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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

As 99 vitórias brasileiras na Fórmula 1...

Um fato que passou despercebido, ao final da temporada de 2008, foi que em Interlagos Felipe Massa obteve a vitória de número 99 para o Brasil: Ayrton Senna ganhou 41, Nelson Piquet, 23, Emerson Fittipaldi, 14, Felipe Massa, 11, Rubens Barrichello, 9 e José Carlos Pace, 1.
Logo, é motivo de comemoração, dada a iminência da centésima vitória em 2009 - muito provavelmente com o próprio Felipe.
Apenas dois países, Alemanha e Inglaterra, chegaram a essa marca: os alemães, impulsionados por Michael Schumacher, possuem 104 vitórias: 91 de Michael, 6 de Ralf Schumacher, 3 de Heinz-Harald Frentzen, 2 de Wolfgang Von Trips, 1 de Sebastian Vettel e outra de Jochen Mass.
Por outro lado, os ingleses são os grandes recordistas, com 130 triunfos, sendo Mansell o maior vencedor, com 31; Em seguida, aparecem Damon Hill, 22, Stirling Moss, 16, Graham Hill, 14, James Hunt, 10, Lewis Hamilton, 9, John Surtees e Tony Brooks, ambos com 6, John Watson, com 5, Peter Colins, Johnny Herbert e Mike Hawthorn, três cada e, por fim, Jenson Button e Innes Ireland, com uma cada.
(em algumas fontes inglesas, é normal ver menção/comemoração a 199 vitórias, dada a inclusão das 25 de Jim Clark, das 27 de Jackie Stewart, e mais as 13 de David Coulthard, pilotos escoceses, além das 4 do norte-irlandês Eddie Irvine - que, nesses casos, são provinientemente chamados de "britânicos" -, mas na Copa do Mundo, a Escócia é uma seleção à parte.)
Assim, sabendo da importância dessa marca, o site Última Volta deu início ao especial "As 99 vitórias do Brasil na Fórmula 1", no qual serão publicados, diariamente, relatos e/ou depoimentos sobre cada uma das 99 vitórias.
A primeira delas, em Watkins Glen, GP dos EUA-70, teve uma entrevista exclusiva com o grande precursor do Brasil na F-1, Emerson Fittipaldi. Marcel Pilatti, um dos autores desse blog, relatou a 3ª vitória de Emerson, no GP da Bélgica, em 1972.
Hoje, podemos conferir mais uma corrida narrada pelo excepcional Márcio Madeira da Cunha, Áustria/1972, e nessa terça-feira, teremos o depoimento do "Barão" Wilson Fittipaldi, pai de Emerson e Wilson Jr., e narrador da grande corrida de Monza/1972, que garantiu o primeiro título do Brasil na F-1.
Não deixem de conferir.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Pódios Brasileiros - Parte 1


Nesta primeira parte, o especial Pódios Brasileiros irá tratar dos pódios envolvendo Emerson Fittipaldi e José Carlos Pace (todos em 1975) e a única vez em que Fittipaldi e Piquet subiram juntos ao pódio, em 1980.

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1º Pódio: GP do Brasil, 1975
Interlagos, 26 de janeiro
Resultado Final: 1º Pace, 2º Fittipaldi, 3ºMass
Diferença entre os brasileiros: +5,52s
Pole position: Jean-Pierre Jarier (Shadow)
Melhor volta: Jean-Pierre Jarier (Shadow), 2’34,160 na volta 10
GPs de Pace até então: 40
GPs de Fittipaldi até então: 75

