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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A grande vitória de Piquet

Hoje o F1 Critics chega a seu 100º post. E para comemorar essa importante (?) marca, vamos relembrar um dos momentos mais sensacionais do automobilismo brasileiro. A matéria que se segue foi também reproduzida pelo site Última Volta, que está publicando diariamente o projeto que relembra as 99 vitórias brasileiras na Fórmula 1.
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Nelson Piquet foi três vezes campeão mundial de Fórmula 1, vencendo os campeonatos de 1981, 83 e 87. Além disso, conquistou um belíssimo vice-campeonato, em 1980, quando dispunha de um equipamento inferior ao do campeão. Realizou, ainda, aquela que é considerada por muitos como a mais bela ultrapassagem da história da categoria, na Hungria, em 1986. Mas talvez a sua maior conquista na F-1 tenha acontecido na temporada de 1990.
Naquele ano, Piquet venceu duas corridas, foi ao pódio outras duas vezes, marcou 44 pontos e foi terceiro colocado no mundial. Analisando-se os números friamente, pode-se dizer que sua performance não teve nada de espetacular, principalmente se comparada aos anos supracitados. Porém, o grande detalhe é que Nelson estava pilotando um Benetton-Ford, um carro que, em boa parte daquele ano, era apenas o quarto melhor equipamento do grid.
Iniciando a década, Piquet não vivia uma boa fase: havia vencido pela última vez em 1987 e não subia ao pódio desde 1988. Já a Benetton, que estreara na F-1 em 1984, embora tivesse obtido duas vitórias (uma com Berger, no México em 1986, aproveitando-se da superioridade dos pneus Pirelli para fazer a corrida sem troca, e outra com Nannini, em 1989, quando herdou a 1ª posição de Senna na polêmica desclassificação do brasileiro em Suzuka) ainda não podia se considerar um “time de ponta”.
Dessa forma, é possível dizer que tanto Piquet quanto a Benetton precisavam um do outro: a equipe carecia de um piloto que pudesse desenvolver o carro, para poder ser definitivamente considerada vencedora; E Piquet precisava de um equipamento que lhe permitisse, ao menos, lutar por pódios, coisa que na decadente Lotus já havia se tornado impossível. Assim, Nelson Piquet e Flavio Briatore (chefe da Benetton) chegaram a um consenso, assinando contrato de duas temporadas.
O ano começa bem, com Piquet chegando na 4ª posição em sua estréia, o GP dos EUA. O piloto pontua nas duas corridas seguintes: no GP do Brasil é sexto, após ter largado em 13º. Embora tenha sido sua pior posição em treinos no ano, acabou por ser uma de suas provas mais brilhantes, principalmente pelas voltas finais, quando ultrapassou Jean Alesi no último giro. Piquet estava em sua décima-segunda temporada completa, mas tinha fôlego de estreante.


