa curva e chocar-se contra a barreira de pneus. Era a 62ª de 81 voltas previstas e, a partir desse momento, Nelson não mais perderia a liderança, embora tivesse a constante ameaça de seu velho inimigo Nigel Mansell, que vinha melhorando seus tempos após a troca nos boxes – o inglês marcou a melhor volta da prova no 75º giro.
Seria nessa briga que Piquet garantiria sua vitória, e a terceira colocação no mundial: o piloto contava com 35 pontos, ante 31 de Mansell. Mas Piquet, pontuando nesse GP, teria de descartar um ponto, ao passo que Mansell teria todos os seus resultados válidos. Isso significa que qual dos dois vencesse a prova seria terceiro no mundial. E, como dito anteriormente, Piquet crescia muito em momentos decisivos.
A cinco voltas do fim, ele comete um pequeno erro que permite a aproximação de Mansell. Os dois carros percorrem muito próximos as voltas finais, mas Nelson consegue impor um ritmo surpreendentemente forte, mantendo Mansell sob controle. Isso até encontrar pela frente a Brabham de Stefano Modena, na entrada da grande reta na última volta. Sem intenção o retardatário prejudica o andamento do tricampeão, e desse modo o “Leão” programa uma manobra para tentar ultrapassar o ex-companheiro de Williams, exatamente no mesmo ponto onde este ultrapassara Berger e Prost. Piquet vem por fora na curva, e Mansell tenta jogar o carro por dentro. O brasileiro tangencia primeiro, obrigando Mansell a frear bruscamente para evitar o choque. Resultado: o inglês frita os pneus e quase sai da pista.


Foi uma verdadeira aula de determinação e técnica do piloto brasileiro, mostrando ao mundo por que era tricampeão mundial. Tudo isso, como vimos, aos 38 anos de idade. Mas o saldo daquela manobra seria muito maior: Piquet igualava o número de vitórias obtidas por todos os pilotos da equipe Benetton em seis anos de existência; Seus 44 pontos no mundial eram maiores que todas as pontuações da equipe, inclusive em mundiais de construtores (!); E passava a ser o piloto com o maior número de quilômetros percorridos em 1990.
Outras marcas importantes obtidas naquela corrida: Piquet passava a ser o terceiro maior vencedor do ano, sendo o único fora Senna (6) e Prost (5) a vencer mais de um GP; ao completar a corrida, se tornava o piloto com o menor número de abandonos no ano, apenas três, contra quatro de Prost (Senna não completou cinco provas); e ao terminar na zona de pontos, se igualava ao francês como piloto que pontuou no maior número de GPs: foram doze, no total – Senna pontuou em 11.
E, por fim, essa se tornaria a segunda vitória da maior seqüência de trunfos brasileiros na F-1: foram sete consecutivos, entre 1990 e 91: duas de Piquet no final de 90, mais 4 de Senna e uma de Nelson no início de 91. Isso coloca os brasileiros ao lado da Alemanha (Schumacher venceu sete provas seguidas em 2004), e abaixo somente da Itália (foram 9 trunfos de Alberto Ascari ao longo de 1952 e no início de 1953).
Na Fórmula 1, pouquíssimos são os pilotos que, de fato, merecem a alcunha de “gênio”. E, por tudo que fez ao longo daquela temporada, Piquet certamente é um deles.

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Resultado do GP da Austrália de 1990:

1) Nelson Piquet (Benetton-Ford-HB B190), 81 voltas em 1h49min44s570
2) Nigel Mansell (Ferrari F90-2), + 3.129
3) Alain Prost (Ferrari F90-2), + 37.259
4) Gerhard Berger (McLaren-Honda MP4-5B), + 46.862
5) Thierry Boutsen (Williams-Renault FW-13B), + 1:51.160
6) Riccardo Patrese (Williams-Renault FW-13B), + 1 volta

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Do baú... - Parte 2

*Adelaide/90. Scaneado da revista Grid, em edição de 1994, post-mortem de Senna.

Essa pérola foi tirada antes do Grande Prêmio da Austrália de 1990, etapa que encerrava a temporada daquele ano, corrida que Piquet venceu e que sagrou o segundo título de Senna. Creio que essa seja a maior reunião de títulos mundiais já feita numa foto. São nada menos que 19 campeonatos de Fórmula 1.

Em pé: James Hunt (1976), Jackie Stewart (1969-71-73) e Denny Hulme (1967). Sentados: Nelson Piquet (1981-83-87), Juan Manuel Fangio (1951-54-55-56-57), Ayrton Senna (1988-90-91) e Jack Brabham (1959-60-66).

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

As 99 vitórias brasileiras na Fórmula 1...