Resumo do GP
O dia era 26 de janeiro. O local, o antigo circuito de Interlagos. Fittipaldi, bi-campeão do mundo no ano anterior, larga em segundo com a McLaren. Pace sai em sexto, com a Brabham. Na largada, Emerson patina excessivamente e perde colocações, ficando em sétimo. Pace aproveita o erro do compatriota e, em uma ótima largada, completa a primeira volta em terceiro. Reutemann, que largou em terceiro, assume a ponta, seguido pelo pole Jarier.
O piloto francês faz a ultrapassagem sobre Reutemann na quinta volta das quarenta previstas, passando à liderança da prova. Pace aumenta o ritmo e na volta 14 faz a ultrapassagem sobre Reutemann, assumindo a segunda posição. Duas voltas depois Emerson começa a se recuperar e assume a sexta posição. Na volta 20 o bi-campeão passa por Niki Lauda e já é quinto. Reutemann começa a ter problemas com os pneus e perde diversas posições. Emerson já é o quarto. Na volta 29, Fittipaldi realiza mais uma ultrapassagem, desta vez sobre Regazzoni, conquistando a terceira posição.
Faltando sete voltas para o final, o motor do líder Jean-Pierre Jarier tem problemas e o piloto francês abandona. Pace assume a ponta, com Emerson em segundo e Mass em terceiro. A partir daí, Pace levou seu carro a vitória seguido por Fittipaldi, para delírio do público presente no ensolarado autódromo de Interlagos. A primeira dobradinha brasileira não poderia acontecer de forma melhor: primeira vitória de Pace, belíssima corrida de recuperação de Fittipaldi, e tudo isso no lendário Interlagos.
Ao final desta corrida, a dobradinha brasileira também se formava na classificação do campeonato, pois Fittipaldi liderava com 19 pontos, seguido por Pace com 9.





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2º Pódio: GP de Mônaco, 1975
Monte Carlo, 11 de maio
Resultado final: 1º Lauda, 2º Fittipaldi, 3º Pace
Diferença entre os brasileiros: +15,03s
Pole position: Niki Lauda (Ferrari)
Melhor volta: Patrick Depallier (Tyrrell), 1’28”67 na volta 68
GPs de Pace até então: 43
GPs de Fittipaldi até então: 78

Resumo do GP
Duas semanas antes, na Espanha, acidentes trágicos levaram os pilotos a exigirem melhores condições de segurança nas pistas. Sendo assim, o grid de largada foi limitado em 18 carros, e as posições de largada formavam um zigue-zague na pista.
No sábado, Graham Hill faria sua última aparição em GPs como piloto, não conseguindo se classificar com um carro próprio. Niki Lauda fez a pole, enquanto os brasileiros largariam em 8º (Pace) e 9º (Fittipaldi).
A chuva caiu no domingo, e todos largaram com pneus para piso molhado. Na primeira volta, Niki Lauda manteve a ponta, enquanto Regazzoni e Brambilla rodaram e caíram para o fim do grid. Ainda na primeira volta, Jarier acertou uma barreira na Mirabeau e em seguida bateu na chicane, abandonando. Fittipaldi encontrou espaço para ultrapassar Pace. No fim da primeira volta, Emerson já era 5º, e Moco 6º. Na 19ª volta, Pryce rodou e Emerson ganhou mais uma posição.
Os brasileiros pararam para trocar seus pneus por slicks na 21ª (Pace) e 23ª (Emerson) voltas. Os três primeiros só começaram a parar na volta 25. Aproveitando a melhor performance dos slicks, Fittipaldi e Pace ganharam posições e após os pit-stops dos adversários já eram 2º e 3º, respectivamente.
Daí pra frente Emerson chegou a pressionar Lauda, mas o limite de duas horas pôs fim à corrida.
Pela segunda vez o pódio era dominado pelos brasileiros, e o campeonato apontava Emerson em primeiro (21 pontos), seguido por Pace (16 pontos) e Lauda (14 pontos).





