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Ainda mais patético do que ver o narrador e seus comentaristas defendendo a 'ira' de Barrichello ou elevando Di Grassi ao nível de grande piloto, foi constatar que a torcida de Galvão e cia por Felipe Massa/contra Fernando Alonso (é a mesma coisa, não?) fez com que Michael Schumacher, da noite pro dia, se tornasse o queridinho. Bueno só faltava gritar de alegria com, primeiro, as teóricas aproximações do alemão na caça do espanhol e, depois, com a ultrapassagem punida.
Eles que, mestres em manipular a opinião pública e omitir informações, sempre criticaram o mesmo piloto germânico por conta de sua conduta. Acontece que, antes, Schumacher era o 'cara que arruinou Barrichello'; hoje, ele é o 'irmão mais velho' de Felipe Massa. Demais para o discernimento.
(Nos treinos para o GP da Espanha essa faceta já havia se tornado visível: no início do Q3, Fernando Alonso sai dos boxes e por pouco não se choca com Nico Rosberg, que já havia partido. Galvão Bueno faz com que tal manobra ganhe ares de sujeira das mais desprezíveis, esquecendo-se, por exemplo, de dois momentos ocorridos com Felipe Massa na temporada de 2008 com Adrian Sutil - durante a corrida, o que é mais importante)
Hoje, no Globo Esporte, a tônica seguiu, com Luciano Burti defendendo Schumacher: ele usou-se do termo "ele foi induzido ao erro". Logo em seguida, a apresentador do programa chama a atenção de Burti para o fato de que a Mercedes retirou a apelação que havia iniciado ainda no domingo.
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Vi gente citando a punição dada a Ayrton Senna em Suzuka, 1989, comparando a Mônaco-10, porque, segundo tais, em ambos os casos "quem julgou tinha algo contra/a favor dos envolvidos". Em outras palavras: para estas pessoas, o critério para a punição de Schumacher é o mesmo daquele dado a Senna, pois enquanto Senna tinha contra si o diretor francês Balestre favorecendo seu compatriota (coisa que ele chegou a admitir na polêmica entrevista de 1996) Schumacher tem agora contra si o comissário que quer se vingar do passado: a polêmica batida do GP da Austrália de 1994.
"Um erro não justifica o outro", dizem.
E além de tornarem Hill uma espécie de promotor de Brasília, os mesmos atentaram para o fato de Alonso estar na Ferrari e que "a Ferrari é sempre beneficiada", etc.
Será que eles esquecem que Schumacher esteve na Ferrari entre 1996 e 2009 (até 2006 foi piloto, e entre 07 e 09 ficou entre "Piloto de testes de luxo" e "consultor esportivo")? Será que eles esqueceram do GP do Japão de 1997? Será que eles esqueceram do GP da Malásia de 1999? Será que eles esqueceram do GP dos EUA de 2005? Será que eles esqueceram do GP da Itália de 2006? Será que eles esqueceram da regra dos amortecedores durante 2006? Será que eles esqueceram dos GPs de Valência e da Bélgica de 2008?
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E os camaradinhas que falam do "rancoroso" Hill, tentam limitar os problemas daquela temporada à colisão da última corrida. Não foi só isso, não...
Também hoje, saiu o primeiro comentário de Damon Hill sobre a decisão de punir Schumacher, comentada à exaustão nos últimos dois dias, e usada como prova de manipulação/favorecimento por parte da imprensa, como apontado na coluna do GP Total.
Damon Hill disse que esperava exercer uma função diferente da qual fora designado: "Eu imaginei que estaria lá como consultor, dando um auxílio para os gestores, que então tomariam suas decisões", disse. Para Hill, é questionável "se é justo que os corredores estejam na posição de quem deve interpretar os regulamentos".
Isto posto, o campeão mundial de 1996 afirmou que sentiu "desconforto" por ter de julgar "um incidente envolvendo Michael", mas que "agiu certo" e ser comissário foi "uma experiência fascinante".
Mas o que mais chamou atenção na declaração do ex-piloto foi quando se referiu ao pós-punição: "Já recebi vários e-mails de pessoas me acusando de preconceito".
Certos jornalistas brasileiros, mesmo estando fora da Globo certamente estão não entre os que mandaram e-mail para Damon Hill, mas sim nos que o consideram "vingativo" ou "rancoroso" e mais ainda que vêm a ocorrência da punição "somente" - sic - porque Hill era comissário. Nesse grupo de jornalistas, encontram-se tanto fãs do alemão quanto de Massa, e o interesse em tornar essa falácia numa verdade é distinto, mas culmina com a célebre frase: "O inimigo do meu inimigo é meu amigo".
Impossível falar de Mônaco sem lembrar dele. Vejam a última volta da vitória que consagrou Senna como o maior vencedor da história do GP, superando a marca de Graham Hill:
"Meu pai ficaria feliz de saber que seu recorde foi quebrado por alguém como Senna" (Damon Hill)
Mônaco é um dos poucos GPs que está na Fórmula 1 desde a primeira temporada: na corrida de 1950, Fangio sagrou-se vencedor. No entanto, a etapa monegasca esteve fora do calendário entre 1951 e 1954, retornando em 1955 e nunca mais ficando uma temporada de fora.
Ao longo da história, o maior vencedor é Ayrton Senna, que lá venceu por seis vezes, 5 delas de modo consecutivo: em 1987, e de 89 a 93. A seguir, aparecem Michael Schumacher (1994, 95, 97, 99 e 2001) e Graham Hill (1963, 64, 65, 68 e 69). O alemão, portanto, tem a chance de igualar esse é que é um dos raros recordes que não lhe pertencem.