Um fato que passou despercebido, ao final da temporada de 2008, foi que em Interlagos Felipe Massa obteve a vitória de número 99 para o Brasil: Ayrton Senna ganhou 41, Nelson Piquet, 23, Emerson Fittipaldi, 14, Felipe Massa, 11, Rubens Barrichello, 9 e José Carlos Pace, 1.
Logo, é motivo de comemoração, dada a iminência da centésima vitória em 2009 - muito provavelmente com o próprio Felipe.
Apenas dois países, Alemanha e Inglaterra, chegaram a essa marca: os alemães, impulsionados por Michael Schumacher, possuem 104 vitórias: 91 de Michael, 6 de Ralf Schumacher, 3 de Heinz-Harald Frentzen, 2 de Wolfgang Von Trips, 1 de Sebastian Vettel e outra de Jochen Mass.
Por outro lado, os ingleses são os grandes recordistas, com 130 triunfos, sendo Mansell o maior vencedor, com 31; Em seguida, aparecem Damon Hill, 22, Stirling Moss, 16, Graham Hill, 14, James Hunt, 10, Lewis Hamilton, 9, John Surtees e Tony Brooks, ambos com 6, John Watson, com 5, Peter Colins, Johnny Herbert e Mike Hawthorn, três cada e, por fim, Jenson Button e Innes Ireland, com uma cada.
(em algumas fontes inglesas, é normal ver menção/comemoração a 199 vitórias, dada a inclusão das 25 de Jim Clark, das 27 de Jackie Stewart, e mais as 13 de David Coulthard, pilotos escoceses, além das 4 do norte-irlandês Eddie Irvine - que, nesses casos, são provinientemente chamados de "britânicos" -, mas na Copa do Mundo, a Escócia é uma seleção à parte.)
Assim, sabendo da importância dessa marca, o site Última Volta deu início ao especial "As 99 vitórias do Brasil na Fórmula 1", no qual serão publicados, diariamente, relatos e/ou depoimentos sobre cada uma das 99 vitórias.
A primeira delas, em Watkins Glen, GP dos EUA-70, teve uma entrevista exclusiva com o grande precursor do Brasil na F-1, Emerson Fittipaldi. Marcel Pilatti, um dos autores desse blog, relatou a 3ª vitória de Emerson, no GP da Bélgica, em 1972.
Hoje, podemos conferir mais uma corrida narrada pelo excepcional Márcio Madeira da Cunha, Áustria/1972, e nessa terça-feira, teremos o depoimento do "Barão" Wilson Fittipaldi, pai de Emerson e Wilson Jr., e narrador da grande corrida de Monza/1972, que garantiu o primeiro título do Brasil na F-1.
Não deixem de conferir.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Do baú...

Essas duas fotos foram importadas do blog do Pandini. Espero que ele não fique chateado, mas são duas imagens sensacionais que encontrei lá, e merecem ser divididas com os leitores (who?) do F1 Critics:

1) Silverstone, 1983

crédito: acervo particular Darcio dos Santos
Essa foto merecia ser postada pelo simples fato de reunir Nelson Piquet e Ayrton Senna: Piquet é o segundo, e Senna o quarto, ambos em pé, olhando-se da esquerda para a direita. Quando ela foi tirada, Ayrton estava caminhando a passos largos para ser campeão de Fórmula 3 (e se tornar o maior vencedor das "categorias de acesso à F-1" de sempre) com vários recordes, enquanto que Nelson Piquet rumava ao seu fantástico bicampeonato na Fórmula 1, lutando contra carros melhores que o seu Brabham - a equipe de Nelson foi apenas a terceira colocada no mundial de construtores.
Mas além dos dois, trata-se de uma foto histórica pois reúne mais alguns personagens importantes do nosso automobilismo: o mais conhecido Raul Boesel, último em pé, à direita, que nesse ano disputava sua segunda temporada na F-1. Além dele, temos ali: Oswaldo dos Santos (ao lado de Senna), que foi vice da F-VW brasileira e disputou F-Ford inglesa, Maurizio Sala (o primeiro, agachado), que foi grande rival de Senna em algumas categorias de base, e campeão de F-Ford, o próprio Darcio Santos (entre Senna e Piquet), corredor de Kart e vencedor de várias outras categorias por aqui, e José Carlos Romano (o segundo agachado), que corria na F-2 do Brasil. Ah, e o Paulinho, primeiro à esquerda, amigo dos pilotos, apenas.
Momento raro, e histórico.

2) Mille Miglia, 1950

crédito: Alberto Sorlini, no livro "Tazio Vivo"

Foto tirada antes das Mil Milhas, de 1950, reúne, a exemplo da primeira foto, dois dos maiores pilotos da história do automobilismo: Juan Manuel Fangio e Tazio Nuvolari. Mas, diferentemente de Senna e Piquet, Fangio e Nuvolari não eram contemporâneos muito menos conterrâneos´, tampouco a época em que corriam tinha apêlo midiático - claro que a primeira foto, em si, não é "de mídia", mas me refiro às possibilidades de realizações dos encontros.
Nuvolari representa, para muitos, talvez o piloto mais sensacional da história: correu quando não havia um campeonato mundial organizado, mas sim Grandes Prêmios que aconteciam com uma certa regularidade. Nuvolari, menos pelas vitórias e mais pelas façanhas, é considerado um verdadeiro gênio das pistas. Tinha 58 anos nessa foto, e foi sua última corrida - com seu companheiro, foi quinto colocado no geral.
Fangio, na opinião de muitos foi o melhor, também. Suas incríveis conquistas na Fórmula 1 o colocam nesse patamar: além de ser o segundo piloto com o maior número de títulos, tendo sido recordista por quase cinqüenta anos, possui o melhor aproveitamento em TODOS os quesitos: pontos, pódios, vitórias, poles, melhores voltas, títulos, enfim... Nessa corrida, ele foi o terceiro classificado, junto ao seu parceiro de prova.
Como disse o Panda, "este homem [Alberto Sorlini] já mereceria uma estátua pelo simples fato de ter feito a foto acima".

domingo, 12 de outubro de 2008

Mais uma?!

Seu chefe de equipe é Flavio Briatore. Ele veio para essa equipe após anos conturbados, em que teve de lutar contra um piloto promissor inglês, numa equipe inglesa. Depois de vir para essa equipe, amargava um bom período ausente de vitórias, sendo inclusive "dado por vencido". Mas, na reta final da temporada, conquista duas vitórias espetaculares.