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3º Pódio: GP da Grã-Bretanha, 1975
Silverstone, 19 de julho
Resultado final: 1º Fittipaldi, 2º Pace, 3º Scheckter
Diferença entre os brasileiros: indefinido
Pole position: Tom Pryce (Shadow)
Melhor volta: Clay Regazzoni (Ferrari), 1’20”90 na volta 16
GPs de Pace até então: 48
GPs de Fittipaldi até então: 83

Resumo do GP
O terceiro pódio de maioria brasileira aconteceu em uma corrida inusitada. Pace largou em segundo, enquanto Emerson saiu em sétimo. Pace assumiu a liderança na largada, mas foi ultrapassado por Regazzoni na volta 13. Emerson andava em sexto. Porém, a chuva começou a cair levemente. Vários pararam para pneus de chuva, mas Pace e Emerson continuaram na pista com slicks, assumindo a 1ª e 2ª posição na volta 22. Aqueles que haviam parado logo descontaram o atraso em relação aos brasileiros, porém a chuva parou e Fittipaldi e Pace voltaram a liderar a corrida. Na volta 53 a chuva voltou com tudo e três voltas depois nada menos que 11 pilotos rodaram pelo circuito, entre eles Pace. A bandeira vermelha foi acionada, sendo Emerson o único entre os primeiros a completar a volta 56. Com o cancelamento da prova, o resultado final foi aquele do início da volta 56, que apontou Emerson em primeiro e Pace em segundo, seguido por Scheckter em terceiro. Curiosamente, foi a última das 14 vitórias de Emerson na F1. No ano seguinte, ele trocaria a McLaren pela Fittipaldi/Copersucar, a primeira e única equipe brasileira da categoria.
No campeonato, Niki Lauda, futuro campeão daquele ano, liderava com 47 pontos, 14 a mais do que Fittipaldi, que era segundo. Pace ocupava a quinta posição com 24 pontos.



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4º Pódio: GP dos EUA – West, 1980
Long Beach, 30 de março
Resultado final: 1º Piquet, 2º Patrese, 3º Fittipaldi
Diferença entre os brasileiros: +1min 18,563s
Pole position: Nelson Piquet (Brabham)
Melhor volta: Nelson Piquet (Brabham), 1’19”830 na volta 38
GPs de Piquet até então: 23
GPs de Fittipaldi até então: 133

Resumo do GP:
Um show de pilotagem de ambos os brasileiros. Nelson Piquet, de Brabham, larga na pole pela primeira vez. Emerson, à bordo do Fittipaldi, consegue classificar na 24ª e última posição. Nelson larga bem, abrindo vantagem em relação a Depailler e Arnoux, segundo e terceiro respectivamente. Emerson ganha duas posições na largada e com três abandonos logo na primeira volta, ele passa em 19º. Enquanto Piquet lidera com autoridade, na volta 4 dois acidentes tiram 5 carros da corrida e Emerson já é 14º. Na volta 51, o suiço Clay Regazzoni tem um problema nos freios e bate em uma Brabham abandonada na lateral da pista, sofrendo os danos permanentes na espinha que encerrariam sua carreira. Entre abandonos e ultrapassagens, na volta 63 Fittipaldi assume a terceira posição para não mais perdê-la, completando a última das 80 voltas com Patrese em segundo e Piquet sobrando em primeiro. Era a primeira vitória do futuro tri-campeão mundial.
Piquet fez barba, cabelo e bigode: pole, melhor volta e vitória de ponta a ponta. Já Emerson soube levar seu péssimo carro da última posição ao pódio.
No campeonato, Arnoux e Piquet estavam empatados em pontos (18), mas o francês liderava por ter uma vitória a mais. Emerson anotou 4 pontos e seu último pódio na F1.


Na próxima parte, acompanhe os 4 primeiros pódios envolvendo Piquet e Senna.
Equipe F1 Critics.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Pódios Brasileiros - Introdução

Aproveitando o "embalo de domingo de manhã", quando, depois de dezessete anos, dois brasileiros subiam juntos a um pódio de uma corrida de Fórmula 1, o F1 Critics começa hoje um especial sobre todas as vezes em que isso aconteceu. E não foram poucas. O pódio que contou com Nelson Ângelo Piquet, em 2º, e Felipe Massa, em 3º, foi o vigésimo-segundo da história do Brasil. Além de inusitado, foi histórico.
Nelson Piquet, o filho, foi o 9º piloto brasileiro a chegar entre os 3 primeiros na F-1: antes dele, logicamente, o bi-campeão mundial Emerson Fittipaldi, o grande precursor; em seguida, José Carlos Pace, que dá nome ao autódromo de Interlagos, segundo brasileiro a vencer uma corrida; depois, o grande tri-campeão Nelson Piquet, primeiro brasileiro a levantar três taças; anos mais tarde, Ayrton Senna, o maior vencedor do Brasil na F1.