Em San Marino, conquista uma honrosa 5ª posição, após largar em nono. Na prova posterior, em Mônaco, abandona com problemas mecânicos. Mas no Canadá, 5ª etapa, Piquet dá sua primeira grande demonstração de força: partindo em 5º – sua melhor largada no ano – terminou em segundo, após vencer um duríssimo duelo com a dupla da Ferrari. De quebra, com a vitória de Senna completou a primeira dobradinha brasileira desde setembro de 1987.
Nas três provas seguintes (México, França e Inglaterra) vai bem, sendo 6º, 4º e 5º, nessa ordem. Mas acaba tendo de abandonar na etapa da Alemanha, por conta de problemas no motor. Detalhe: ele estava em terceiro no momento do abandono. Já na etapa seguinte, Hungaroring, o brasileiro retorna ao pódio com uma brilhante terceira colocação, após ter largado em nono. Coincidentemente, era seu aniversário: Piquet completava 38 anos.
A essa altura, Piquet já era o quinto colocado do mundial, com 22 pontos. Nas nas quatro etapas que se seguem, foi duas vezes quinto, uma sétimo e em outra corrida sofreu mais um abandono. Dessa forma, caiu para sexto no campeonato, sendo superado por Mansell. Faltando duas corridas para o final da temporada, o cenário não era muito animador: Piquet estava 15 pontos atrás de Berger, o terceiro, com apenas 18 em jogo.
Mas aí entra um fator apontado pelo jornalista Márcio Madeira da Cunha em alguns textos sobre as vitórias de Piquet no início dos anos 80: Piquet crescia, e muito, em momentos de decisão. E, embora em 1990 não estivesse disputando o título, ele tinha outras motivações: a terceira posição na tabela, apesar de pouco valorizada em geral, representaria muito para uma equipe que obteve como sua melhor classificação no mundial de pilotos um quarto lugar.
Como se não bastasse, Piquet tinha chances matemáticas de superar uma Ferrari e uma McLaren na classificação, o que seria uma demonstração claríssima de que, tivesse um equipamento melhor, ele teria condições de disputar o título. Some-se a isso a disputa direta com seu maior rival, Mansell, e a possibilidade de a Benetton firmar-se como terceira força – não é segredo para ninguém que, hoje em dia, o mundial de construtores é cada vez mais importante.
E assim a Fórmula 1 muda-se para o oriente, para disputar o sexto Grande Prêmio do Japão, o quarto em Suzuka. Piquet consegue a 6ª posição no grid. Só na largada, ganha três posições: uma na ultrapassagem sobre Boutsen, e duas com o acidente de Senna e Prost. Na 2ª volta Berger, que vinha liderando, roda e abandona, e com isso Nelson já era segundo. Então Piquet manteve-se firme na segunda posição, até Mansell abandonar na volta 27, com problemas no carro.
A partir dali, foram 26 voltas de uma pilotagem segura de Nelson Piquet, como nos velhos tempos, sem cometer erros e “estudando” o carro. Foi um dia de muita alegria para o Brasil, pois Senna confirmava o seu segundo título, Piquet tornava a vencer após mais de três anos, e ainda por cima Roberto Pupo Moreno, que fazia sua estréia na Benetton, conseguiu chegar em segundo, completando uma dobradinha (a última dobradinha de pilotos brasileiros até hoje).


No entanto, apesar da bela vitória – que o colocava agora na quarta colocação no mundial –, ainda circulavam dúvidas quanto à real possibilidade de Piquet subir na tabela, uma vez que a primeira colocação no Japão foi atribuída muito mais à sorte do que ao seu talento natural ou à melhora que ele trouxe ao equipamento. Com o título mundial já decidido, a Fórmula 1 rumava à Austrália para aquele que seria o 500º Grande Prêmio de sua história.
A etapa da Oceania seria sediada no circuito de rua de Adelaide, pista que passou a fazer parte do calendário da Fórmula 1 em 1985. Lá, Piquet oscilava bons e maus resultados: abandonou em 1985, 87 e 89, foi segundo colocado em 1986, e terceiro em 1988 – este, seu último pódio correndo pela Lotus. Portanto, em termos de retrospecto pode-se dizer que a expectativa para o GP de 1990 não era muito grande, ainda mais porque o piloto obteve a sétima marca, nos treinos.
Mas o que se viu, na verdade, foi uma das mais belas apresentações da gloriosa carreira do brasileiro. O cenário apresentado foi muito parecido com o de Suzuka, com Piquet superando cinco concorrentes até metade do GP. No entanto, se na etapa japonesa essas posições foram conquistadas através dum misto de acidentes e falhas mecânicas nos carros rivais, em Adelaide todas elas vieram mediante ultrapassagens arriscadas e precisas...
Só na primeira volta, o piloto ganhou duas posições: ultrapassou Riccardo Patrese logo na largada, e algumas curvas depois tomaria o lugar de Alesi. Na 3ª volta da prova, ultrapassou Alain Prost, e na nona superou Gerhard Berger. Vinha se mantendo na terceira posição, até que, na volta de número 45, conseguiu uma boa ultrapassagem sobre Nigel Mansell. Só restava a Piquet o então líder, Ayrton Senna, que mantinha uma boa distância, sem ser ameaçado.
A sorte também é parte de um grande campeão, e Piquet sustentava sua posição quando Senna teve um problema mecânico que o faz passar reto numa curva e chocar-se contra a barreira de pneus. Era a 62ª de 81 voltas previstas e, a partir desse momento, Nelson não mais perderia a liderança, embora tivesse a constante ameaça de seu velho inimigo Nigel Mansell, que vinha melhorando seus tempos após a troca nos boxes – o inglês marcou a melhor volta da prova no 75º giro.
Seria nessa briga que Piquet garantiria sua vitória, e a terceira colocação no mundial: o piloto contava com 35 pontos, ante 31 de Mansell. Mas Piquet, pontuando nesse GP, teria de descartar um ponto, ao passo que Mansell teria todos os seus resultados válidos. Isso significa que qual dos dois vencesse a prova seria terceiro no mundial. E, como dito anteriormente, Piquet crescia muito em momentos decisivos.
A cinco voltas do fim, ele comete um pequeno erro que permite a aproximação de Mansell. Os dois carros percorrem muito próximos as voltas finais, mas Nelson consegue impor um ritmo surpreendentemente forte, mantendo Mansell sob controle. Isso até encontrar pela frente a Brabham de Stefano Modena, na entrada da grande reta na última volta. Sem intenção o retardatário prejudica o andamento do tricampeão, e desse modo o “Leão” programa uma manobra para tentar ultrapassar o ex-companheiro de Williams, exatamente no mesmo ponto onde este ultrapassara Berger e Prost. Piquet vem por fora na curva, e Mansell tenta jogar o carro por dentro. O brasileiro tangencia primeiro, obrigando Mansell a frear bruscamente para evitar o choque. Resultado: o inglês frita os pneus e quase sai da pista.