A descrição acima parece perfeitamente se encaixar com a situação de Fernando Alonso em 2008, certo? Mas eu estava falando de Nelson Piquet (o pai), em 1990.
Piquet, depois de uma saída conturbada da Williams, em 1987, teve de, literalmente, amargar o limbo na carroça da Lotus. Ao final do seu contrato, foi para a Benetton, e começou a se reerguer. No final da temporada de 1990, venceu dois GPs, exatamente os dois últimos, e a coincidência se mostra ainda maior porque Piquet vencera os GPs 15 e 16, exatamente a "ordem" das corridas vencidas por Fernando, que agora tem ainda outras duas etapas pela frente.
Mais uma coincidência se dá que Alonso, em Cingapura, foi o vencedor do GP de número 800 da Fórmula 1, ao passo que Piquet, na Austrália, havia vencido a 500ª corrida. As semelhanças entre as carreiras dos dois são enormes, e o estilo de pilotagem de ambos também é muito parecido.
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Se a vitória de Alonso, em Cingapura, foi "de sorte", a de Piquet no Japão também havia sido: o acidente de Senna e Prost, e as quebras de Mansell e Berger, dando de herança a primeira colocação para Nelson. Porém, na Austrália, Piquet venceu no braço, tendo como único "fator sorte" a quebra de Senna a 20 voltas do fim - Ayrton vinha em primeiro.
Porque Piquet passou os outros desafiantes (Berger, Mansell e Prost), um por um, e na última volta defendeu-se de maneira brilhante de uma tentativa de ultrapassagem de Nigel Mansell.
E o que Alonso fez hoje foi simplesmente fantástico, ainda mais do que fizera em Cingapura. A única "sorte" que o piloto teve foi a de, na primeira curva, não escapar da pista - como fizeram os pilotos das equipes 'grandes'. E no dia em que não errar for sorte, teremos de rever todos os nossos conceitos sobre a vida.
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Alonso fez uma corrida extremamente brilhante pois, além de não ter errado ou se envolvido em acidentes ridículos (e.g. Massa X Hamilton, Bourdais X Massa), andou num ritmo extremamente forte: até metade da corrida (pouco antes da segunda parada), fôra ele o autor das 3 voltas mais rápidas do circuito!
Alonso, de início, vinha em segundo lugar, atrás de Robert Kubica, e a diferença entre os dois oscilou entre 1 e 1.6 segundos, nas primeiras voltas. E, então, após incessantes conversas com os engenheiros, adotou-se uma estratégia ousada: Alonso faria uma primeira parada mais rápida que a de Kubica, colocando menos gasolina, e tentaria abrir uma vantagem segura em seu retorno à pista.
Deixa com ele que ele resolve: Alonso, mais uma vez, cravou recordes de pista, e chegou a ficar quase 11 segundos à frente do polonês. Alonso fez a sua segunda parada nos boxes, e 3 voltas depois foi a vez de Kubica. Alonso permaneceu à frente, com uma vantagem segura. E aí, veio a 21ª vitória.
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Alonso conseguiu duas belas marcas, em Fuji: em primeiro lugar, passou Coulthard e Barrichello se tornando o maior pontuador da atualidade, e o 4º da História da F-1, com 538 pontos. Além disso, com esse trunfo, Alonso supera Mika Häkkinen no histórico, se isolando como 11º maior vencedor da categoria - Häkkinen somara 20 ao longo de seus 162 GPs.
Agora, Alonso seguirá no encalço de: Damon Hill (22 vitórias), Nelson Piquet (23), Juan Manuel Fangio (24), Jim Clark e Niki Lauda (25 cada), Jackie Stewart (27) e Nigel Mansell (31). Sobrariam, ainda, as 41 vitórias de Senna, as 51 de Prost e, claro, as 91 de Schumacher.
Alonso tem todas as condições de superar os cinco primeiros já no ano que vem, caso a Renault realmente apresente uma melhora consistente: Alonso, conquistando cinco vitórias, superaria D. Hill, Piquet, Fangio e Lauda/Clark, ficando uma atrás de Stewart.
Porém, é notável que, em 2010 - caso consiga mesmo a vaga na Ferrari ou então a Renault volte a ser "top de linha" - ele poderá se firmar como o quarto maior vencedor da categoria, superando inclusive Mansell. Acredito que Alonso terá, também, todas as condições de superar Senna e Prost em vitórias. Já as de Schumacher, parecem inalcançáveis.
