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segunda-feira, 20 de julho de 2009

O Maior de todos os tempos

Não, esse não é mais um post sobre Fangio, muito menos reacende a discussão "Senna ou Schumacher?". Esse post não é sobre Fórmula 1, e também não é sobre tênis. É sobre motos. Mas não vou falar de Valentino Rossi...
Você já ouviu falar de Burt Munro? Se já, peço desculpas pelo que vou dizer: não o conhecia. Mas ontem eu assisti o filme "Desafiando Limites" (o título original, como é possível ver na foto ao lado, é "The World's fastest Indian", em alusão à marca da moto), estrelado por Anthony Hopkins (2005), e fiquei absolutamente impressionado. Por isso, dedico-lhe um post no blog.
O filme me impressionou não pela atuação sempre segura de Hopkins, por sua fotografia excelente ou por seu roteiro bem construído. O que me causou esse impacto foi saber, somente ao fim da película, que se tratava de uma história real. É praticamente inacreditável que aquilo fosse real. Só vendo para entender porquê.
Herbert "Burt" Munro, também conhecido como "a lenda neozelandesa", nasceu em 25 de março de 1899 na cidade de Edendale. Faleceria 79 anos depois (06/01/1978), na cidade de Invercargill, também na Nova Zelândia.
Na capa do filme, é mencionada uma frase de Burt: "Durante toda minha vida eu quis fazer algo grande". Pois creio que as palavras vontade e grandeza combinam perfeitamente em se tratando de Munro.



imagens de Munro

Munro teve uma vida bastante humilde - considerando-se que estava na Nova Zelândia -, e dedicou-a inteiramente ao seu sonho de bater o recorde mundial de velocidade. Munro, aliás, chegou a trabalhar por nada menos que 25 anos com o intuito de realizar esse sonho.

Para isso, era necessário que ele fosse até Boneville (EUA) - foto ao lado -, um "deserto de sal" (!) onde, desde 1912, são realizados eventos destinados ao mundo da velocidade (a "Speed Week", no último terço de agosto): lá, por exemplo, foi registrado o recorde máximo, superando a marca dos 1000 km/h, num veículo supersônico.

Burt Munro comprou a moto Indian -que pode ser observada no vídeo colocado logo acima - no ano de 1920, e a partir de 1926 começou a desenvolvê-la, modificando e inovando nas suas peças (criou, por exemplo, diversos modelos de pistão, de forma praticamente artesanal). A velocidade máxima possível de se atingir era de 55 m/h, ou 88 km/h - guarde bem essa informação. No filme, podemos acompanhar as modificações aplicadas por Munro, não só na sua moto, mas em outros tantos veículos onde fosse necessário.


trecho do filme "Desafiando Limites"

Munro chegou em Boneville pela primeira vez no ano de 1962, aos 63 anos (!) e com artereosclerose (!!!). E de cara estabeleceu o recorde mundial para motos com até 1000 cc: 286 km/h! O piloto seguiu indo ao "festival" por mais nove vezes, e em outras duas oportunidades estabeleceu a marca máxima: 1966 e 1967. O seu recorde de 1967 permanece até hoje: 305 km/h.

Essa marca, além de fantástica por si só, é ainda mais impressionante se lembrarmos os 88 km/h máximos atingidos com uma Indian "normal": basicamente, o piloto aumentou a velocidade em 350%. Há, ainda, um registro de 1969 que aponta Munro como tendo atingido a marca de 331 km/h, mas esse não é um dado oficial.

No filme, o personagem cita uma frase do ex-presidente americano Theodore Roosevelt, que diz algo como: "Não é o crítico que conta: o crédito pertence ao homem que está realmente na arena, cujo rosto está sujo de poeira, suor e sangue". Essa talvez seja a melhor descrição para o que foi e o que representa Burt Munro para os amantes da velocidade.

domingo, 28 de setembro de 2008

Que virada!