Foi uma verdadeira aula de determinação e técnica do piloto brasileiro, mostrando ao mundo por que era tricampeão mundial. Tudo isso, como vimos, aos 38 anos de idade. Mas o saldo daquela manobra seria muito maior: Piquet igualava o número de vitórias obtidas por todos os pilotos da equipe Benetton em seis anos de existência; Seus 44 pontos no mundial eram maiores que todas as pontuações da equipe, inclusive em mundiais de construtores (!); E passava a ser o piloto com o maior número de quilômetros percorridos em 1990.
Outras marcas importantes obtidas naquela corrida: Piquet passava a ser o terceiro maior vencedor do ano, sendo o único fora Senna (6) e Prost (5) a vencer mais de um GP; ao completar a corrida, se tornava o piloto com o menor número de abandonos no ano, apenas três, contra quatro de Prost (Senna não completou cinco provas); e ao terminar na zona de pontos, se igualava ao francês como piloto que pontuou no maior número de GPs: foram doze, no total – Senna pontuou em 11.
E, por fim, essa se tornaria a segunda vitória da maior seqüência de trunfos brasileiros na F-1: foram sete consecutivos, entre 1990 e 91: duas de Piquet no final de 90, mais 4 de Senna e uma de Nelson no início de 91. Isso coloca os brasileiros ao lado da Alemanha (Schumacher venceu sete provas seguidas em 2004), e abaixo somente da Itália (foram 9 trunfos de Alberto Ascari ao longo de 1952 e no início de 1953).
Na Fórmula 1, pouquíssimos são os pilotos que, de fato, merecem a alcunha de “gênio”. E, por tudo que fez ao longo daquela temporada, Piquet certamente é um deles.

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Resultado do GP da Austrália de 1990:

1) Nelson Piquet (Benetton-Ford-HB B190), 81 voltas em 1h49min44s570
2) Nigel Mansell (Ferrari F90-2), + 3.129
3) Alain Prost (Ferrari F90-2), + 37.259
4) Gerhard Berger (McLaren-Honda MP4-5B), + 46.862
5) Thierry Boutsen (Williams-Renault FW-13B), + 1:51.160
6) Riccardo Patrese (Williams-Renault FW-13B), + 1 volta

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Pódios Brasileiros - Parte Final

Nesta parte, os últimos pódios brasileiros antes de 2008.