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Porém, sempre defendi que os números denotam se ou quanto um piloto é bom, mas não servem para, apenas olhando-os, analisar se este ou aquele é melhor: há todo um contexto, e diversas situações envolvidas. Por isso, embora tenha 8 pilotos com mais títulos (Schumy, Fangio, Prost, Senna, Piquet, Stewart, Lauda e Brabham), e outros 5 com os mesmos 2 campeonatos conquistados (Ascari, G. Hill, Clark, Fittipaldi e Häkkinen), Alonso já está alinhado entres os 10 melhores pilotos de Fórmula 1 já surgidos.
Numa primeiríssima linha, coloca-se Fangio, Senna, Schumacher e Clark (e o que pode mudar aqui é a ordem que você os dispõe); Alonso viria no "segundo" e luxuoso escalão, ao lado de montsros como os citados Piquet, Prost, Brabham e Fittipaldi, além de Stirling Moss - esses três últimos, como Alonso, ganharam menos que Stewart ou Lauda, mas os superam por tudo o que fizeram nas pistas.
E quando falo em "estar alinhado", não me refiro a uma ordem (5º melhor, 6º, etc), apenas os coloco no mesmo nível.
É questão de tempo para Alonso merecer ser classificado acima deles e, quem sabe, bater à porta dos 4 maiores.
Daí iremos lançar um novo olhar para esse piloto que bateu Schumacher nas pistas, recolocou a McLaren na trilha das vitórias, e está tirando a Renault do fundo do grid...
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Peguemos, por exemplo, a evolução da Renault.
É gritante a diferença que a pilotagem de Alonso fez, na equipe. Ele soma 48 pontos no campeonato. Ano passado, a Renault somou 51 nos CONSTRUTORES. Isso significa que, no mínimo, Alonso é muito melhor que Kovalainen e Fisichela. Kovalainen, amigos, que agora pilota uma McLaren e soma 51 pontos.
Não se assustem se, após o GP do Brasil, virem Fernando Alonso acima do piloto da McLaren, o que representaria uma das maiores humilhações da história recente da Fórmula 1. Pois, com a McLaren, Alonso venceu 4 corridas, e somou apenas um ponto a menos que o campeão do ano passado. Pode ser, ainda, que Alonso bata Heidfeld, da BMW, que atualmente tem 8 pontos na sua frente.
E não falo da evolução da equipe francesa apenas no sentido estatístico: me refiro ao desempenho. É só puxarmos um pouco na memória, e vermos o que era a Renault: nem se classificava entre os dez primeiros, nos treinos. Alonso se classificou entre os dez primeiros em 14 das 16 corridas do ano, tendo se classificado uma vez na primeira fila, e noutras duas na segunda.
E algo tão cômico quanto impressionante: se levarmos em consideração o campeonato a partir do GP da Hungria - o que representa as últimas seis corridas - teríamos o seguinte:
1) Alonso, com 35 pontos (2 vitórias e 3 quarto lugares);
2) Hamilton, com 26 pontos (1 segundo lugar, dois terceiros, um quinto e um sétimo);
3) Massa, com 25 pontos (2 vitórias, um sexto e um sétimo lugares);
4) Vettel, com 24 pontos (1 vitória, dois quintos, um sexto e um sétimo lugares);
5) Kubica, com 24 pontos (1 segundo, dois terceiros, um sexto e um oitavo lugares);
6) Kovalainen, com 23 pontos (1 vitória, um segundo e um quarto lugares);
Não quero, com isso, recorrer ao pobre discurso de que "se o campeonato começasse na Hungria, Alonso estaria liderando"... Falo apenas de um fato real: O cara tem uma Renault, ganhou duas corridas, e na reta final somou mais pontos e pontuou em mais GPs que os principais postulantes ao título. É loucura achar que ele levaria a taça com um carro um pouquinho melhor?...
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Segue aí um trecho da excelente coluna de Eduardo Correa, no GP Total, esse domingo:
"Recomendo aos dois aspirantes ao título que estudem em detalhes a verdadeira aula ministrada pelo espanhol, levando o seu Renault a um lugar no grid de largada e depois a um vitória que nem os seus mais ardorosos fãs poderiam imaginar. De quebra, Alonso ainda ridicularizou Robert Kubica e a BMW, que supostamente lhe negou um lugar em 2009.
Dele só se pode reclamar de uma coisa: ao romper com a McLaren, ele nos privou de uma disputa emocionante contra Hamilton e a dupla da Ferrari, uma disputa capaz de rivalizar com aquela que envolveu Prost, Senna, Piquet e Mansell em 86-87".
Quem puder, veja o video a seguir: uma seleção de várias imagens da carreira de Alonso, e uma estranha profecia implícita...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Outros tempos...