Fernando Alonso, o maior vencedor da F1 em atividade, chega à sua vitória de número 20, o que o coloca empatado com o também bi-campeão Mika Häkkinen, sendo o 11º piloto com maior número de vitórias na história da categoria.
Foi sorte? teve um pouquinho, sim. Mas vamos rever esse conceito...
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Ontem mesmo, aqui, fizemos um post rapidíssimo, mostrando uma foto com a desolação de Alonso, após ter ficado sem carro.
Poderíamos dizer que a "sorte" que Alonso teve hoje, na corrida, veio a, no máximo, compensar os problemas de ontem. Revendo, apenas:
Sexta-Feira
Treinos Livres 1: Alonso consegue marcar o sexto melhor tempo, ficando atrás apenas das duas Ferrari e McLaren e de uma BMW;
Treinos Livres 2: Alonso faz o MELHOR TEMPO, superando Hamilton e Massa nos minutos finais.
No somatório dos tempos, Alonso ficou na TERCEIRA POSIÇÃO, atrás apenas de Hamilton e Massa.
Sábado
Treino Livre: Alonso faz, novamente, o MELHOR TEMPO;
Treino Oficial: Alonso faz o sexto tempo na primeira parte da classificação, aquela que serve apenas para "eliminar" os últimos 5 colocados.
Era notório, no paddock e na TV, que Alonso IRIA BRIGAR PELA POLE, e quase indubitavelmente marcaria um dos três melhores tempos, largando junto dos dois postulantes ao título.
Pare tudo. Se você lesse até aqui, você se surpreenderia, em algum momento, se hoje visse que esse mesmo piloto VENCEU A CORRIDA?
Lógico que não.
Mas o que aconteceu foi que, na segunda parte do treino, Alonso NÃO PÔDE MARCAR TEMPO, e ficou em 15º lugar. O piloto ficou completamente desapontado, perdendo todas as chances que tinha, a rigor.
Domingo
E o que ele fez, hoje?
Dos vinte pilotos que largaram, Fernando Alonso foi o ÚNICO a largar comos chamados pneus macios. Pulou de 15º para 11º logo no início e, devido a estar mais leve, foi o primeiro piloto a parar. A partir de então, Alonso só usaria os pneus "duros", enquanto que os outros todos precisariam colocar "macios" em algum momento - o regulamento ordena.
A pergunta: estratégia é sorte?
Alonso, como dito, foi o primeiro a parar, na volta 12, voltando em último. Nelsinho bateu na volta 15. Na volta 15 alguns pararam, e na 16 se iniciaram as paradas dos outros, todos. Ou seja: Alonso parou antes, mas os pilotos todos iriam parar mais ou menos àquela "altura". Ou não foi Felipe Massa que disse que iria parar na volta 15?
Alonso retornou em quinto lugar após todas as paradas se completarem. De qualquer forma, ele retornaria seguramente na zona de pontos. O que o ajudou foi, por exemplo, a Ferrari ter a brilhante idéia de fazer ambas as paradas em seqüência, e o problema de Massa. Outro fato importante: dois dos pilotos que estavam à frente de Alonso ainda não haviam parado.
A parada feita por Alonso foi longa, 9,6 segundos. Desse modo, ele faria para duas paradas, como todos os outros - que fizeram tempos de boxes mais rápidos que Alonso, diga-se. A partir de então, o piloto "sentou a bota", marcou a TERCEIRA MELHOR VOLTA DA CORRIDA, só perdendo para as duas Ferrari. E por muito pouco, coisa de dois décimos pra Kimi, e um para Felipe.
Em resumo: Alonso teria, naturalmente, chego ao pódio numa corrida normal.
Sejamos sinceros, minha gente:
- Alonso já tem 8 pontos a mais que Kovalainen fizera ano passado, com a Renault, restando ainda três provas por vir, e a equipe, graças aos 13 de Nelsinho, já chega aos mesmos 51 do mundial de construtores ano passado...
- A Renault não vencia desde... Japão, 2006 - Alonso ganhara;
- A Renault não largava na primeira fila desde China-2006 (Alonso), e Fernando já o fez, na Espanha, esse ano.
A Renault! Sim, ela mesma, que no começo do ano, não ficava nem entre os 10 primeiros do grid...
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Ora, pois, Alonso não é o único campeão mundial a amargar um ano de jejum: antes dele, vimos Alain Prost passar todo o ano de 1991 sem vencer. Vimos também Nelson Piquet ficar entre Japão 87- e Japão-90 sem ganhar nenhuma corrida... E vimos, sim, Michael Schumacher, em 2005, ter um ano ainda pior.
Alonso conseguiu hoje, uma vitória; isso o coloca em pé de igualdade com o Schumacher de 2005!
- alguém lembra disso?
Há quem fale do pódio de Nelsinho para desmerecer a conquista de Alonso, hoje. Mas, se ele foi tão sortudo quanto o companheiro, foi "mais azarado" que Schumy em Indianápolis-2005 (havia seis carros na pista....)

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Alonso declarou, na entrevista coletiva, que essa foi uma "vitória como nos velhos tempos".
Alonso, assim como Roger Federer e Valentino Rossi, vinha sendo dado por vencido. Mas não se pode fazer pouco caso dele - assim como do tenista e do motociclista.

Galvão ficou o fim de semana todo chamando Hamilton e Massa de "os dois melhores pilotos do mundo na atualidade". Tá bom...

Quem viver, verá (aliás, já viu...)