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19º Pódio: GP do Japão, 1990
Suzuka, 21 de outubro
Resultado Final: 1º Piquet, 2º Moreno, 3º Suzuki
Diferença entre os brasileiros: +7,223s
Pole position: Ayrton Senna (McLaren-Honda)
Melhor volta: Riccardo Patrese (Williams-Renault), 1’44”223 na volta 40
GPs de Piquet até então: 186
GPs de Moreno até então: 8

Resumo do GP:
Decisão do campeonato. Senna era o líder, mas Prost ainda tinha chances de conquistar o título. Na disputa pela pole, o brasileiro supera o francês, então piloto da Ferrari. Piquet classificou em sexto, com a mediana Benetton.
Moreno, apesar de poucos GPs disputados, havia estreado na F1 em 1982, pela Lotus. Em 1990, correu grande parte da temporada pela EuroBrun, obtendo qualificação para apenas 2 GPs. Porém, a sorte lhe sorriu quando Alessandro Nannini teve um acidente de helicóptero, abrindo a vaga na Benetton ao lado de seu velho amigo Piquet. Alinhou no grid em 8º.
Na noite do sábado, a McLaren propôs a mudança da posição de largada: originalmente, o pole position largaria do lado sujo da pista. Tendo a proposta negada, Senna perderia qualquer vantagem por largar no lado sujo da pista. Para o piloto brasileiro, era clara a existência de um acordo para ajudar Alain Prost na disputa pelo título, como havia acontecido no ano anterior.
Como esperado, Prost tracionou melhor na largada e parecia conseguir ultrapassar Senna ainda na primeira curva. Porém, o brasileiro não facilitou e ambos se chocaram na tangência da curva. Abaixada a poeira, Senna bate no cinto e sai do carro como o novo campeão mundial.
A corrida continua, com Berger assumindo a liderança. Na volta seguinte, o austríaco roda na sujeira deixada pelo acidente de Senna e Prost, e abandona. Mansell é o novo líder, com a Ferrari, sendo perseguido pelas duas Benetton. Piquet e Moreno largaram bem, e começam a pressionar o piloto inglês.
Com um carro superior, Mansell abre vantagem para os brasileiros, e na volta 26 faz sua parada programada. Mesmo tendo uma boa vantagem, ele tenta voltar á pista o mais rápido possível, e sua fúria provoca a quebra do eixo traseiro.
O abandono de Mansell deixa Piquet na liderança, seguido por Moreno. Aguri Suzuki, piloto da casa, assume a terceira posição quando da parada de Patrese, completando o pódio.
O campeonato estava decidido: Senna era o campeão, com 78 pontos. Prost era vice, com 69. Piquet assumiu um honroso 4º lugar, com 35.



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20º Pódio: GP dos EUA, 1991
Phoenix, 10 de março
Resultado Final: 1º Senna, 2º Prost, 3º Piquet
Diferença entre os brasileiros: +17,376s
Pole position: Ayrton Senna (McLaren-Honda)
Melhor volta: Jean Alesi (Ferrari), 1’26”758 na volta 49
GPs de Senna até então: 110
GPs de Piquet até então: 188

Resumo do GP:
Na tentativa de diminuir o domínio de Senna nas pistas, a FIA apresentou mudanças significativas no regulamento. Pela primeira vez desde 1985 não haveria necessidade de descartar resultados. Além disso, a vitória passou a valer 10 pontos (antes eram 9). Finalmente, os treinos classificatórios foram limitados em 12 voltas (antes não havia limites).
Mesmo assim, Senna garantiu a pole com mais de 1 segundo de vantagem para a Ferrari de Prost, o segundo no grid. Na seqüência alinharam as Williams de Patrese e Mansell: era a versão beta do carro do outro mundo dos anos seguintes. Piquet alinhou em quinto, mostrando que a Benetton havia evoluído após a contratação de John Barnard, ex-engenheiro da Ferrari.
Na corrida, verificou-se um passeio de Senna. O brasileiro corroborou seu favoritismo em pistas de rua com mais uma vitória de ponta a ponta. Prost tentou acompanhar o ritmo, mas parou para trocar pneus e perdeu posições. Piquet, que havia perdido posições na largada, optou por não trocar pneus e chegou a andar em segundo. Porém, na volta 69, Prost faz uma dupla ultrapassagem magnífica, sobre Piquet e Alesi, recuperando a segunda posição.
No campeonato, Senna liderava com 10 pontos, seguido de Prost com 6 e Piquet com 4.