Ainda na época de Senna e Piquet, Mauricio Gugelmin (1989) e Roberto Moreno (1990) conseguiram um pódio cada. Alguns anos depois, Barrichello, o segundo brasileiro que mais subiu ao pódio em todos os tempos, chegaria entre os três melhores colocados de uma prova. E, por fim, Felipe Massa, que há pouco mais de dois anos, já na Ferrari, subia ao pódio pela primeira vez, sendo o brasileiro que mais tempo levou para atingir a marca.
A seguir, o "Ranking" brasileiro de pódios:
1- Ayrton Senna, 80
2- Rubens Barrichello, 62
3- Nelson Piquet, 60
4- Emerson Fittipaldi, 35
5- Felipe Massa, 23
6- José Carlos Pace, 5
7- Roberto Moreno, 1
8- Nelson A. Piquet, 1
9- Mauricio Gugelmin, 1

No total, tivemos nada menos do que 268 pódios com pilotos brasileiros, entre 1970 e 2008. Desses 268, em 22 houve dois ao mesmo tempo. Talvez seja por isso que se falava, especialmente entre os anos 70 e 80, que o Brasil produzia os melhores pilotos, e Jackie Stewart chegou a explicar esse domínio dizendo "É a água que eles bebem", em tom irônico, é claro.
Abaixo, a lista de corridas em que dois brasileiros chegaram ao pódio:

Emerson-Pace: 3 vezes - Brasil (Pace 1º, Emerson 2º), Mônaco (Emerson 2º, Pace 3º) e Inglaterra (Emerson 1º, Pace 2º), todas em 1975.

Emerson-Piquet: 1 vez - EUA (Piquet 1º, Emerson 3º) em 1980.

Senna-Piquet: 16 vezes - Itália (Piquet 2º, Senna 3º), 1985, Brasil, Alemanha e Hungria (Piquet 1º, Senna 2º), 1986, Mônaco e EUA (Senna 1º, Piquet 2º) Inglaterra (Piquet 2º, Senna 3º) Alemanha (Piquet 1º, Senna 3º) Hungria e Itália (Piquet 1º, Senna 2º), 1987, San Marino (Senna 1º, Piquet 3º) e Austrália (Senna 2º, Piquet 3º), 1988, Canadá (Senna 1º, Piquet 2º) e Hungria (Senna 2º, Piquet 3º), 1990, EUA e Bélgica (Senna 1º, Piquet 3º), 1991.

Piquet-Moreno: 1 vez - Japão (Piquet 1º, Moreno 2º) em 1990.

Piquet-Massa: 1 vez - Alemanha (Piquet 2º, Massa 3º) em 2008.

Curioso notar que Barrichello, embora seja o segundo brasileiro que mais subiu ao pódio, não dividiu o local com nenhum compatriota. E não por falta de oportunidade: entre 1994 e 2005, o brasileiro subiu ao pódio nada menos que 61 vezes, numa média de 5 por ano. Gugelmin, também ausente nas dobradinhas, chegou ao pódio no GP do Brasil de 1989, em terceiro, numa corrida em que Senna sofreu acidente e chegou em 10º. Na Inglaterra 88, Senna fôra o primeiro, e Gugelmin o quarto. Por pouco não aumentamos a lista...

Ayrton Senna e Nelson Piquet, claro, dominam essas estatísticas, por serem nossos dois maiores campeões, e por terem corrido na mesma época. Aliás, é curioso notar que, desde que surgiu na Fórmula 1, o sobrenome Piquet sempre esteve presente em quaisquer "dobradinhas" brasileiras. Desde a primeira vez, com Nelsão, até agora, com Nelsinho, "Piquet" subiu ao pódio 19 vezes, o que representa 86% do total. E a tendência é que aumente.