Stirling Moss disse, em entrevista essa semana, sobre a punição a Lewis Hamilton: "a F-1 não é mais um esporte e isto é uma das piores coisas que você pode dizer".
Não. Não vamos voltar à discussão sobre se foi justo ou se teve um "quê" de política envolvido. Mas é que essa frase, dita por um dos melhores pilotos de todos os tempos, me bateu uma certa nostalgia, e me fez novamente cair naquela dualidade que cerca os amantes de Fórmula 1: "afinal, isso que amamos é esporte ou negócio?"...
Não estou falando apenas de decisões arbitrárias da federação que influem no campeonato, nem da influência do dinheiro acima de outras questões primordiais naquilo que caracteriza um esporte de verdade.
Me refiro a uma espécie de clima, de sensações, de memórias... de saudade. Isso mesmo, saudade. Como quem sente saudade da infância, das grandes descobertas da vida, de alguém, de um lugar... A Fórmula 1 de hoje não me parece ser algo que nos remeterá a isso dentro de 10 anos, por exemplo.
Junto à frase de Moss, acabei (re)lendo essa coluna do meu amigo Eduardo Corrêa, do GP total: o nome é bem sugestivo: Saudades. Foi escrita ao fim da temporada de 2006. Quem puder, leia, pois é simplesmente maravilhosa, e traz imagens sensacionais.
Cito um trecho curto: "Saudades de ver os pilotos de Fórmula 1 almoçando de quentinha, sentados sobre caixas de ferramentas, os macacões arreados até a cintura para aliviarem o calor. E tomando uns goles de vinho, porque ninguém é de ferro".
É a isso que estou me referindo: um clima muito mais amistoso, humilde, sem afastamentos, proibições, luxos, ostentações... um tempo em que a corrida, o pé embaixo, o cheiro de gasolina, os roncos dos motores, tudo isso era o espetáculo em si, e não apenas parte dele - como é hoje.
Não quero soar chato, nem repetitivo, muito menos moralista. Mas, sim, eu tenho saudade.
"Naquele tempo", obviamente, não havia decisões controversas da FIA de modo a sugerir que este ou aquele piloto, aquela equipe ou outra, deveria levar o título, pelo menos não de modo calculado - mas isso não é o mais importante.
Acontece que naquela época não havia brigas para fazer propaganda de cigarro impedindo que se realizasse o GP da Bélgica em duas temporadas; Não havia nenhum Herman Tike (sei lá como se escreve) para simplesmente "mutilar" uma das melhores pistas da história (Hockenhein); Nem tampouco havia invenções de Grandes Prêmios em lugares onde a Fórmula 1 tem o mesmo peso de um show de calouros; Não havia pilotos que não poderiam nem tirar carteira de motorista e enfiam milhões de dólares numa equipe pequena roubando vagas de talentos promissores...
Quem acompanha o nosso blog deve ter visto, por exemplo, a parte final do especial dos "pódios brasileiros", onde há uma imagem do GP dos EUA de 1991. Naquele pódio estavam juntos 3 dos maiores pilotos da história da Fórmula 1: Nelson Piquet, Alain Prost e Ayrton Senna.
Quem estava lá para premiá-los era ninguém menos que Jean-Marie Balestre, o "todo poderoso", o Bernie Ecclestone da época. E o que vimos foi Senna e Piquet tirando sarro do "chefão": Ayrton fingiu estapeá-lo, enquanto Piquet lhe fez chifrinho e desarrumou a gravata.
Genial. Aquele pódio foi uma cena absolutamente emblemática, pois parecia estar sendo decretado o fim de uma era: não, não falo do simples fato de 3 monstros sagrados estarem reunidos pela última vez - coisa que dificilmente se repetirá -, mas que ali se decretava o fim do romantismo na Fórmula 1.
Tudo bem. Eu sei que nos anos 50 já havia ordens de equipe para trocas de posições e que no fim daquela década Fangio abandonou as corridas porque "percebeu que as coisas haviam mudado" (falando do dinheiro investido na produção dos carros); sei também que já nos anos 60 era possível ver carros pintados com marcas de patrocinadores, e que já exisitiam mentiras e omissões sobre mortes de pilotos nas pistas...
Mas, sei lá, eu acho que a Fórmula 1 era mais "pura". Ainda era um esporte. Foi isso que despertou as paixões de tanta gente ao redor do mundo. E que nos faz continuar acordando todos os sábados e domingos pela manhã para acompanhar pilotos acelerando por uma ou duas horas...
A Fórmula 1 era antes uma paixão, misturando desafio e idealismo, e não um meio de se obter dinheiro, de conquistar poder, e de "maquiar" resultados...
O que dizer, meus amigos, de Berger largando no GP da Austrália de 1988 com pouca gasolina, passando todo mundo em poucas voltas, e depois provocando uma batida com um retardatário para não perceberem a pane seca? Tudo isso porque ele tinha um vôo marcado antes do término da corrida! E o que dizer sobre o novato Jean Alesi dando de besta (no bom sentido) pra cima de Senna em Phoenix-90?
E que tal Nelson Piquet desmaiando no pódio do GP do Brasil de 1982, porque o capacete estava muito apertado e abafou-o? E Senna com as luvas rasgadas e furadas após o GP da Bélgica de 1988 (ver a imagem do nosso perfil) ou sem conseguir erguer o troféu de tanta dor no Brasil-91? E Prost derrubando o champagne no pódio? E Mansell cortando a mão com um troféu? E o mesmo Mansell, no GP dos EUA de 1984, desmaiando ao empurrar o seu carro que travara o câmbio para tentar completar a corrida?
E Prost, fazendo o mesmo na Alemanha em 1986, quando ficara sem gasolina, e levou seu carro até o sexto lugar para poder vencer o título no final do ano por dois pontinhos? E Senna pegando carona com Mansell no GP da Inglaterra de 1991 porque abandonou na última volta? E Jack Brabham, nos Estados Unidos-59, garantindo o título ao empurrar seu carro para um quarto lugar?
E que tal o Marquês de Portago, nos anos 50, ou os Condes Von Trips, anos 60, e Dumfries, anos 80 - esses títulos não são simples eufemismsos - disputando corridas? E milhares de mecânicos e jornalistas atravessando a pista de Monza logo após a largada em 1972? E Piquet dando um arroto no meio de uma entrevista coletiva nos anos 80? E Ronnie Peterson autografando o seio de uma fã no paddock do GP de Mônaco (não lembro exatamente o ano) em meados dos anos 70? E James Hunt comemorando o título de 1976 com uma "latinha"?
Sabemos que essas cenas são absolutamente inimagináveis nos dias de hoje, e não será que hoje em dia esses caras seriam multados, desclassificados, punidos, etc?
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Vou deixar os amigos com uma foto que me impressionou muito, e que, a priori, foi o que originou a idéia de escrever essa coluna:
Grande Prêmio da Argentina de 1960. Ao fundo, vê-se o piloto Roberto Bonomi, argentino, na única prova que disputou na Fórmula 1, pilotando um carro da "Scuderia Centro Sud". À frente, Harry Schell, piloto norte-americano, dirigindo a famosa Cooper que nesse ano daria o bicampeonato a Brabham. Reparem, olhem bem, nesse 'fiscal de pista' jogando-lhe água, e o piloto com a boca aberta esperando engolir alguns mililitros... Essa imagem é tão chocante quanto emocionante. A Fórmula 1 tinha um ar de "Maratona de São Silvestre", e os pilotos ficavam enfurnados em seus carros por duas horas e meia de corrida, debaixo de um calor imensurável, e vencer muitas vezes significava "resistir mais"...
Pois quando eu vi essa foto lembrei que, esse ano, a imprensa inglesa reclamou de uma suposta "falta de fornecimento de água" a Lewis Hamilton no GP da Malásia: "Lewis sofre tortura de água", afirmou o "The Sun"."Lewis Hamilton briga com a desidratação", continuou o "The Times". "Lewis não tem sorte. Nem água", destacou o "The Evening Standart". E o "Daily Mirror" afirmou que o inglês não tinha "nada para beber", mas "andou carregado"...
Coitadinho, né? E se eles vissem essa foto?...
Saudades.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