Reparem em Piquet fazendo chifrinho em Balestre, enquanto Senna finge dar um tapa na cara do dirigente Francês.

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21º Pódio: GP da Bélgica, 1991
Spa-Francorchamps, 25 de agosto
Resultado Final: 1º Senna, 2º Berger, 3º Piquet
Diferença entre os brasileiros: +32,176s
Pole position: Ayrton Senna (McLaren-Honda)
Melhor volta: Roberto Moreno (Benetton-Ford), 1’55”161 na volta 40
GPs de Senna até então: 120
GPs de Piquet até então: 198

Resumo do GP:
O fim de semana começou com um banho de Senna, mais uma vez fazendo a pole com 1 segundo de vantagem para Prost, o segundo. Mansell, postulante ao título largou em terceiro. Piquet classifica em sexto, uma posição à frente do estreante Michael Schumacher, da Jordan.
Senna larga bem e mantém a ponta. Prost tem problemas de motor e abandona na segunda volta. Mansell aproveita e pressiona Ayrton, conseguindo voltar à frente do brasileiro após ambos trocarem pneus.
Na volta 21 o motor de Mansell apresenta problemas, e Alesi assume a ponta, seguido por Senna e Piquet. Logo depois, o motor Honda de Senna apaga. Quase parando, o brasileiro consegue fazer o motor voltar a funcionar e volta à corrida ainda em segundo. Na volta 31, é a vez de Alesi ter problemas de motor e abandonar. Senna assume a ponta, com DeCesaris (!!!) em segundo e Piquet em terceiro. Porém, em duas voltas Piquet perde duas posições, para Patrese e Berger.
Faltando 3 voltas para o final, DeCesaris (motor) e Patrese (câmbio) abandonam. Com isso, Berger assume a segunda posição e Piquet termina a corrida em terceiro. Este seria o único pódio brasileiro em 17 anos.
Na classificação, Senna abre 22 pontos de vantagem sobre Mansell (71 a 49). Seria a última vitória de Senna em 91, mostrando que o tri campeonato não foi uma conquista fácil até o final.



quinta-feira, 31 de julho de 2008

Pódios Brasileiros - Parte 4

Nessa parte do especial, veremos os pódios de Senna e Piquet em 1988 e 1990.

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15º Pódio: GP de San Marino, 1988
Imola, 1º de Maio
Resultado Final: 1º Senna, 2º Prost, 3º Piquet
Diferença entre os brasileiros: +1 volta
Pole position: Ayrton Senna (McLaren-Honda)
Melhor volta: Alain Prost (McLaren-Honda), 1’29”685 na volta 53
GPs de Senna até então: 63
GPs de Piquet até então: 142

Resumo do GP:
Coincidência ou não, essa corrida aconteceu num dia 1º de Maio. Exatamente um ano antes, Piquet sofrera um grave acidente na Tamburello, que lhe impedira de participar da prova. E exatamente seis anos depois, Senna perderia sua vida na mesma curva.
Mas o dia do trabalhador de 1988 foi imensamente mais feliz para os brasileiros do que seriam 87 ou 94: Senna venceu, e Piquet esteve presente no pódio. Nos treinos, um massacre: Senna, como de hábito - fato que havia ocorrido nos três anos anteriores e se repetiria mais 4 vezes - largou na pole-position de Imola. Alain Prost foi o segundo colocado, a quase 8 décimos do brasileiro. Na terceira posição, veio Piquet, com uma diferença assombrosa de 3,3 segundos. Exatamente: Senna foi mais de 3 segundos mais rápido que o terceiro colocado.
Em que pese a superioridade inquestionável do McLaren MP4/4 (venceriam 15 de 16 GPs no ano), um carro somente comparável às Williams de 1992 e 93, e às Ferrari de 2002 e 2004, uma diferença tão grande só pode ser fruto de perícia, rapidez, arrojo e concentrações fora do comum, tendo em vista que a diferença para o companheiro de equipe foi de oito décimos.
A corrida? Quase um funeral, com Senna vencendo de ponta-a-ponta, não perdendo a primeira posição nem no momento da troca de pneus. Prost teve problemas, caindo para sexto, mas recuperou-se bem e encerrou na segunda posição. Piquet, andou em segundo o tempo todo, mas a diferença brutal de equipamento não permitiu-lhe defender a posição do francês, e assim o pódio repetiu o grid de largada.
No campeonato, Prost liderava com 15 pontos, Senna era segundo, com 9, e Piquet vinha em terceiro, com 8.