Depois deles, o maior vencedor é Prost, que ganhou 4 vezes: de 1984 a 1986 e em 1988. Importante salientar que, com exceção de 1986, em todas as vitórias do francês Senna foi um potencial vencedor: em 84, o polêmico segundo lugar na corrida cancelada; em 1985, pole e liderança por 13 voltas até a quebra do motor; e 1988, a liderança acachapante, traída por um misto de auto-confiança e inexperiência.
Jackie Stewart (1966, 71 e 73) e Stirling Moss (1956, 60 e 61), que lá ganharam três vezes, são os últimso que passaram de duas vitórias. Outros pilotos com mais de uma vitória: Fangio (50 e 57), Lauda (75 e 76), Maurice Trintignant (1955 e 58), Jody Scheckter (1977 e 79), David Coulthard (2000 e 2002) e Fernando Alonso (2006 e 2007).
Além do espanhol e de Schumacher, dos atuais apenas Lewis Hamilton (2008), Jenson Button (2009) e Jarno Trulli (2004) chegaram à glória de vencer uma etapa nas ruas do pequeno país. A ausência mais notável no nome dos vencedores sem dúvida é a de Jim Clark. Dizem que um dos objetivos de vida que o escocês tinha era o de vencer no principado. Mas a morte chegou antes.
Dado o histórico e o charme da pista, é impossíel não esperar uma corrida boa, principalmente pela previsão de chuva. Porém a chance de ultrapassagem é pequena. Mas não inexistente...
O GP da Espanha foi ainda mais chato que o do Bahrein, não acham? Pouquíssimas ou nenhuma ultrapassagem, grande maioria posições iniciais mantidas, enfim...
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Semana passada, fizemos aqui algumas apostas, e algumas delas têm se confirmado, outras não: aquelas de números pares deram sinais de que podem não se confirmar; as ímpares, mostraram o contrário. Vejamos.
Foi dito que Schumacher superaria Rosberg ao longo do ano, podendo vencer uma corrida antes do compatriota (aposta 1); dissemos que Alonso não mais seria superado por Massa (3); e afirmamos que Kubica provavelmente ganharia 100% das classificações contra Petrov (5).
A julgar pela Espanha, todas os supramencionados estão "corretos": Schumacher foi mais rápido que Rosberg o fim-de-semana todo e colheu um ótimo quarto lugar ante o pobre 13º do companheiro; Alonso, qual Schumacher, também derrotou Massa o fim-de-semana inteiro, e chegou ao pódio vendo o companheiro num sexto lugar apagado; E Kubica - nem precisava apostar - não tomou conhecimento do colega novato.
Já nas apostas ímpares, tivemos um revés: Webber largou na frente de Vettel (foi dito que Sebastian aplicaria em Mark a maior goleada nos treinos das equipes ponteiras); Button abriu mais vantagem em relação a Lewis (afirmamos que Hamilton tenderia a superar Jenson); e Sutil fechou em sétimo (jogamos que ele fará um pódio).
Na questão de Webber e Vettel, realmente parece que está havendo mais equilíbrio, com uma reação do australiano - e os casos das equipes Ferrari e Mercedes estão levando a crer que a RBR não tem a maior diferença de pilotos; na Force India, parece muito mais uma questão de "falta de vaga" no pódio do que demérito de Sutil...
E na McLaren, Hamilton foi melhor que o companheiro todo o tempo, tendo largado à sua frente, e durante a corrida ganho uma posição ao passo que Button perdera uma - mas corrida só acaba quando termina, e Lewis Mansell aprontou das suas...
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Massa pela primeira vez admitiu o que já vinha sendo especulado: está tendo dificuldades de adaptação no trato com os pneus, coisa que está latente em Hamilton e, em grau muito menor, em Vettel. É o famoso estilo de pilotagem. Em Hamilton e Button, isso tem feito toda a diferença, e agora ficou mais evidente em Alonso e Massa.
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Schumacher finalmente ficou à frente do companheiro, e tratou de fazê-lo com estilo: nos treinos livres, na classificação e na corrida foi-lhe superior. Uma frase de Rosberg, essa semana, fez o prenúncio do que estava por vir: depois de ouvir vários comentários na imprensa com relação ao "novo pacote" da Mercedes, Nico denunciou sua fragilidade ao responder perguntando: "por que o novo carro seria melhor só para Michael?".
Por quê eu não sei, mas até aqui só Schumi tirou proveito das mudanças, e Rosberg afirmou que achou o carro difícil de pilotar...
Lembram da polêmica causada por uma declaração de Rubinho no começo da temporada?...
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Fato é que Schumacher andou muito bem, e adaptou sua grande estratégia de antigamente: nos boxes, ganhou a posição de Button. O inglês tentou de todas as maneiras, mas Schumacher, fazendo o que o próprio Jenson fizera com Alonso na Malásia, não permitiu. Pelo menos ele não tentou passar por fora. Schumacher foi limpo em todas as manobras e mostrou como, mesmo com um carro mais lento, é possível defender posições.
Porém, uma coisa ficou bem clara na performance de Michael: apesar da técnica permanecer, ele já não é mais tão rápido como era, nem de longe: sua volta mais rápida foi a 10ª melhor do dia (apenas para efeito de comparação, a de Button foi a 5ª, quase 4 décimos à frente) e sua velocidade máxima atingida foi apenas a 20ª: 303 km/h, contra os 312.2 de Massa, o mais veloz - Button atingiu 311.4.
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Bem, Mônaco está logo aí, e vamos ficando por aqui.