As voltas mais rápidas de Senna - Partes 1 e 2

Senna tinha na pole position sua especialidade e, mesmo deixando de ser o recordista nos últimos dias de Schumacher, nem mesmo os fãs do alemão podem contestar a superioridade de Ayrton nesse quesito.
Porém, quando se trata da melhor volta em corrida, Senna não está entre os principais - nas estatísticas. Como entender isso?...
Já está no ar, no GP Total, a o especial que vai relembrar e analisar as 20 voltas mais rápidas - em corrida - obtidas por Ayrton Senna ao longo de sua carreira. Ontem, foi colocada a primeira parte, que vocês podem ver clicando no link acima. Hoje, entrou a segunda.
Recentemente, numa pesquisa feita pela revista F1 Racing, em entrevista com chefes de equipe, pilotos atuais e ex-pilotos, Ayrton Senna foi considerado o piloto mais rápido de todos os tempos.
Essa "eleição", na verdade, é apenas uma de várias já feitas no estilo, que considerarm Ayrton o piloto mais rápido a ter pilotado um fórmula 1.

Leiam lá, comentem aqui.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Se cuida, Galvão!

Ainda vamos trazer aqui a análise do GP e as notas dos pilotos. Mas faremos um comentário diferente sobre a corrida: vamos falar dos erros da narração, e dar uma pequena amostra de como os amantes de Fórmula 1 sofrem por ter de ver e ouvir certas coisas...
Galvão tem erros históricos. Um deles, no lendário GP da África do Sul de 1983, corrida do bi-campeonato de Nelson Piquet. Reparem na falta de noção do cidadão:

Mas aviso: É bom Galvão Bueno se cuidar, pois Cléber Machado já está à sua altura nas narrações de F1. Não sei se o Cléber consegue passar a mesma emoção, mas já está cometendo erros igualmente brutais. para ficar nos dois mais notáveis.
a) nos treinos (isto é, naquele compacto chinfrim), Cléber Machado começou a divagar sobre quantas pistas diferentes a F1 já teve, que Valência é isso, Cingapura aquilo... E falou: essa corrida será a de número 497 da Fórmula 1, e assim, Cingapura fechará a de número 500. Quase caí da cadeira: No Grande Prêmio da Austrália de 1990 - dezoito anos atrás - vencido por Piquet, a F1 vivia seu 500º GP. Qualquer livro ou site sobre F1 cita isso.
Na hora eu fiquei abobado, e pensei: "Logo o Reginaldo corrige e ele fala o certo no ar"... E, claro, Cleber se corrigiu: "Na verdade, não será a corrida 500", disse... "é a de quatrocentos".
Socorro! A F1 fez em Valência o GP 797, e será 800º daqui um mês. Claro, o leitor vai dizer que estou sendo duro demais, pois Cléber pode ter simplesmente confundido algarismos, o que em si não é problema, mesmo. Mas a crítica é pelo fato de alguém que fala a 20, 30, 50 milhões de pessoas no Brasil não saber que nosso Piquet venceu o GP 500 há 18 anos.
E o mais curioso: quem narrou aquela corrida foi... CLÉBER MACHADO! Confiram:

b) na corrida, Kimi Räikkonen havia acabado de abandonar com uma senhora explosão de motor... Lógico, amigo, quando você abandona, na tabela de resultados você aparecerá no final, ficando abaixo de todos os que completam, e acima de alguém que, eventualmente, tenha abandonado antes.
Alonso apareceu em último, pois foi tirado de pista na 1ª volta; Depois, Sutil ficou pelo caminho. Assim, como são 20 os pilotos, ao abandonar Kimi foi registrado como 18º colocado na corrida.
E então, a pérola: ao fazer a contagem do campeonato, Cléber regozijou-se ao ver que Felipe somaria mais 10, e diminuiria sua distância para Lewis de 8 para 6 pontos. E regozijou-se mais ao ver que Kimi ficaria no zero. Ele disse: "O Kimi como está em 18º não está marcando pontos"...
Claro, o Cléber não precisava dizer "Kimi abandonou", até porque, para desempate, um 18º lugar serve, como vimos Massa e Lewis empatarem em pontos e HAmilton liderar porque tinha um 10º lugar a mais!
Mas o problema é o tempo verbal: Ele viu o Kimi sair, ele viu que o kimi não estava mais... ele narrou a explosão de motor. O que será que ele tem? lapso de memória? tudo bem não lembrar do que falou 18 anos antes, mas 10 minutos?...
Deve ser por isso que ele está uma semana sim outra também no TOP 5 do C.Q.C...

domingo, 3 de agosto de 2008

GP da Hungria 2008

Dessa vez, o F1 Critics fará uma postagem diferente. Ao invés de simplesmente analisarmos a corrida, mostraremos outros casos que, igualmente terríveis, aconteceram em outros GPs de antigamente, e servirão de contraponto à corrida de hoje.

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O GP da Hungria de 2008 pode, e deve, passar para a história futura, por alguns motivos:

1) por ter sido a primeira vitória de Heikki Kovalainen;
2) por ter sido o primeiro pódio de Timo Glock;
3) por ter sido um dos grandes "azares" da Fórmula 1 moderna.