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16º Pódio: GP da Austrália, 1988
Adelaide, 13 de Novembro
Resultado Final: 1º Prost, 2º Senna, 3º Piquet
Diferença entre os brasileiros: +10,759s
Pole position: Ayrton Senna (McLaren-Honda)
Melhor volta: Alain Prost (McLaren-Honda), 1’21”216 na volta 59
GPs de Senna até então: 77
GPs de Piquet até então: 156
Resumo do GP:
Na pole-position, obviamente, Ayrton Senna: era a 13ª vez - em 16 GPs - no ano que Senna largaria da posição de honra, e seria a 2ª de 6 que ele assinalou no circuito australiano (em 10 tentativas). Prost, naturalmente em segundo, e Piquet em 5º, atrás de Mansell (Williams) e Berger (Ferrari).
Na largada, Prost supera Senna, enquanto que Piquet - e Berger - superam Mansell. Já na 3ª volta, Berger ultrapassa Senna e começa a perseguir Prost, obtendo sucesso na volta 14. Berger segue botando tempo, e abre boa vantagem, até que, no 25º giro, tenta ultrapassar René Arnoux (retardatário) e acaba se chocando com o francês.
Não, Berger não estava inspirado, nem tampouco a Ferrari estava melhor que a McLaren. O austríaco havia largado com pouca gasolina e, como naquela época não havia reabastecimento, era absolutamente claro que ele iria abandonar a prova. E mais: Berger tinha um vôo marcado para ANTES DO TÉRMINO DO GP. A batida com Arnoux foi o método (pouco ortodoxo) encontrado por Berger para não "dar na pinta" a pane seca.
Trata-se de uma das histórias mais curiosas da Fórmula 1. Definitivamente, eram outros tempos, de um automobilismo mais descompromissado.
Na corrida, a partir do abandono de Berger, tivemos um novo funeral, com Prost vencendo com larga vantagem sobre Senna e Piquet chegando em terceiro. Foi a 15ª vitória em 16 corridas da McLaren no ano, um recorde ainda não superado, e que dificilmente será. Em 2002 e 2004, a Ferrari obteve as mesmas 15 vitórias, mas correu 17 GPs em 2002, e 18 em 2004.
O campeonato já estava decidido: Ayrton Senna, campeão mundial, 90 pontos; Alain Prost, vice, com 87. Piquet fechou na 6ª colocação, com 22. Na conferência de imprensa, o entrevistador era ninguém menos que Jackie Stewart. Tínhamos, portanto, 10 títulos de F1 naquele momento (anos mais tarde, seriam 13).


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17º Pódio: GP do Canadá, 1990
Montreal, 10 de junho
Resultado Final: 1º Senna, 2º Piquet, 3º Mansell
Diferença entre os brasileiros: +10,497s
Pole position: Ayrton Senna (McLaren-Honda)
Melhor volta: Gerhard Berger (McLaren-Honda), 1’22”077 na volta 70
GPs de Senna até então: 82
GPs de Piquet até então: 161
Resumo do GP:
Mais um show de ambos os brasileiros. Senna larga na pole - pleonasmo? -, repetindo os feitos de 1988 e 1992, nessa pista. Nesse ano, largaria da posição de honra 10 vezes ao todo, mostrando um domínio absoluto das classificações. Piquet larga na 5ª posição, já como piloto da Benetton-Ford.
No começo da prova, Gerhard Berger, que largava em segundo, queima a largada e, embora não tivesse tomado a posição de Senna, é punido com 1 minuto nos boxes. Com isso, Piquet já é o 4º. Senna, reconhecidamente o melhor piloto em pista molhada, começa a abrir vantagem, e só perderia a primeira posição por algumas voltas, após trocar os pneus.
Piquet, por sua vez, faria uma excelente prova de recuperação: nesse momento, posicionava-se atrás de seu companheiro, Alessandro Nanini, e de Alain Prost, da Ferrari. Boutsen e Mansell vinham atrás do brasileiro. Tão logo a pista começou a secar, vários pilotos foram mudar os pneus, e no retorno à pista Nanini acaba se chocando com uma lontra, e tem de retornar aos boxes.
Piquet se vê atrás de Prost e Boutsen, nesse momento. O belga chega a ultrapasar o francês, mas abandona a seguir. Piquet vence o duelo com Prost, que também é ultrapassado por Mansell, e dá mostras de porquê era tri-campeão, batendo os carros italianos, notadamente superiores ao seu Benetton. Senna seguiu tranqüilo, em outra dimensão.
O campeonato apontava: Senna líder, com 31 pontos, Berger segundo, com 19, Alesi (!) terceiro, com 13, Prost em 4º e Piquet 5º, ambos com 12 pontos.