A vitória de Kovalainen e o segundo lugar de Glock são históricos, pura e simplesmente, porque estarão nos livros de estatísticas, daqui para a frente. Além disso, Kovalainen foi o 100º piloto a vencer um GP na história da categoria. Mas, sem sombra de dúvidas, o fato 3 é o que fará com que lembremos dessa corrida daqui para a frente. E ficará gravado na memória por ter sido - no sentido correto do termo - uma tremenda injustiça com Felipe Massa, que fez uma prova, sob todos os aspectos, excelente.
Massa largou extremamente bem, não tomando conhecimento de Kovalainen, e depois ultrapassou Hamilton.Embora seja um certo exagero comparar a ultrapassagem de Felipe sobre Hamilton com a de Piquet sobre Senna nessa mesma pista, 22 anos atrás, é inegável que Felipe fez algo excepecional, principalmente por retardar a freada, coisa que Hamilton também fez, evitando o choque entre os dois (como podemos ver na foto ao lado).
A partir de então, o que se viu foi a melhor corrida da carreira de Felipe, sem sombra de dúvidas. O piloto, vencedor de 8 GPs até hoje, nunca havia pilotado tão bem, nem mesmo nas suas três vitórias consecutivas na Turquia.
Embora estivesse mais leve que o inglês da McLaren (Massa parou na volta 18, Hamilton na 19), Felipe, seguidamente, estabeleceu a melhor volta da corrida, até então - o recorde, mais uma vez, ficaria com Kimi Raikkonen, a 7ª em 11 GPs - e abriu vantagem segura para piloto número 22, o que o permitiria voltar em primeiro mesmo que o trabalho da McLaren fosse melhor nos boxes - e não foi.
Massa liderou, com habilidade e autoridade, durante 67 voltas quando, a 3 voltas do fim, seu motor explode em plena reta. Kovalainen, que vinha a mais de 10 segundos, então herda a vitória, e só tem o trabalho de levar o carro até o final.
Do ponto de vista da corrida, perda total: Massa certamente venceria, e acabou ficando sem nada, e ainda por cima viu seus dois principais rivais ficarem à sua frente na tabela. Mas talvez, em termos de campeonato, a derrota não tenha sido tão grande assim...
Primeiramente, faz-se importante lembrar do pneu furado de Lewis Hamilton: o inglês atingiu uma pedra, segundo a Bridgestone, e com isso teve de voltar aos boxes, tendo sido ultrapassado no caminho por Kovalainen e Glock. Retornou às pistas na 10ª colocação. Fez algumas ultrapassagens e terminou em 5º. Räikkonen, apesar da volta mais rápida, veio no seu fim de semana mais apagado do ano e fechou em terceiro, exercendo forte pressão sobre Glock - até o momento que Felipe quebrou, e a equipe o "aconselhou" a tirar o pé.
Em resumo: a corrida de Felipe não deve afetá-lo tão drasticamente no campeonato, pois Hamilton não tivesse o furo no pneu, poderia ter herdado a vitória de Massa. Com a 1ª posição, fecharia 10 pontos, contra os "apenas" 4 que faturou com o 5º lugar. Já o caso de Kimi, é mais particular: o finlandês teria totais condições de passar Glock (diminuiu a vantagem do alemão de 5s para 0.8 em apenas 4 voltas), mas não o fez para evitar o mesmo problema do companheiro.
Em suma: Hamilton poderia ter somado 6 pontos a mais, e Kimi talvez levasse outros dois, no bolso. Hamilton poderia ter aberto 14 pontos em relação à Massa, ficou com 8 de vantagem; Kimi, poderia ter chego a 59, e estaria 5 a frente. Agora, tem 3 de vantagem...
Temos de aguardar. São 7 provas por vir. Duas em circuito de rua (Valência e Cingapura); Duas em circuito de altíssima velocidade (Monza e Spa), e três em circuitos de média (Interlagos, Shangai e Fuji - talvez Spa entre aqui...).
Como as duas pistas de rua são novas no calendário, previsões tornam-se mais difíceis. Porém, tomando Mônaco por base, podemos esperar uma corrida disputada, sem grandes dominadores: lembremos que Hungria, ontem, é quase um circuito de rua, e foi dominado pela Ferrari, embora a McLaren fizera a 1ª fila. Já Mônaco, foi um show de Hamilton - mas a Ferrari fez a 1ª fila.
Nas outras cinco corridas, ano passado tivemos praticamente só vitórias da Ferrari. A exceção é é de Monza, quando Alonso fez tudo que tinha direito (pole, vitória e volta mais rápida), com Hamilton completando a dobradinha.
No Brasil, China e Bélgica, a Ferrari dominou de maneira pungente, só não fazendo dobradinha no circuito chinês - Alonso ficou em segundo - e vencendo todas com Kimi. Claro, no Brasil, era Felipe quem levava... O Japão também foi da McLaren, mas a chuva lá foi preponderante. É importante lembrar que Raikkonen chegou no pódio, nessa corrida. Se chover, as coisas ficam mais complicadas, mas o circuito, em si, não pode ser dito "da McLaren" - nem italiano.
Precisamos lembrar que o estouro de Massa, na verdade, vem a equilibrar o misto de azares/erros que permeiam os três favoritos. Lembremos:

- O líder Hamilton fez duas corridas grosseiras não pontuando (Bahrein, 13º, e França, 10º), e abandonou uma vez (Canadá), por erro; Teve duas corridas fora do pódio (Malásia e Hungria, 5º).
- o vice Raikkonen teve uma corrida grosseira onde não pontuou (Mônaco, 9º), sofreu um abandono por problemas mecânicos (Austrália), foi tirado da prova uma vez (Canadá), teve duas corridas sem pódio (Alemanha e Inglaterra) e teve uma vitória perdida por falha no carro (França);
- o terceiro Massa teve um abandono por erro (Malásia), duas vezes por falha no carro (Austrália e Hungria), uma corridas sem pódio (Canadá) e uma prova grosseira, sem pontos (Inglaterra).

No balanço dos problemas mecânicos, Lewis segue ileso (aliás, ele nunca teve um carro quebrado, e a McLaren também não, desde 2007), enquanto Kimi e Massa sofreram dois. Os prejuízos de Massa, nesse quesito, foram maiores, pois não somou nada, contra os oito pontos de Kimi na França – embora aqui Massa tenha sido beneficiado de forma inquestionável.
Já na parte dos erros, Massa e Lewis empatam, com 1 abandono cada; Kimi, segue “a la Prost”, sem ser vítima das próprias bobagens, ou melhor: não abandonando por conta delas.
Na parte “boa”, o líder é quem mais venceu, e o vice é quem mais foi ao pódio. Mas, repito, o campeonato continua totalmente aberto: 8 pontos separam o 1º do 3º, tendo ainda 70 pontos em jogo.
A corrida de ontem (justamente pelo fato de Kimi e Lewis, embora beneficiados, não terem saído da Hungria com o máximo de pontos) não será o “X FACTOR” da decisão do título. Pesa, mesmo, a tristeza de uma vitória “roubada”.
Eu não sou fã de Massa, mas confesso que, pensando bem, não há como felicitar-se com sua derrota – falha da equipe - porque ele correu DEMAIS. Além disso, desde a absolutamente infeliz declaração do pretenso “maior de todos os tempos” peso a favor de Massa, principalmente se o embate for limitado entre ele e Hamilton – por toda a mesquinharia da McLaren no ano de 2007.