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18º Pódio: GP da Hungria, 1990
Hungaroring, 12 de Agosto
Resultado Final: 1º Boutsen, 2º Senna, 3º Piquet
Diferença entre os brasileiros: +27,605s
Pole position: Thierry Boutsen (Williams-Renault)
Melhor volta: Riccardo Patrese (Williams-Renault), 1’22”058 na volta 63
GPs de Senna até então: 87
GPs de Piquet até então: 166
Resumo do GP:
A Hungria - uma vez definida por Piquet como "um circuito de rua sem prédios" - reserva sempre muitas surpresas, e podemos, quem sabe, esperar mais uma para esse fim de semana...
Hungaroring foi palco da primeira vitória de Alonso, em 2003, quando sua Renault era apenas a 4ª força do grid; A pista húngara também viu Senna, em 1992, impor uma raríssima derrota a Williams de outro planeta. E em 1990, também "pregou peça": a dupla da Williams - no primeiro e mais primitivo modelo daquele que dominaria a F1 nas temporadas de 1992-93-96-97 - fez a primeira fila, e ainda emplacaria vitória e volta mais rápida.
Senna marcou o 4º tempo nos treinos, atrás de Berger, enquanto que Piquet foi apenas o 9º. NA largada, Senna cai para sexto, e Piquet continua na 9ª posição. Na volta 21, Senna sofre danos no seu carro que o obrigam a ir aos boxes, e o brasileiro retoma à pista em décimo. Começava então uma de suas melhores corridas - pouco lembrada, entretanto.
Passando um a um, e realizando uma ultrapassagem arrojadíssima sobre Nigel Mansell, Senna consegue chegar à terceira posição. Nesse momento, tenta uma manobra arriscada e acaba se chocando com Alessandro Nanini, que vinha em segundo. A ultrapassagem de Senna em muito lembra a de Damon Hill sobre Schumacher, na Austrália 1994.
Mas Senna, diferentemente do inglês - talvez porque foi um choque, e não uma fechada - consegue continuar na pista. E o mais interessante é que, algumas voltas depois, um acidente idêntico ocorre com Mansell e Berger.
Senna segue andando no limite, e tenta até o último momento estragar a festa da Williams, mas o dia mesmo era de Boutsen, que vence com uma vantagem de apenas 0.288s. Piquet, também brilhante, vinha, entre ultrapassagens e abandonos dos adversários, na terceira posição, mostrando uma de suas principais características: a condução precisa.
Era a 14ª vez que Senna e Piquet se encontravam no pódio, e a terceira em solo húngaro, num espaço de 5 anos. Senna havia vencido nessa pista em 1988, e repetiria a façanha em 91 e 92. Piquet ganhara as duas primeiras edições, em 86 e 87, como vimos. Portanto, em apenas 7 anos, 5 vitórias brasileiras. Interessante é que Senna, nas 4 que não venceu, foi segundo colocado. Piquet, com esse pódio e uma 6ª colocação em 89 - com um carro grosseiramente ruim - mostrava também conhecer a pista.
Príncipe e Primeiro-Ministro húngaros? Talvez tenha sido por isso que, em 1987, um jornalista local disse que já estava decorando o hino nacional brasileiro...
No campeonato, Senna liderava com 54 pontos, 12 a mais que Prost, o vice. Piquet era 5º, com 22.