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Na história, temos grandes casos em que o carro aniquilou um título certeiro: os mais notáveis são o de Nigel Mansell, em 86, com um pneu estourado – já postamos o video aqui – quando o inglês precisava apenas de uma 3ª posição para o título, e o de Senna em 89, quando teve 5 (cinco!!!) quebras, 4 seguidas, TODAS liderando o GP. Temos também a incrível derrota de Jim Clark, em 1962, quando, na última corrida, liderava com meio minuto de vantagem e o óleo começa a vazar de seu carro.
Não, fãs de Schumacher: a quebra no Japão não foi o que tirou o título de Schumacher, pois Alonso teve mais quebras (2) que o alemão (só essa), naquele ano – futuramente, esse blog desfará mais essa lenda/falácia/mito da F-1.
Mas a injustiça à Massa, ontem, me fez “eleger” as 5 maiores vitórias imerecidas da Fórmula 1 moderna. Poderíamos anotar aqui a vitória de Villeneneuve, na Hungria-97, mas como o "vencedor moral" Hill chegou em segundo, colocaremos esse caso no mesmo nível de Raikkonen na França, esse ano. Por outro lado, tivemos a ridícula vitória de Olivier Panis em Mônaco-96 (quando o piloto sequer sabia que havia vencido) ou a de Patrese, nesse mesmo circuito em 1982. Mas essas corridas “caíram no colo” por conta de milhões de batidas (entraria aí nessa galeria de “corrida loteria” a vitória do citado Hill, na Bélgica-98).

A vitória de Kovalainen figura na 4ª posição. Vejamos as outras 4 (em ordem decrescente):

5ª posição: San Marino, 1985
Vencedor: Elio de Angelis
Mérito: Ayrton Senna

Senna fez a pole na pista que terminaria por ceifar-lhe a vida. Com um carro muito inferior às McLaren e Ferrari, domina o GP de forma inquestionável, inclusive tomando a posição de Prost – simplesmente porque tangenciava melhor nas curvas e era mais arrojado, enquanto que o francês o passava só e unicamente nas retas. Ayrton abandona na 57ª de 60 voltas, por falta de gasolina, e a vitória fica com Prost, que seria desclassificado. De Angelis terminara em segundo, quase 40 segundos atrás, e ganhou de presente uma vitória em casa.

Não influenciou, decisivamente, no campeonato. Prost, campeão, marcou 76 pontos, ante 38 de Senna, que foi 4º e não esteve na briga direta.

3ª posição: Europa, 2005.
Vencedor: Fernando Alonso
Mérito: Kimi Raikkonen

Embora a cena da suspensão quebrada seja extremamente marcante, talvez essa vitória tenha sido a menos “sortuda” da nossa lista. Coloco nessa posição por ter sido na última volta. Mas Alonso, que vinha em segundo, ao contrário de Kovalainen, De Angelis e dos outros dois que citarei, é o que andava mais próximo do real vencedor: Alonso abriu a última volta pouco mais de 1 segundo atrás de Kimi, e ainda foi o autor da melhor volta naquele dia.

Não influenciou, decisivamente, no campeonato. Alonso seria campeão, com133 pontos, ante 112 de Raikkonen. Ademais, Alonso também teve infortúnios mecânicos, como no Canadá – vitória de Kimi.


2ª posição: Canadá, 1991
Vencedor: Nelson Piquet
Mérito: Nigel Mansell

Essa é certamente a “vitória no colo” mais lembrada de todas. Mas então, por quê não está em primeiro lugar? Porque, ao contrário das outras 4 do nosso “TOP”, foi a única que não teve uma falha mecânica como motivo preponderante: Ok, o carro de Mansell apagou, mas não foi o motor que estourou, a suspensão que arrebentou nem a gasolina que cessou: o inglês – lendário, ao mesmo tempo, por manobras espetaculares e erros toscos – estava tão à frente de Piquet (perto de 1min) que não perdia mais. Começou a dar “tchauzinho” para a torcida, o carro achou que a lentidão extrema era outra coisa, e “se” desligou.

Não influenciou, decisivamente, no campeonato: Ayrton Senna seria campeão nesse ano, com 101 (96 válidos) pontos ante 75 (72 válidos) de Mansell. Além disso, nessa mesma prova, o brasileiro teve uma quebra. E Piquet não teria carro para disputar o título.


1ª posição: Espanha, 2001.
Vencedor: Michael Schumacher
Mérito: Mika Häkkinen

Sem dúvida a maior das injustiças que pude presenciar. Häkkinen dominou aquela corrida de maneira avassaladora: largou em segundo, mas passou Schumy nas 20 voltas finais, e “foi embora”. Seguiu dominando. Abriu a última volta na liderança, e tinha mais de 30 segundos sobre Schumacher. A vitória era certíssima. No entanto, faltando 5 curvas para o final, Mika começa a andar lento, lento, e de repente, a fumaça aparece. Schumacher estava abrindo sua volta quando Mika já encostava o carro. Uma derrota ímpar.

Não influenciou, decisivamente, no campeonato. Hakkinen sequer disputou o título naquele ano, em que se aposentaria, e nem mesmo disputou todos os GPs. Por outro lado, Schumacher marcaria quase o dobro de pontos do vice-campeão, Coulthard.

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Em que lugar, os amigos leitores, vão enquadrar Hungria-2008 ao fim da temporada?...